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Carros elétricos escapam do imposto sobre a gasolina, mas agora podem pagar ainda mais: políticos criam novas taxas para recuperar a arrecadação perdida
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/07/2026 às 10:39
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Com taxas estaduais de até US$ 270 e uma cobrança federal de US$ 130 em discussão, motoristas de elétricos podem recolher mais tributos rodoviários que usuários de veículos a gasolina em 33 estados norte-americanos
Os carros elétricos deixaram de pagar o imposto cobrado sobre cada galão de gasolina, mas isso não significa que seus proprietários estejam livres de contribuir para a manutenção das estradas norte-americanas.
Atualmente, 41 dos 50 estados dos Estados Unidos aplicam cobranças adicionais sobre veículos elétricos. Dependendo do local, os valores anuais destinados aos proprietários de modelos leves variam aproximadamente entre US$ 50 e US$ 270.
Além das tarifas estaduais, uma proposta bipartidária apresentada ao Congresso pretende criar uma cobrança federal de US$ 130 por ano. O valor seria acrescentado às taxas que muitos motoristas já pagam durante o registro do automóvel.
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A medida faz parte do BUILD America 250 Act, projeto de infraestrutura que ainda precisa avançar no Congresso. Caso seja aprovado como apresentado, poderá fazer motoristas de elétricos pagarem mais tributos rodoviários que proprietários de veículos a gasolina em 33 estados.
A estimativa aparece em um levantamento publicado pela Frontier Group em 9 de julho de 2026. Em Arkansas, Geórgia, Texas e Mississippi, a diferença projetada ultrapassa 60%.
Taxas sobre carros elétricos já estão presentes em 41 estados
A criação de cobranças específicas para veículos elétricos avançou nos Estados Unidos durante os últimos anos. A justificativa é compensar parte da arrecadação que deixou de entrar nos cofres públicos por meio dos impostos sobre gasolina.
Dados da National Conference of State Legislatures, a NCSL, confirmam que 41 estados já possuem taxas adicionais de registro para carros elétricos.
Os valores e critérios não são iguais em todo o país. Algumas cobranças são fixas, outras são corrigidas pela inflação ou por índices relacionados à construção e manutenção de rodovias.
Em determinados estados, o motorista pode escolher um programa baseado na distância percorrida. Também existem locais onde o valor muda conforme o peso, a categoria ou o ano de fabricação do veículo.
A base detalhada da NCSL mostra que o Havaí aplica uma taxa anual de US$ 50. O proprietário também pode participar de um sistema que cobra US$ 8 para cada mil milhas percorridas, limitado aos mesmos US$ 50.
Em Arkansas, a cobrança anual para um veículo totalmente elétrico é de US$ 200. Idaho cobra US$ 140, enquanto Indiana possui uma taxa indexada de US$ 242. Em Wisconsin, o valor anual chega a US$ 175.
Washington aplica uma taxa de US$ 150, acrescida de outros US$ 75 destinados à eletrificação do transporte. Dessa forma, determinados veículos podem acumular até US$ 225 anuais em cobranças adicionais.
No Wyoming, a tarifa foi reduzida de US$ 200 para US$ 100 em 1º de julho de 2026. O estado passou a combinar o valor com uma tributação sobre a energia vendida em carregadores públicos de alta velocidade.
Nova Jersey passou a cobrar US$ 270 por ano
A maior cobrança estadual considerada no levantamento está em Nova Jersey. Desde 1º de julho de 2026, os veículos classificados como de emissão zero passaram a pagar US$ 270 por ano, além do registro convencional.
A Comissão de Veículos Motorizados de Nova Jersey informa que a cobrança começou em US$ 250 por ano em julho de 2024. A legislação determina reajustes anuais de US$ 10 durante quatro anos.
Com isso, o valor chegou a US$ 260 no período iniciado em julho de 2025 e atingiu US$ 270 em julho de 2026. A cobrança deverá continuar subindo nos próximos períodos previstos pela legislação estadual.
Para um veículo novo registrado por quatro anos, as parcelas adicionais podem precisar ser pagas de uma só vez no momento do primeiro registro. Portanto, o desembolso inicial pode ser significativamente maior que o valor anual divulgado.
A faixa de US$ 50 a US$ 270 representa principalmente automóveis elétricos leves. Veículos pesados podem enfrentar cobranças superiores, enquanto motoristas inscritos em programas por quilometragem podem pagar valores diferentes.
Congresso discute taxa federal de US$ 130
O BUILD America 250 Act foi apresentado na Câmara dos Representantes como H.R. 8870. Seus principais autores são Sam Graves, republicano do Missouri, e Rick Larsen, democrata do estado de Washington.
O projeto estabelece uma taxa federal anual de US$ 130 para veículos totalmente elétricos e de US$ 35 para híbridos plug-in. A cobrança seria realizada pelos próprios estados durante o registro dos automóveis.
Os recursos seriam direcionados ao Highway Trust Fund, fundo federal usado para financiar rodovias, pontes e outros programas de transporte.
O texto oficial do BUILD America 250 Act também prevê reajustes de US$ 5 a cada dois anos, a partir de 2029.
A cobrança dos elétricos poderia alcançar no máximo US$ 150 por ano. Para os híbridos plug-in, o teto seria de US$ 50.
Pelo texto apresentado, as taxas entrariam em vigor em 1º de outubro de 2026 e terminariam em 1º de outubro de 2036. Essas datas, contudo, dependem da aprovação definitiva e da entrada da proposta em vigor.
O projeto foi aprovado pela Comissão de Transportes e Infraestrutura da Câmara em 22 de maio de 2026, por 62 votos a 2. A aprovação na comissão não torna a cobrança obrigatória.
A proposta ainda precisa passar pelas etapas legislativas necessárias antes de virar lei. A página oficial sobre a tramitação apresenta o projeto como uma reautorização de cinco anos para programas de transporte terrestre.
Por que os elétricos passaram a ser cobrados
A principal fonte federal de recursos para as estradas é o imposto sobre combustíveis. Cada vez que um motorista abastece um veículo convencional, parte do preço pago é direcionada ao sistema de transporte.
Segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, o imposto federal sobre a gasolina é de 18,4 centavos de dólar por galão. No diesel, a cobrança federal chega a 24,4 centavos.
Em janeiro de 2026, os impostos estaduais sobre a gasolina apresentavam média de 33,27 centavos por galão. Os valores variam amplamente entre os estados e podem incluir tributos ambientais, taxas de inspeção e outras cobranças.
Como os veículos totalmente elétricos não utilizam gasolina, seus motoristas não recolhem esse imposto no posto. Estados e congressistas passaram, então, a defender taxas alternativas para que esses veículos também contribuam para o financiamento rodoviário.
O projeto federal prevê que estados responsáveis pela arrecadação transfiram o dinheiro ao Highway Trust Fund. Unidades que não cumprirem as regras poderiam perder parte dos recursos federais destinados às rodovias.
Motorista típico percorre cerca de 11 mil milhas por ano
Para comparar os dois sistemas, a Frontier Group considerou um veículo típico percorrendo aproximadamente 11 mil milhas por ano, equivalentes a cerca de 17,7 mil quilômetros.
O número está próximo da média nacional calculada pela Federal Highway Administration. Em 2024, os veículos norte-americanos percorreram, em média, 11.071 milhas durante o ano.
A análise também utilizou dados de eficiência fornecidos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. A EPA informou que os veículos novos do ano-modelo 2024 alcançaram uma média real de 27,2 milhas por galão.
A partir dessas referências, o levantamento calculou quanto um motorista de carro a gasolina pagaria em impostos estaduais e federais durante um ano. Depois, comparou o resultado com as cobranças destinadas aos veículos elétricos.
Sem a nova taxa federal, os valores estaduais aplicados aos elétricos já superariam os impostos estaduais sobre gasolina em 24 estados, considerando a distância anual e a eficiência usadas no cálculo.
Com o acréscimo dos US$ 130 federais, outros nove estados entrariam nessa relação. O total chegaria a 33 estados, onde vivem mais de 188 milhões de pessoas.
Diferença pode superar 60% em quatro estados
Arkansas, Geórgia, Texas e Mississippi apresentaram os maiores contrastes na simulação. Nesses quatro estados, um motorista típico de elétrico pagaria mais de 60% acima do recolhido por um proprietário de carro a gasolina.
O resultado ocorre pela soma da futura cobrança federal com taxas estaduais relativamente elevadas. Ao mesmo tempo, alguns desses estados possuem tributos sobre gasolina inferiores aos encontrados em outras partes do país.
A comparação considera somente cobranças ligadas ao uso e financiamento das estradas. Ela não representa a carga tributária completa, o preço dos automóveis, o custo da eletricidade, manutenção, seguro, pedágios ou eventuais incentivos.
O valor real também depende de quantas milhas cada proprietário dirige. Quem percorre distâncias menores tende a ser mais afetado proporcionalmente por uma taxa anual fixa, enquanto motoristas que rodam mais diluem a cobrança por quilômetro.
Por isso, alguns estados começaram a adotar sistemas baseados na quilometragem. Neles, o motorista paga de acordo com a distância efetivamente percorrida, em vez de enfrentar somente uma tarifa fixa todos os anos.
A disputa agora está no Congresso. Enquanto os defensores da proposta afirmam que todos os veículos precisam contribuir para as estradas, grupos ligados à eletrificação argumentam que a combinação de taxas estaduais e federais pode cobrar dos elétricos valores superiores aos pagos por motoristas de carros a gasolina.
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Fonte
https://www.ncsl.org/tran
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

