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Brasileiro que viveu nas ruas, foi resgatado pelo pai com ajuda de um pastor e chorou após levar tapa de passageira transformou humilhação em negócio: criou a Te Levo Mobile, aplicativo que chegou a movimentar R$ 700 mil por mês em Araxá e avançou para mais de 100 cidades
Escrito por Ana Alice
Publicado em 30/07/2026 às 21:12
Curiosidades
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A história de Sérgio Brito combina mobilidade urbana, empreendedorismo regional e tecnologia aplicada ao transporte, com uma operação que nasceu em Araxá e ganhou escala ao priorizar motoristas na estratégia de crescimento.
A trajetória de Sérgio Brito, fundador da Te Levo Mobile, reúne elementos de empreendedorismo, tecnologia e mobilidade urbana fora dos grandes centros.
Quando a história foi publicada pelo UOL, em outubro de 2024, a operação de Araxá (MG) movimentava R$ 700 mil por mês em corridas e contava com 170 motoristas cadastrados na cidade.
O caso ganhou repercussão porque a empresa nasceu a partir da experiência de Brito como motorista de aplicativo.
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Segundo ele relatou ao UOL, a decisão de criar a própria plataforma veio depois de uma corrida em que levou um tapa de uma passageira.
O episódio ocorreu após ele pedir que a mulher fechasse a janela do carro durante uma chuva, pois o banco estava molhando e isso poderia impedir novas viagens.
A Te Levo Mobile passou a atuar como uma alternativa regional em cidades do interior de Minas Gerais, São Paulo e Goiás, conforme as informações publicadas à época.
O modelo combina aplicativo de transporte, operação local, tecnologia terceirizada e relação direta com motoristas parceiros.
A proposta declarada por Brito é colocar o condutor no centro da operação, sem deixar de atender o passageiro como usuário final do serviço.
No relato ao UOL, o empresário afirmou que pensou em reagir após a agressão, mas desistiu.
“Fiquei parado, chorei”, disse.
Depois do ocorrido, ele contou que procurou a empresa para a qual dirigia como parceiro, mas não recebeu o retorno esperado.
A partir dessa experiência, decidiu criar uma plataforma em que, segundo suas palavras, o “cliente principal fosse o motorista”.
Como nasceu a Te Levo Mobile em Araxá
A Te Levo Mobile começou a funcionar em Araxá em janeiro de 2022.
Naquele período, muitos trabalhadores ainda buscavam reorganização profissional após os efeitos econômicos da pandemia.
Antes de atuar no transporte por aplicativo, Brito havia trabalhado como chef de cozinha em um hotel da cidade, mas perdeu o emprego e passou a dirigir para manter a renda.
O início da operação foi limitado.
De acordo com reportagem do Terra publicada em agosto de 2024, no primeiro mês a plataforma concluiu apenas uma corrida entre dez solicitadas.
A viagem rendeu R$ 24,10, com repasse de 85% ao motorista.
Pouco mais de dois anos depois, segundo a mesma publicação, a empresa atendia cerca de 50 mil usuários e estava disponível em sete cidades de três estados.
O investimento inicial veio de um sócio, Múcio Francisco Vale Júnior, empresário ligado à rede de postos Deck, em Araxá.
Conforme relato de Brito ao UOL, o aporte foi de R$ 35 mil.
O desenvolvimento do aplicativo custou R$ 5 mil, enquanto a divulgação começou de forma caseira, com artes e vídeos produzidos pelo próprio fundador após assistir a aulas no YouTube.
A tecnologia usada pela empresa não foi desenvolvida integralmente dentro da Te Levo.
O portal Empreendedor informou que a operação começou com a Machine, plataforma voltada à criação e gestão de aplicativos de transporte e entregas.
Esse tipo de solução permite que empresas locais lancem aplicativos com uma estrutura técnica já existente, sem precisar criar todo o sistema do zero.
Motoristas da Te Levo Mobile no centro da operação
O principal ponto apresentado por Brito como diferença em relação às grandes plataformas está na forma de relacionamento com os motoristas.
Segundo o site oficial da Te Levo Mobile, a empresa oferece benefícios como cartão de saúde, desconto em combustível, lanchonete e carro de apoio.
Na base da operação em Araxá, os condutores também contam com café, biscoito, banheiro, água e espaço para esquentar marmitas.
Ao UOL, Brito resumiu essa postura com a frase: “Nós mimamos o motorista”.
A declaração foi usada pelo empresário para explicar a tentativa de criar uma relação mais próxima com os parceiros da plataforma.
Além dos benefícios, a empresa informou que os motoristas passam por treinamento.
O texto original cita uma preparação de duas horas, com temas como racismo, homofobia, atendimento a passageiro embriagado e assédio.
Também há exigência de documentos como RG, CPF e atestado de antecedentes criminais, procedimento adotado por outras plataformas do setor.
O modelo de remuneração também foi apresentado como atrativo para os condutores.
Em entrevista publicada pelo 55content em agosto de 2025, Brito afirmou que os motoristas ficam com 85% do valor das corridas e que a empresa cobra taxa de 15%.
Na mesma entrevista, ele declarou que a Te Levo tinha 210 motoristas ativos apenas em Araxá e atuação em 42 cidades de oito estados naquele momento.
Assista o vídeo
Expansão do aplicativo de viagens no interior
Quando o UOL publicou a matéria em 2024, a Te Levo Mobile atuava em Araxá, Ibiá, Sacramento, Monte Carmelo e Guaxupé, em Minas Gerais; Catalão, em Goiás; e Miguelópolis, em São Paulo.
Miguelópolis também aparece na trajetória pessoal de Brito, porque foi uma das cidades relacionadas ao período de dificuldades relatado por ele.
A expansão da marca foi mencionada em publicações posteriores.
Em maio de 2026, a organização da Copa Internacional de Mountain Bike informou que a Te Levo Mobile seria o aplicativo oficial de mobilidade da etapa de Araxá.
No mesmo comunicado, a CiMTB afirmou que a marca estava presente em mais de 100 cidades e 13 estados.
A publicação, porém, não informou faturamento atualizado da empresa.
Por esse motivo, o número de R$ 700 mil deve ser tratado com precisão.
No texto do UOL, o valor aparece como faturamento mensal da operação de Araxá com a soma das viagens, e não como lucro líquido.
A diferença é relevante porque parte do dinheiro pago pelos passageiros é repassada aos motoristas, enquanto outra parte fica com a plataforma.
A vida de Sérgio Brito antes do aplicativo
A história empresarial de Brito ganhou espaço também por causa da trajetória pessoal relatada por ele.
Ao UOL, o empresário disse que foi enganado por uma promessa de emprego em uma plantação de café, ficou sem dinheiro e passou a viver nas ruas.
Segundo seu relato, a falta de banho, roupas limpas e aparência adequada dificultava novas oportunidades de trabalho.
Ainda de acordo com a versão publicada no texto original, o pai de Brito conseguiu encontrá-lo com ajuda de um pastor.
Sem notícias do filho, ele passou a ligar para igrejas da cidade até descobrir que Sérgio frequentava uma delas aos domingos.
O reencontro ocorreu depois que o pastor aceitou mantê-lo no local até a chegada do pai.
Brito afirmou que acordou ao ouvir a voz do pai e chegou a pensar que estava sonhando.
Depois disso, voltou para casa e retomou a busca por trabalho.
Em seguida, estudou Gastronomia com financiamento estudantil e conseguiu emprego em um hotel de Araxá.
A demissão durante a pandemia o levou ao transporte por aplicativo, setor no qual identificou o problema que daria origem ao negócio.
Tecnologia e mobilidade urbana fora das capitais
A experiência da Te Levo Mobile é citada em reportagens sobre aplicativos regionais de mobilidade, segmento que tem buscado espaço em cidades menores e médias.
Em 2023, a Forbes Brasil mencionou a empresa entre exemplos de plataformas criadas fora das capitais para atender demandas locais de transporte.
Esse tipo de negócio depende de tecnologia, mas também de gestão local.
No caso da Te Levo, a operação envolve motoristas cadastrados, passageiros, franqueados, benefícios, treinamento e suporte presencial.
A combinação desses elementos ajuda a entender por que aplicativos regionais conseguem atuar em municípios onde a oferta das grandes plataformas pode variar conforme a demanda e a quantidade de condutores disponíveis.
A estrutura de franquia também faz parte da expansão da empresa.
Pelo modelo apresentado nas reportagens, a marca pode ser levada a outras cidades por operadores locais.
Essa lógica permite ampliar a presença do aplicativo sem depender apenas da administração direta da unidade de origem.
O caso de Brito permanece relevante por mostrar como uma experiência individual de trabalho pode se transformar em negócio quando encontra demanda, tecnologia disponível e rede de parceiros.
Ao mesmo tempo, a história exige cuidado na apresentação dos dados, porque faturamento, lucro, número de cidades atendidas e quantidade de motoristas podem mudar conforme a fase da empresa e a fonte consultada.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

