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Cansados de ver escadas impedirem a passagem de cadeirantes, nove estudantes suíços passaram dez meses criando uma cadeira de rodas com esteiras, rodas e equilíbrio automático, mas descobriram que abrir portas e cruzar pisos irregulares era ainda mais difícil

Cansados de ver escadas impedirem a passagem de cadeirantes, nove estudantes suíços passaram dez meses criando uma cadeira de rodas com esteiras, rodas e equilíbrio automático, mas descobriram que abrir portas e cruzar pisos irregulares era ainda mais difícil

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Cansados de ver escadas impedirem a passagem de cadeirantes, nove estudantes suíços passaram dez meses criando uma cadeira de rodas com esteiras, rodas e equilíbrio automático, mas descobriram que abrir portas e cruzar pisos irregulares era ainda mais difícil

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 23/07/2026 às 21:10

Ciência e Tecnologia

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Cadeira de rodas elétrica combinou rodas, esteiras e controle de equilíbrio para vencer degraus.

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Criada para ampliar a acessibilidade, a cadeira de rodas elétrica combinou rodas, esteiras e controle de equilíbrio para vencer degraus. Nos testes, portas e terrenos irregulares revelaram obstáculos ainda mais complexos para a mobilidade.

Após dez meses de alterações, nove estudantes suíços viram a cadeira de rodas elétrica avançar por uma escadaria sem grandes dificuldades. O problema apareceu logo depois, quando a máquina precisou abrir uma porta e atravessar um piso irregular.

A cadeira tinha rodas para circular em superfícies comuns, esteiras para enfrentar degraus e um sistema de equilíbrio para manter o usuário em uma posição adequada. Mesmo com essa estrutura, tarefas aparentemente simples ainda exigiam ajustes profundos no projeto.

As informações foram divulgadas por ETH Zurich, universidade suíça de ciência e tecnologia. A publicação, feita em 18 de agosto de 2016, registrou os testes realizados pela equipe Scewo antes de uma competição internacional de tecnologias assistivas.

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A cadeira subiu a escada, mas tropeçou nos desafios mais comuns

O primeiro teste da versão revisada aconteceu no campus Balgrist, em Zurique. A cadeira de rodas que sobe escadas completou os degraus com facilidade, enquanto sua capacidade de fazer manobras diante de portas deixou a equipe menos satisfeita.

A estabilidade sobre terrenos irregulares também precisava melhorar. Quando a superfície mudava de altura ou apresentava obstáculos, a cadeira precisava manter o usuário seguro sem perder a direção ou realizar movimentos bruscos.

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Essa diferença mostrou que vencer uma escada não significa resolver todos os problemas de acessibilidade. Uma pessoa que usa cadeira de rodas também precisa se aproximar de portas, fazer curvas em espaços pequenos e circular por pisos que nem sempre são planos.

O teste colocou a equipe diante de uma situação inesperada: o obstáculo mais visível já estava sendo vencido, enquanto limitações menores continuavam interferindo na mobilidade diária.

Rodas, esteiras e equilíbrio cumpriam funções diferentes

A cadeira de rodas elétrica não dependia de um único sistema para circular. As rodas eram usadas nos deslocamentos comuns, enquanto as esteiras entravam em ação diante de escadas e obstáculos maiores.

As esteiras funcionavam como faixas contínuas apoiadas sobre os degraus. Esse contato ajudava a distribuir o peso e permitia que a cadeira avançasse pela escadaria sem depender de uma rampa ou de um elevador.

O sistema de equilíbrio ajudava a controlar a posição do assento durante a subida. Isso era necessário porque a base da cadeira mudava de inclinação, mas o usuário precisava permanecer em uma posição estável.

A mudança entre rodas e esteiras exigia precisão. A cadeira precisava se aproximar corretamente do primeiro degrau, iniciar a subida e retornar ao piso comum sem comprometer a segurança.

Projeto universitário deveria durar pouco, mas precisou ser reconstruído

A história começou no segundo semestre de 2014, quando 10 estudantes de graduação desenvolveram uma cadeira capaz de subir escadas. Naquela fase, o projeto era chamado Scalevo e deveria ser encerrado no verão europeu de 2015.

Quatro integrantes decidiram continuar trabalhando na máquina. Eles acreditavam que poderiam deixá la pronta para a competição em no máximo dois meses, mas os primeiros testes mostraram que o trabalho seria muito maior.

A estrutura original havia sido pensada principalmente para escadas. A competição também exigia movimentos sobre superfícies inclinadas, pisos irregulares e obstáculos semelhantes a troncos, situações que criavam problemas diferentes.

Reprodução: ETH Zurich

A equipe precisou revisar a parte mecânica, os controles eletrônicos e os programas responsáveis pelos movimentos. O grupo cresceu até reunir nove estudantes da ETH Zurich e da Universidade de Artes de Zurique.

Um motor passou a controlar as duas esteiras

Nas primeiras versões, cada esteira era controlada separadamente. Essa divisão provocava diferenças entre os movimentos dos dois lados, o que poderia prejudicar a direção e tornar a subida menos suave.

A equipe modificou o conjunto para que um único motor movimentasse as duas esteiras. A alteração ajudava os dois lados a avançarem juntos e reduzia o risco de um lado responder antes do outro.

Os computadores de controle e os componentes eletrônicos também foram substituídos. A equipe adotou peças industriais mais acessíveis, enquanto algumas partes da cadeira foram simplificadas para facilitar a montagem e aumentar a confiabilidade.

ETH Zurich, universidade suíça de ciência e tecnologia, detalhou que essas mudanças também preparavam o projeto para uma possível produção comercial. A cadeira já não era apenas uma experiência acadêmica destinada às escadas.

Piloto precisava treinar com a cadeira antes da competição

A tecnologia não podia funcionar apenas durante testes controlados. Era necessário verificar como uma pessoa que usa cadeira de rodas reagiria aos movimentos, aos comandos e às mudanças entre os diferentes sistemas de locomoção.

Josep Ballester atuava como piloto de testes da equipe. Ele percorria o circuito enquanto Pascal Buholzer acompanhava as regras e observava como a cadeira respondia a cada obstáculo.

O treinamento ajudava a identificar problemas que não apareciam durante a montagem. Uma cadeira pode subir uma escada em condições ideais e ainda apresentar dificuldades quando precisa fazer uma curva, atravessar uma superfície inclinada ou se posicionar diante de uma porta.

Um motor passou a controlar as duas esteiras

A preparação tinha como destino o Cybathlon, competição marcada para 8 de outubro de 2016. O evento colocava tecnologias assistivas diante de tarefas inspiradas em desafios encontrados na vida cotidiana.

Preço também poderia se transformar em barreira

Além dos problemas mecânicos, a equipe precisava pensar no custo de uma futura cadeira. O preço deveria cobrir a produção, mas também precisava permanecer dentro de uma faixa que pudesse ser paga pelos usuários ou pelos sistemas de apoio existentes em cada país.

Naquele momento, a Scewo ainda era um protótipo em preparação para uma competição, e não um produto apresentado com todas as condições comerciais definidas.

Essas informações são importantes porque afetam diretamente o uso diário. Uma cadeira muito pesada pode ser difícil de transportar, enquanto uma bateria limitada pode reduzir a distância percorrida longe de uma tomada.

A capacidade de subir escadas representava apenas uma parte do desafio. Segurança, autonomia, custo e facilidade de controle também seriam decisivos para transformar o protótipo em uma solução de mobilidade.

Acessibilidade não pode ficar apenas sobre as rodas

Uma cadeira capaz de subir escadas pode ajudar em edifícios antigos, locais sem elevadores e espaços onde instalar uma rampa é difícil. No Brasil, a tecnologia também poderia ser útil diante de calçadas desniveladas e acessos inadequados.

Entretanto, uma máquina não elimina a responsabilidade das cidades e dos proprietários de imóveis. Rampas, elevadores, portas largas e pisos regulares continuam necessários para garantir que as pessoas circulem sem depender de equipamentos complexos.

Quando a acessibilidade depende apenas da cadeira, o usuário precisa carregar a solução para uma barreira criada pelo próprio ambiente. A tecnologia amplia a independência, mas não substitui uma cidade acessível.

O projeto dos estudantes suíços mostrou como rodas, esteiras e sistemas de equilíbrio podem enfrentar degraus antes considerados intransponíveis. Também revelou que a mobilidade diária envolve obstáculos menos impressionantes, mas igualmente importantes.

Após dez meses de mudanças, a equipe conseguiu fazer a cadeira subir escadas com segurança maior e movimentos mais controlados. As dificuldades diante de portas e pisos irregulares, porém, mostraram que a verdadeira acessibilidade depende da união entre engenharia, planejamento urbano e ambientes preparados.

Uma cadeira que sobe escadas resolveria parte dos problemas de acessibilidade no Brasil, ou investir em calçadas, rampas e edifícios adaptados traria resultados mais amplos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

Fonte

ETHZ


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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