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Brasileira que dançou balé profissional na Europa troca os palcos pela computação no MIT, cofunda startup de R$ 58,8 bilhões e se torna, aos 29 anos, a mulher mais jovem do mundo a construir fortuna bilionária
Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/07/2026 às 15:30
Atualizado em 23/07/2026 às 15:31
Curiosidades
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Uma trajetória que passou pelo balé profissional, pelo MIT e pelo mercado financeiro levou uma brasileira a comandar uma startup bilionária e a ocupar uma posição inédita entre as maiores fortunas construídas por mulheres.
A brasileira Luana Lopes Lara entrou para o grupo de bilionários antes dos 30 anos depois que a Kalshi, empresa de mercados de previsão que fundou com Tarek Mansour, recebeu uma avaliação de US$ 11 bilhões em dezembro de 2025.
Naquele momento, a Forbes estimou o patrimônio da empreendedora em US$ 1,3 bilhão e a classificou como a mulher mais jovem do mundo a construir a própria fortuna bilionária.
O reconhecimento não significa que Luana fosse a pessoa bilionária mais jovem do planeta, como a leitura isolada do título pode sugerir.
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A distinção se referia especificamente à categoria de mulheres que acumularam o patrimônio por meio dos próprios negócios, sem considerar fortunas herdadas.
Com 29 anos, ela assumiu a posição que pertencia à norte-americana Lucy Guo, cofundadora da Scale AI.
Os números que colocaram a mineira na lista mudaram novamente poucos meses depois.
Em 7 de maio de 2026, a Kalshi anunciou outra rodada de US$ 1 bilhão, desta vez com uma avaliação de US$ 22 bilhões.
A operação dobrou o valor atribuído à empresa em relação a dezembro de 2025, enquanto a Forbes passou a estimar em US$ 2,6 bilhões a fortuna de cada cofundador.
Luana, que já completou 30 anos, continua apresentada pela publicação como a mulher bilionária self-made mais jovem do mundo.
O valor de R$ 58 bilhões mencionado no título corresponde a uma conversão aproximada da avaliação de US$ 11 bilhões divulgada no fim de 2025.
Como a Kalshi é uma companhia privada, essa cifra não representa faturamento, dinheiro disponível em caixa nem valor definido diariamente em bolsa.
Trata-se de um valuation acordado entre a empresa e os investidores durante a rodada de capital.
Rodada de investimento transformou os fundadores em bilionários
Em 2 de dezembro de 2025, a Kalshi informou que havia captado US$ 1 bilhão em uma rodada Série E liderada pela Paradigm.
Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, Meritech Capital, IVP, ARK Invest, Anthos Capital, CapitalG e Y Combinator também participaram do investimento.
A operação avaliou a companhia em US$ 11 bilhões.
Seis meses antes, em junho de 2025, a Kalshi havia sido avaliada em US$ 2 bilhões após levantar US$ 185 milhões.
Entre uma rodada e outra, o valuation aumentou mais de cinco vezes, refletindo as expectativas dos investidores sobre o crescimento dos mercados de previsão.
Segundo a Forbes, Luana e Tarek possuíam, naquele momento, participações estimadas em cerca de 12% da empresa.
A aplicação desse percentual sobre o valor da companhia, com os ajustes utilizados pela revista para participações em empresas privadas, levou à estimativa de US$ 1,3 bilhão para cada fundador.
A rodada de maio de 2026 elevou novamente esses números.
Liderado pela Coatue, o investimento contou com Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, IVP, Paradigm, Morgan Stanley e ARK Invest.
A Kalshi afirmou que usaria os recursos para ampliar produtos destinados a investidores institucionais, corretoras, gestores de ativos, fundos e seguradoras.
Como funciona o mercado de previsão da Kalshi
Fundada em 2018, a Kalshi permite que os usuários comprem e vendam contratos ligados ao resultado de acontecimentos reais.
As perguntas costumam ter respostas binárias, como “sim” ou “não”, e podem envolver inflação, eleições, esportes, decisões econômicas, premiações, clima e outros temas.
O preço de cada contrato varia conforme as negociações realizadas na plataforma e pode ser interpretado como uma estimativa coletiva da probabilidade de determinado resultado.
Quando o evento é encerrado, o contrato vencedor paga US$ 1, enquanto o contrato associado à resposta incorreta perde o valor.
Em uma entrevista publicada pela Forbes Brasil, Luana definiu a proposta como “um mercado onde os investidores compram e vendem contratos relacionados a eventos”.
A lógica se aproxima de uma bolsa de derivativos, embora diferentes autoridades norte-americanas discutam se determinadas modalidades, sobretudo as relacionadas a esportes, também devem ser submetidas às regras estaduais de apostas.
A Kalshi obteve em novembro de 2020 a designação de mercado de contratos concedida pela Commodity Futures Trading Commission, a CFTC, agência federal responsável pela supervisão de derivativos nos Estados Unidos.
A autorização permite que a empresa funcione como uma bolsa regulamentada de contratos, sob as exigências da legislação federal norte-americana.
O avanço da plataforma, contudo, também gerou disputas judiciais.
Em julho de 2026, uma decisão no estado de Washington restringiu a oferta de contratos da Kalshi após autoridades locais argumentarem que parte das operações violava as leis estaduais de jogos.
A empresa sustenta que os mercados de previsão estão sob competência exclusiva da CFTC, enquanto diferentes estados defendem o direito de aplicar suas próprias normas sobre apostas.
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Da Escola Bolshoi às aulas de computação no MIT
Antes de atuar no mercado financeiro e na tecnologia, Luana seguiu uma trajetória ligada à dança.
Nascida em Belo Horizonte, ela passou por Timóteo, em Minas Gerais, e Niterói, no Rio de Janeiro, antes de se mudar para Joinville, em Santa Catarina.
Na cidade, estudou na Escola Técnica Tupy e frequentou a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.
O interesse pelas ciências exatas também apareceu durante a formação escolar.
De acordo com a Forbes, o pai da empreendedora é engenheiro eletricista, a mãe é professora de matemática e a irmã cursou Engenharia Química.
Luana participou de competições acadêmicas relacionadas a física, matemática e astronomia.
Durante o período dedicado ao balé, ela chegou a atuar profissionalmente em Salzburgo, na Áustria.
A experiência incluiu uma temporada relacionada à montagem de “O Lago dos Cisnes”, antes de a brasileira abandonar a carreira nos palcos para estudar nos Estados Unidos.
Luana foi aceita por Harvard, Yale, Stanford e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Escolheu o MIT, onde concluiu a graduação em Ciência da Computação em 2018 e recebeu apoio da Fundação Estudar durante sua formação.
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Encontro no MIT levou à criação da startup
Foi durante a passagem pelo MIT que Luana conheceu Tarek Mansour.
Os dois estudavam computação e tiveram experiências profissionais no setor financeiro antes de criarem a Kalshi.
A ideia surgiu ao observarem investidores tentando proteger recursos ou obter ganhos com acontecimentos políticos e econômicos, sem poder negociar diretamente o resultado desses eventos.
A empresa foi fundada em 2018, mas ainda precisou enfrentar um processo regulatório antes de iniciar suas atividades.
A autorização federal veio em 2020, e a plataforma foi lançada comercialmente nos Estados Unidos em 2021.
O crescimento ganhou impulso após as eleições norte-americanas de 2024, quando contratos relacionados à disputa política atraíram novos usuários para os mercados de previsão.
Em dezembro de 2025, a companhia informou que seu volume semanal de negociações havia ultrapassado US$ 1 bilhão e que milhares de mercados estavam disponíveis na plataforma.
Já em maio de 2026, a Kalshi afirmou que o volume anualizado de transações havia avançado de US$ 52 bilhões para US$ 178 bilhões em seis meses.
Esses números foram divulgados pela própria empresa e representam o total negociado pelos usuários, não a receita obtida pela plataforma.
A valorização também levou Tarek Mansour à lista global de bilionários.
Assim como Luana, ele teve a fortuna vinculada principalmente à participação acionária na companhia privada, cujo valor pode mudar em futuras rodadas, vendas de ações ou alterações nas condições do mercado.
A trajetória que começou entre aulas de balé, competições acadêmicas e estudos de computação passou a ocupar espaço em rankings internacionais de riqueza.
Ao mesmo tempo, a expansão da Kalshi mostra como os mercados de previsão se aproximaram do setor financeiro tradicional e abriram novas discussões sobre tecnologia, regulamentação e os limites entre investimento e aposta.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

