6 min de leitura
Casal investe US$ 1,5 milhão para reformar uma casa de 285 anos, escava à mão o porão de terra e encontra o poço original de tijolos escondido sob o piso, que preserva sob vidro temperado ao transformar o subsolo úmido em área habitável
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 31/07/2026 às 15:24
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Reforma milionária em uma residência histórica de Nantucket revelou, sob décadas de intervenções e um porão de terra, um elemento inesperado que mudou o projeto e passou a integrar a casa por meio de uma solução moderna, preservando vestígios originais sem apagar o caráter arquitetônico do imóvel.
Uma reforma de US$ 1,5 milhão em uma casa histórica de Nantucket, nos Estados Unidos, revelou sob o piso de terra do porão um poço antigo com cerca de 9 metros de profundidade e água limpa, preservado como parte central do novo ambiente.
Em vez de preencher a abertura e eliminar o vestígio, Whitney Lucks e Karl Schneider optaram por incorporá-lo ao projeto, cobrindo a estrutura com vidro temperado enquanto transformavam o subsolo úmido, antes pouco funcional, em uma área de convivência integrada à residência.
Segundo o Wall Street Journal, o imóvel tem aproximadamente 285 anos, cerca de 279 metros quadrados e origem na década de 1740, quando foi erguido em uma área que hoje integra o centro histórico da ilha norte-americana de Nantucket.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Localizada na Main Street, a residência está inserida em uma região onde regras de preservação controlam alterações externas e ajudam a manter a paisagem arquitetônica formada por casas de madeira, ruas de pedra e construções associadas ao período colonial dos Estados Unidos.
Reforma de US$ 1,5 milhão preservou a casa histórica
Ao comprar a propriedade dos pais de Whitney por US$ 2 milhões, o casal iniciou uma restauração que durou dois anos e meio e exigiu muito mais do que a simples troca de acabamentos ou a modernização das instalações internas.
Especialistas em conservação, carpintaria e interiores participaram do trabalho, que buscou adaptar a construção ao uso familiar sem apagar elementos acumulados ao longo de quase três séculos nem transformar o imóvel histórico em uma casa completamente nova por dentro.
Entre os pontos mais complexos da obra estava o porão, um espaço com piso de terra, umidade e altura reduzida, condições que dificultavam o uso cotidiano e exigiam uma intervenção cuidadosa para evitar danos à estrutura apoiada acima.
Para ampliar a altura interna, a equipe escavou manualmente o solo e reforçou a fundação existente com novas pedras, rebaixando o piso de forma gradual sem remover os elementos históricos que sustentavam a residência e permaneciam incorporados à construção original.
Poço de 9 metros apareceu durante a escavação
Foi durante essa escavação, planejada para abrir espaço à nova lavanderia, que os trabalhadores encontraram o poço escondido sob o terreno, revelando uma estrutura revestida por tijolos e ligada ao antigo sistema de abastecimento da casa.
A abertura alcançava aproximadamente 30 pés, medida equivalente a pouco mais de 9 metros, ainda continha água fresca e guardava restos de uma bomba antiga, indícios materiais de que o poço havia sido usado antes de desaparecer sob adaptações posteriores.
Diante da descoberta, o projeto do subsolo precisou ser revisto, porque cobrir o poço com terra resolveria o obstáculo físico, mas também apagaria um elemento diretamente associado ao funcionamento original da residência e à história do imóvel.
Por essa razão, os proprietários decidiram preservar a abertura exatamente onde ela surgiu e instalar uma placa de vidro temperado, solução resistente que permite observar a profundidade do poço sem deixar o espaço exposto ou comprometer a circulação.
Integrada ao piso de tijolos e às paredes revestidas com argamassa de cal, a cobertura transparente transformou o poço em um elemento visível do interior, criando contraste entre a antiga estrutura de captação de água e a superfície moderna usada para protegê-la.
Porão úmido virou uma área de convivência
Além do poço, a reforma recuperou uma grande lareira existente no porão e um forno antigo que voltou a funcionar, preservando referências do período em que aquele espaço abrigava a cozinha principal e concentrava atividades essenciais da casa.
Para manter o caráter utilitário do ambiente, os responsáveis evitaram acabamentos excessivamente sofisticados e escolheram uma pia de pedra-sabão, tubulações de cobre aparentes e materiais compatíveis com a função histórica que o subsolo exerceu ao longo do tempo.
Já o controle da umidade exigiu a instalação de uma membrana de proteção ao redor da construção, enquanto a fundação de pedras foi reforçada por etapas e postes de sustentação foram retirados para liberar a área interna.
Essas mudanças permitiram que o antigo porão escuro, baixo e com chão de terra recebesse iluminação, piso regular e condições adequadas de uso, tornando-se um ambiente funcional sem perder os sinais visíveis de sua origem histórica.
Elementos originais foram mantidos nos outros pavimentos
Nos outros pavimentos, a obra seguiu o mesmo princípio de preservação, mantendo pisos de pinho, paredes de argamassa de cal, prateleiras trabalhadas à mão e partes da estrutura de madeira sempre que esses componentes ainda podiam ser recuperados.
Assista o vídeo
Uma escada que havia sido fechada dentro de um armário voltou a ligar os andares, ao passo que vigas antigas reapareceram depois da retirada de intervenções mais recentes, devolvendo ao interior elementos que haviam permanecido escondidos por décadas.
Na cozinha, a reorganização buscou ampliar a entrada de luz natural por meio de uma parede de janelas, combinada a vidros com pequenas imperfeições semelhantes às encontradas em peças antigas usadas em construções históricas da região.
No sótão, por sua vez, a equipe expôs vigas originais, instalou uma claraboia e aproveitou janelas internas superiores para distribuir iluminação entre os quartos, preservando a privacidade e evitando alterações incompatíveis com a estrutura existente.
Materiais antigos ganharam novas funções
Materiais retirados durante a obra também ganharam novas funções em diferentes áreas da casa, prática associada à tradição local de reutilização e reforçada pelo custo de transportar madeira, pedra, tijolos e outros insumos até a ilha.
Até a madeira empregada em uma varanda veio de outra residência reformada e precisou ser selecionada peça por peça, escolha que reduziu a introdução de materiais destoantes e manteve a coerência visual entre as partes antigas e restauradas.
Embora o investimento tenha sido elevado, os proprietários evitaram modernizações que exigiriam intervenções agressivas, como a instalação de ar-condicionado central, cujos dutos poderiam alterar paredes estreitas, eliminar nichos preservados e comprometer detalhes originais do imóvel.
Assim, a atualização ficou concentrada em infraestrutura, segurança, circulação e aproveitamento dos ambientes, enquanto soluções incompatíveis com a arquitetura existente foram descartadas para manter a leitura histórica dos espaços e reduzir alterações permanentes na construção.
Escavação ampliou a área sem alterar a fachada
A casa já havia passado por outras reformas, inclusive durante a década de 1990, mas parte dessas intervenções envelheceu de maneira menos eficiente do que os componentes originais encontrados durante a retirada de pisos, revestimentos e estruturas acrescentadas posteriormente.
Ao desmontar essas camadas, a equipe identificou materiais de diferentes períodos e selecionou peças antigas compatíveis com o restante da residência, evitando que a restauração produzisse contrastes artificiais ou eliminasse marcas acumuladas ao longo da história da construção.
No fim da intervenção, a escavação do porão ampliou a área útil sem exigir uma grande construção externa, preservando a aparência do imóvel vista das ruas Main e Pine e mantendo o poço exatamente no ponto em que foi descoberto.
Agora protegido por vidro temperado e incorporado ao percurso interno da casa, o poço permanece visível sob os pés de quem atravessa o subsolo restaurado, reunindo em um mesmo ambiente infraestrutura contemporânea, memória arquitetônica e uma descoberta inesperada.
Você caminharia sobre uma placa de vidro para observar um poço de 9 metros escondido sob o piso de uma casa de quase três séculos, sabendo que aquela abertura fazia parte do abastecimento original da residência?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

