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Casa holandesa de 1924 esconde paredes que deslizam e giram, transforma um andar inteiro em quartos, foi restaurada para voltar aos anos 1920 e hoje recebe apenas 12 pessoas por vez
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 31/07/2026 às 20:28
Atualizado em 31/07/2026 às 20:29
Construção, Indústria
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A Casa Rietveld Schröder, em Utrecht, preserva paredes móveis que mudam a planta do andar superior, móveis refeitos a partir de registros históricos e pinturas vulneráveis, enquanto o limite de 12 pessoas reduz o desgaste causado pela visitação e mantém viva uma experiência criada em 1924.
A casa holandesa de 1924 com paredes móveis consegue transformar um andar aberto em vários quartos com poucos movimentos. Painéis deslizam e giram para criar áreas separadas, mas também podem ser recolhidos para devolver ao espaço sua forma ampla e integrada.
Localizada em Utrecht, nos Países Baixos, a Casa Rietveld Schröder foi criada pelo arquiteto Gerrit Rietveld para Truus Schröder. UNESCO World Heritage Centre, centro da UNESCO dedicado ao patrimônio mundial, registra que a residência foi usada como casa por 60 anos antes de passar por uma cuidadosa recuperação.
A restauração colocou os responsáveis diante de uma escolha difícil. Seria possível manter a casa como estava no fim da vida de sua moradora ou seria necessário recuperar o manifesto arquitetônico concebido em 1924, com seus espaços flexíveis, suas cores e seus móveis?
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A casa que muda de planta quando as paredes começam a se mover
O andar superior foi planejado para não ficar preso a uma única divisão. As paredes móveis permitem abrir toda a área durante o dia e criar quartos separados quando os moradores precisam de privacidade.
Os painéis não funcionam apenas como portas comuns. Eles deslizam e giram, mudando a posição dos limites internos e mostrando que uma casa pode acompanhar diferentes momentos da rotina sem precisar de reformas constantes.
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Essa flexibilidade transformou a moradia em uma experiência de arquitetura moderna. A planta, os móveis e as cores foram pensados como partes do mesmo conjunto, no qual cada mudança altera a maneira de circular, descansar e conviver.
Sessenta anos de alterações domésticas mudaram o projeto original
A casa permaneceu ocupada durante 60 anos. Nesse período, as necessidades dos moradores mudaram, alguns ambientes receberam adaptações e diferentes elementos internos passaram pelo desgaste normal de uma residência usada todos os dias.
Esse histórico tornou a restauração mais complexa. Não bastava trocar uma peça danificada ou renovar uma parede. Era preciso identificar o que pertencia ao projeto dos anos 1920 e o que havia sido acrescentado durante décadas de vida doméstica.
As intervenções realizadas nas décadas de 1970 e 1980 buscaram recuperar a configuração inicial. O trabalho preservou tudo o que ainda tinha condições de permanecer e substituiu apenas os materiais que já estavam deteriorados demais.
Voltar aos anos 1920 sem apagar a história vivida na casa
A decisão de recuperar o aspecto dos anos 1920 criou uma discussão que acompanha muitas restaurações. Uma casa pode continuar original quando parte de seus materiais foi trocada e alguns objetos foram refeitos?
UNESCO World Heritage Centre, centro da UNESCO dedicado ao patrimônio mundial, considera justificada a recuperação dos interiores porque o valor central do imóvel está em seu conceito, em sua estrutura e na forma como materializa as ideias do movimento artístico De Stijl.
Nesse caso, autenticidade não significa manter cada camada de tinta ou cada peça envelhecida. Significa proteger a ideia que organizou a construção, incluindo as paredes móveis, a relação entre os espaços, o mobiliário e o esquema histórico de cores.
Materiais degradados e objetos desaparecidos exigiram reconstrução
Nem tudo pôde ser mantido. Algumas argamassas, usadas para revestir e proteger as paredes, estavam danificadas demais. Certas peças e acabamentos também precisaram ser substituídos para que o imóvel continuasse preservado.
Os móveis originais foram restaurados e voltaram às posições associadas aos anos 1920. Objetos que haviam desaparecido foram refeitos a partir de desenhos, fotografias, cartas e outros documentos guardados pelo arquivo da família.
Esse conjunto reúne milhares de registros e ajudou a recuperar formas, medidas e detalhes sem depender apenas da memória. Ainda assim, cada reprodução mostra que restaurar não é voltar no tempo, mas reconstruir uma fase histórica com base nas provas que sobreviveram.
Por que apenas 12 pessoas podem entrar ao mesmo tempo
A casa funciona como museu, mas sua construção e seus acabamentos continuam vulneráveis. O limite de 12 visitantes por vez reduz a pressão sobre pisos, pinturas, móveis e divisórias que precisam continuar funcionando sem perder suas características.
O problema não está apenas no número de passos. A luz, a proximidade do público, a movimentação dos painéis e o contato frequente com o ambiente aceleram o desgaste de materiais antigos e delicados.
A pintura precisa ser renovada periodicamente com o esquema histórico de cores. O estado da casa também exige acompanhamento constante, pois o próprio funcionamento das paredes móveis faz parte da visita e não pode ser separado da preservação.
Visitação controlada protege a experiência criada em 1924
Limitar a entrada não serve apenas para evitar lotação. Grupos pequenos conseguem observar melhor como o andar muda de forma, enquanto os responsáveis pelo museu mantêm maior controle sobre a circulação dentro dos ambientes.
A medida também protege a qualidade da visita. Em uma residência compacta, muitas pessoas reunidas ao mesmo tempo poderiam esconder detalhes, dificultar a movimentação e aumentar o risco de danos aos revestimentos e ao mobiliário.
A visitação controlada mostra que abrir um patrimônio ao público não significa permitir acesso sem limites. Preservar também exige escolhas sobre quantas pessoas podem entrar e como cada espaço deve ser usado.
Casas museu brasileiras enfrentam um equilíbrio parecido
Casas museu brasileiras também precisam conciliar visitação, mobiliário histórico e conservação. Esses imóveis nasceram para a vida doméstica, não para receber um fluxo contínuo de pessoas ao longo de muitos anos.
Pisos, paredes, janelas, pinturas e objetos sofrem com luz, poeira, umidade e movimentação. Por isso, controlar o percurso do público e acompanhar o estado dos materiais ajuda a manter os ambientes disponíveis para as próximas gerações.
A experiência da Casa Rietveld Schröder mostra que a preservação pode exigir limites claros. O visitante continua tendo acesso ao espaço, mas entra em condições que respeitam a fragilidade da construção e de tudo o que existe dentro dela.
Uma casa preservada continua mudando diante dos visitantes
A restauração devolveu à casa o aspecto dos anos 1920 sem esconder que ela passou por 60 anos de uso residencial. Partes originais foram mantidas, materiais degradados foram substituídos e objetos desaparecidos ganharam novas versões baseadas em registros históricos.
Voltar a 1924 preserva a essência da casa ou cria uma reconstrução do passado? Comente e compartilhe.
Fonte
UNESCO
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

