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Casa romana soterrada por palácio imperial reaparece com afrescos e mosaicos preservados, mostrando como uma residência republicana ficou escondida por quase dois mil anos sob uma das colinas mais importantes de Roma
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 23/07/2026 às 15:09
Curiosidades
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Casa dos Grifos, no Palatino, em Roma, reabre ao público com afrescos, mosaicos e tecnologia de visita ao vivo após restauração.
A Casa dos Grifos, localizada no monte Palatino, em Roma, voltou ao centro das atenções em 2026 após a abertura ao público por meio de visitas guiadas em tempo real. O local é uma das casas romanas republicanas mais antigas do Palatino e ficou preservado em uma área subterrânea, abaixo das estruturas imperiais que dominaram a colina nos séculos seguintes.
A residência foi descoberta no início do século XX durante escavações conduzidas por Giacomo Boni, arqueólogo responsável por importantes investigações no Fórum Romano e no Palatino. Segundo o Parque Arqueológico do Coliseu, a Casa dos Grifos é conhecida pelo ciclo de pinturas murais e mosaicos que ainda se conserva de forma excepcional.
A reabertura não representa uma descoberta recente da casa, mas sim a volta de um espaço raro ao circuito cultural após restauração, consolidação estrutural e implantação de tecnologia para visita remota.
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Casa romana ficou escondida sob palácio construído pelo imperador Domiciano
A Casa dos Grifos pertence ao período republicano de Roma, anterior à fase em que o Palatino se transformou no grande endereço do poder imperial. A Associated Press descreve o local como uma das casas romanas antigas mais bem preservadas do Palatino, datada entre os séculos II e I a.C.
O espaço ficou escondido no subsolo depois que o imperador Domiciano construiu seu palácio sobre estruturas mais antigas no século I d.C. Esse detalhe torna a casa ainda mais importante, porque mostra como camadas sucessivas de poder, arquitetura e urbanismo foram literalmente empilhadas umas sobre as outras no coração de Roma.
O Palatino já abrigava templos e casas de cidadãos influentes durante a República Romana, período tradicionalmente situado entre 509 a.C. e 27 a.C. Depois, tornou-se o bairro aristocrático e imperial por excelência, com palácios erguidos sobre residências mais antigas.
Afrescos, mosaicos e grifos preservados explicam o nome da casa
O nome Casa dos Grifos vem da decoração com grifos, criaturas mitológicas com características de águia e leão. A Associated Press registrou que a decoração que dá nome ao local aparece em uma luneta arqueada com dois grifos, preservada no interior da residência subterrânea.
Além dos grifos, o conjunto inclui afrescos com desenhos que imitam mármore colorido e pavimentos em mosaico com padrões de cubos em perspectiva tridimensional. Esse tipo de decoração aproxima a casa de residências aristocráticas de alto padrão conhecidas em outros sítios antigos, como Pompeia.
O Parque Arqueológico do Coliseu também destaca detalhes da decoração em afresco, do pavimento em mosaico e do emblema central com cubos perspectivos. As imagens oficiais do projeto mostram ambientes com pintura mural, mosaicos geométricos e fundações do palácio imperial sobrepostas à casa.
Residência subterrânea mostra o luxo de uma elite romana antes dos imperadores
A preservação da Casa dos Grifos ajuda a reconstruir o padrão de vida de uma elite romana anterior ao domínio absoluto dos imperadores. A casa ficava no ponto mais alto do Palatino e se distribuía em diferentes níveis, aproveitando a inclinação natural da colina.
A riqueza decorativa indica que seus antigos moradores pertenciam a um grupo de alto poder econômico e social. A decoração com afrescos, estuques, mosaicos e soluções arquitetônicas sofisticadas revela uma residência planejada para demonstrar status, gosto artístico e domínio do espaço urbano.
A casa não é apenas um cômodo antigo preservado. Ela funciona como uma cápsula de tempo da aristocracia republicana, soterrada depois pela construção do poder imperial no mesmo lugar onde Roma ergueu alguns de seus símbolos mais monumentais.
Restauração envolveu levantamentos 3D, recuperação das superfícies e consolidação estrutural
O projeto de restauração da Casa dos Grifos foi concluído em dezembro de 2024, dentro dos prazos previstos pelo PNRR, o Plano Nacional de Recuperação e Resiliência da Itália. O Parque Arqueológico do Coliseu informa que a intervenção integrou levantamentos fotogramétricos 3D e restauração das superfícies pictóricas.
O trabalho também envolveu recuperação conservativa do monumento do ponto de vista estrutural. A equipe precisou lidar com sinais antigos de movimentação das paredes, lacunas nos rebocos e desníveis no pavimento em mosaico, problemas que exigiam estabilização antes da valorização pública do espaço.
Esse tipo de restauração é delicado porque não busca “refazer” a casa como nova, mas preservar o que sobreviveu. Em sítios arqueológicos subterrâneos, umidade, circulação restrita, instabilidade de paredes e sensibilidade das pinturas tornam qualquer abertura ao público um desafio técnico.
Visita em tempo real evita excesso de umidade e protege pinturas frágeis
A Casa dos Grifos não foi aberta para circulação comum de grandes grupos. A Associated Press informou que os visitantes acompanham a visita acima do solo, enquanto uma guia desce até a domus com um dispositivo de transmissão acoplado à cabeça, mostrando os ambientes em tempo real.
A solução tem motivo de conservação. Os ambientes subterrâneos são acessados por uma escada muito íngreme e não permitem fruição segura ou acessível para todos. Além disso, limitar a presença física dentro dos cômodos ajuda a proteger os afrescos contra excesso de umidade e dióxido de carbono gerados pela respiração dos visitantes.
O Parque Arqueológico do Coliseu informou que, após a restauração, foram concluídas a valorização luminotécnica e a instalação de sistema audiovisual para visita em tempo real. Essa combinação permite transformar uma área frágil e de difícil acesso em experiência cultural sem expor o patrimônio ao desgaste de fluxo intenso.
Reabertura faz parte de dez projetos financiados pela União Europeia no parque arqueológico
A restauração da Casa dos Grifos integra um conjunto de 10 projetos previstos no programa Caput Mundi, dentro da missão voltada a digitalização, inovação, competitividade, cultura e turismo. O Parque Arqueológico do Coliseu trata a casa como o segundo desses projetos a ser aberto ao público.
A Associated Press também informou que a restauração é uma das iniciativas financiadas pela União Europeia no parque arqueológico. A abertura ajuda a distribuir melhor o interesse dos visitantes para além dos pontos mais lotados, como o Coliseu e o Fórum Romano.
A Casa dos Grifos não volta apenas como curiosidade arqueológica, mas como parte de uma estratégia maior de conservação, tecnologia, turismo cultural e valorização de áreas menos acessadas do Palatino.
Visitas começaram em março de 2026 com grupos reduzidos e transmissão ao vivo
As visitas em tempo real foram previstas para começar em 3 de março de 2026, com sessões semanais às terças-feiras, em italiano e inglês. Segundo a Associated Press, os grupos são limitados a cerca de uma dúzia de pessoas e exigem reserva, além de ingresso adicional em relação ao acesso comum ao Coliseu e ao Palatino.
O formato é incomum porque mistura arqueologia, conservação e tecnologia de mediação cultural. Em vez de transformar o visitante em agente de desgaste físico do sítio, a visita usa transmissão ao vivo para preservar o ambiente e, ao mesmo tempo, permitir acompanhamento detalhado.
A solução também cria um precedente para outros espaços arqueológicos delicados. Locais subterrâneos, estreitos, frágeis ou perigosos podem ganhar acesso público controlado sem abrir mão da preservação das superfícies antigas.
Casa dos Grifos ajuda a entender como Roma apagou e preservou o próprio passado
A história da Casa dos Grifos mostra como Roma foi construída por sobreposições. Uma residência aristocrática republicana acabou coberta por estruturas imperiais, escondida no subsolo e preservada justamente porque ficou fora do uso cotidiano por séculos.
O mesmo palácio que enterrou a casa também ajudou a protegê-la do tempo, das reformas sucessivas e da destruição completa. O resultado é um conjunto raro de afrescos, mosaicos e arquitetura doméstica preservado sob a monumentalidade imperial.
A Casa dos Grifos revela, portanto, uma Roma anterior aos grandes palácios imperiais. Ela mostra a vida privada de uma elite que ocupava o Palatino antes de a colina se tornar sinônimo do poder dos imperadores.
Reabertura transforma casa soterrada em vitrine de restauração, tecnologia e turismo cultural
A volta da Casa dos Grifos ao público combina três elementos fortes: um achado arqueológico preservado, uma restauração complexa e uma forma moderna de visitação. O resultado é uma experiência que mostra o patrimônio antigo sem tratá-lo como cenário comum para circulação em massa.
Com afrescos, mosaicos em perspectiva, grifos mitológicos, salas subterrâneas e vestígios de uma casa republicana soterrada por estruturas imperiais, o local se transforma em uma vitrine de conservação arqueológica no Palatino.
No fim, a Casa dos Grifos prova que ainda há histórias escondidas sob os grandes monumentos de Roma. Algumas não surgem como novas descobertas espetaculares, mas como espaços antigos que finalmente ganham restauração, tecnologia e condições para voltar a ser vistos sem deixar de ser protegidos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

