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Casal cortou o teto de um ônibus escolar de 2001, ergueu a estrutura em 51 centímetros e gastou 26 mil dólares para viver dentro de cerca de 20 metros quadrados sobre rodas
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/07/2026 às 18:45
Atualizado em 28/07/2026 às 18:53
Curiosidades
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O teto desabou durante a obra e precisou ser reerguido com a ajuda de um amigo e de um Jeep. Boa parte do que eles sabiam veio de vídeos no YouTube, e a conversão inteira foi feita no quintal dos pais dela, em oito meses de noites e fins de semana.
Kelsey Cuddy e Jaimie Percival, conhecidos nas redes como Kels e Jay, compraram em 2019 um ônibus escolar aposentado, um Freightliner Thomas Built ano 2001 com motor Cummins de 5,9 litros, e passaram oito meses transformando o veículo em moradia. O custo total ficou em torno de 26 mil dólares, somando a compra do ônibus, freios e pneus novos, além de materiais, eletrodomésticos e sistemas instalados.
A etapa mais arriscada foi cortar a carroceria para elevar o teto em 20 polegadas, aproximadamente 51 centímetros. A operação deu errado no meio do caminho e o teto chegou a desabar, precisando ser reposicionado com a ajuda de um amigo e de um Jeep. O casal se mudou para o veículo em janeiro de 2020 e batizou a casa de Bessy.
Quem são eles e de onde veio a ideia
A história começa fora dos Estados Unidos. Kelsey se mudou para a Inglaterra em 2016 para jogar basquete e cursar mestrado, e Jaimie morava na casa ao lado, também ligada ao basquete. Eles se conheceram na cozinha de uma dessas casas.
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Depois de um ano viajando pelo mundo juntos, o casal se estabeleceu nos Estados Unidos, se casou e caiu em uma rotina que ambos descrevem como entorpecente. Foi Jaimie quem sugeriu comprar um ônibus e voltar a viajar.
A escolha do veículo teve critério prático. Eles avaliaram vans e motorhomes, mas queriam espaço para cozinha completa, banheiro com chuveiro e área onde os dois pudessem trabalhar lado a lado, já que ambos atuam como videomakers comerciais e criadores de conteúdo.
Havia um fator físico decisivo também. Os dois são altos e não queriam passar anos andando curvados dentro da própria casa, o que explica por que o teto virou prioridade no projeto.
Comprado no eBay, batizado com nome de galinha
O ônibus foi encontrado à venda no eBay, por preço baixo, e a compra aconteceu em 2019. O modelo é um Freightliner Thomas Built de 2001, veículo escolar aposentado do serviço.
O nome tem uma origem improvável e bastante específica. A mulher que vendeu o ônibus contou ao casal que tinha uma galinha chamada Bessy, e que o animal havia acabado de morrer. Kelsey achou triste e decidiu que o nome continuaria vivo no veículo.
A obra inteira aconteceu no quintal da casa dos pais dela, que cederam o espaço durante todos os oito meses de conversão. Não houve galpão alugado nem estrutura profissional envolvida.
Arrancar tudo até sobrar o esqueleto
A primeira fase foi de demolição pura, e o casal descreve como o momento de sujar as mãos de verdade.
Saíram os bancos, o revestimento do teto, as chapas metálicas internas e o piso antigo. O objetivo era chegar ao osso, deixando apenas a estrutura básica do ônibus escolar para começar do zero.
Só depois disso a reconstrução começou, seguindo uma planta pensada para duas pessoas e uma gata chamada Pippa, que o casal costuma chamar de filha.
Praticamente todo o trabalho foi feito por eles. Segundo relato do próprio casal, eles executaram desde os armários sob medida até os painéis solares e a instalação elétrica, aprendendo pelo YouTube. A única vez em que precisaram de ajuda externa foi justamente no dia em que o teto caiu.
O dia em que o teto desabou
Este é o episódio que a maioria das versões dessa história suaviza, e ele merece ser contado como aconteceu.
Para ganhar altura interna, o casal cortou a estrutura lateral do veículo e ergueu todo o teto. Durante o processo, a peça perdeu sustentação e desabou.
A solução foi improvisada e envolveu tração. Um amigo apareceu com um Jeep e ajudou a levantar o teto de volta para cima do ônibus escolar. O casal registrou o episódio em vídeo e costuma tratá lo com humor, mas reconhece o tamanho do risco.
A lição que eles próprios tiram disso é direta. Elevação de teto exige planejamento estrutural, reforços adequados e, para quem não domina soldagem e cálculo de estrutura, apoio profissional. É a etapa em que mais gente se machuca e mais projeto trava dentro da comunidade que converte ônibus em moradia.
Os 51 centímetros que viraram menos
Existe um detalhe técnico que praticamente nenhuma reportagem sobre o assunto menciona e que muda a conta final da altura.
A elevação foi de 20 polegadas, cerca de 51 centímetros, medidos na estrutura. Só que depois vieram isolamento térmico, painéis de parede e forro, e cada uma dessas camadas rouba altura útil.
Segundo o relato do casal, o veículo perdeu aproximadamente cinco polegadas de altura interna quando os revestimentos ficaram prontos, algo em torno de 13 centímetros. O ganho líquido, portanto, foi menor que o número anunciado.
Ainda assim, a diferença foi decisiva. Sem a elevação, o ambiente seria desconfortável para duas pessoas altas, e não haveria espaço para armários superiores nem para as claraboias sem apertar o corredor.
Como ficou a planta
A organização interna seguiu um princípio simples: manter o corredor central livre, sem paredes cortando o comprimento do veículo.
A parte dianteira concentra a área social e de trabalho, com sofá e uma mesa dobrável que funciona como escritório e some quando não está em uso. A faixa central abriga a cozinha, com fogão, forno, pia grande, bancada e armazenamento de alimentos.
A traseira recebeu o banheiro, com chuveiro revestido e vaso sanitário, e a cama elevada, que criou compartimentos de armazenamento embaixo. Um dos elementos favoritos do casal é poder enxergar praticamente a casa inteira deitado na cama.
No teto há painéis solares e um pequeno terraço, acessado por uma escada de corda pendurada no centro do veículo. É espaço externo em cima de uma casa que não tem quintal, usado quando o ônibus está estacionado.
O acabamento seguiu a mesma lógica descontraída da fachada. Madeira, paredes claras, detalhes coloridos e uma cabeceira geométrica que aparece assim que se entra. Do lado de fora, o veículo foi pintado de branco com formas geométricas em rosa, azul, preto, cinza e amarelo, combinação que teria nascido de um par de tênis usado como referência.
A conta dos 26 mil dólares
Os números divulgados ajudam a dimensionar o que custa um projeto desses, e eles são mais completos do que parecem à primeira vista.
Foram cerca de 8 mil dólares no ônibus e nos freios, mais aproximadamente 18 mil na conversão. Relatos posteriores esclarecem que o valor total, de quase 26 mil dólares, inclui também pneus novos, além de todos os materiais e eletrodomésticos instalados.
Vale registrar um ponto que a divulgação costuma omitir. A mão de obra saiu de graça porque foi feita pelo próprio casal, e Jaimie trabalhava com construção civil quando compraram o veículo. Kelsey afirma não ter experiência anterior na área, mas ele tinha.
Isso muda bastante a leitura do orçamento. Quem for tentar algo parecido sem essa habilidade em casa precisa incluir mão de obra na conta, e ela costuma pesar mais que o material em obras de estrutura e solda.
A reforma que veio onze meses depois
Aqui está o detalhe mais honesto da história e o que menos aparece nos vídeos de tour: a primeira versão não deu certo em tudo.
O casal começou a viver no veículo em janeiro de 2020. Em novembro do mesmo ano, com menos de um ano de estrada, decidiu refazer boa parte do interior em uma força-tarefa de cinco dias.
Os motivos foram práticos e acumulados. Faltava armazenamento, o sofá era desconfortável e a pintura interna precisava mudar. Segundo eles, em uma casa tão pequena, problemas mínimos viram incômodos grandes rapidamente.
Uma das soluções adotadas na reforma virou referência entre quem vive em espaço reduzido: a geladeira passou a funcionar também como assento na área social. Móvel que cumpre uma função só é luxo que quase ninguém tem em 20 metros quadrados.
O que aconteceu com Bessy
Este é o desfecho que a maioria das republicações da história não conta, e ele é essencial para quem for ler hoje.
O casal viveu no ônibus escolar por cerca de dois anos, viajando pela América do Norte em tempo integral a partir de junho de 2020. Nesse período, produziram conteúdo e chegaram a gravar tours de casas pequenas para outros canais.
O veredito veio da estrada. Eles concluíram que o veículo era grande demais para o tipo de viagem que queriam fazer, com acesso difícil a muitos lugares.
Em 2021, venderam Bessy. Passaram um período em apartamento e depois converteram uma van Ford, seguindo na vida nômade em formato menor. O ônibus colorido que virou símbolo do movimento skoolie não é mais a casa deles há cerca de cinco anos.
O que essa história ensina
Um ônibus escolar comprado no eBay, oito meses de noites e fins de semana no quintal dos sogros, um teto que desabou e foi reerguido com um Jeep, 26 mil dólares, uma gata chamada Pippa e uma reforma completa antes de completar um ano de uso. A conversão de Kels e Jay é ao mesmo tempo inspiração e manual do que dá errado.
E você, encararia? Trocar apartamento por 20 metros quadrados sobre rodas parece liberdade ou parece problema esperando para acontecer? Você acha que esse tipo de vida funciona no Brasil, com nossas estradas e nossa segurança, ou é coisa que só faz sentido nos Estados Unidos? E mais: sabendo que eles venderam o ônibus depois de dois anos e migraram para uma van, isso desmonta o sonho ou só mostra que projeto de casa se ajusta com o uso? Comente sua opinião, principalmente se você já morou em espaço pequeno ou trabalha com marcenaria, solda ou reforma e sabe o tamanho do trabalho que isso dá.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

