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Casal reforma uma pequena loja em Nazaré e encontra sob o piso passagens de 1,2 metro, colunas de tijolo sustentando mármore e a fornalha de um antigo banho público, passa anos escavando o subsolo e transforma o achado numa atração guiada enquanto mantém o comércio funcionando no andar de cima

Casal reforma uma pequena loja em Nazaré e encontra sob o piso passagens de 1,2 metro, colunas de tijolo sustentando mármore e a fornalha de um antigo banho público, passa anos escavando o subsolo e transforma o achado numa atração guiada enquanto mantém o comércio funcionando no andar de cima

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Casal reforma uma pequena loja em Nazaré e encontra sob o piso passagens de 1,2 metro, colunas de tijolo sustentando mármore e a fornalha de um antigo banho público, passa anos escavando o subsolo e transforma o achado numa atração guiada enquanto mantém o comércio funcionando no andar de cima

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 30/07/2026 às 17:27

Curiosidades

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Reforma de uma pequena loja em Nazaré abriu caminho para uma descoberta subterrânea capaz de mudar o destino do imóvel, onde estruturas antigas, corredores estreitos e vestígios de um sistema de aquecimento revelaram uma história preservada longe da vista de moradores e visitantes.

Uma pequena loja de lembranças próxima à Fonte de Maria, em Nazaré, escondia sob o piso um conjunto subterrâneo formado por passagens estreitas, colunas de tijolos, canais de aquecimento e uma antiga fornalha, encontrado por Elias Shama e sua mulher, Martina.

Ao investigar a parte inferior da propriedade, o casal encontrou corredores com cerca de quatro pés de altura, medida equivalente a aproximadamente 1,2 metro, separados por pequenas colunas de tijolos que sustentavam um piso de mármore branco associado a antigas casas de banho.

Passagens subterrâneas revelam uma antiga fornalha

Em um dos cantos do complexo, uma sala fechada preservava resíduos de cinzas de madeira, indício de que aquele compartimento havia funcionado como fornalha responsável por produzir o calor distribuído sob o piso e por outras áreas da instalação subterrânea.

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Segundo reportagem do The Guardian, Elias e Martina compraram a loja em 1993 e começaram a escavar os túneis encontrados sob o estabelecimento, enquanto o comércio Cactus continuava vendendo lembranças religiosas a peregrinos que visitavam Nazaré.

Perto da igreja da Fonte de Maria, ponto associado à tradição cristã da Anunciação, o imóvel recebia visitantes que circulavam pela região, embora a loja não tivesse, antes da descoberta, o mesmo destaque dos monumentos religiosos mais conhecidos da cidade.

Hipocausto distribuía calor sob o piso

À medida que a terra era retirada, surgiam elementos técnicos de uma casa de banhos, entre eles o hipocausto, sistema formado por espaços e canais sob o piso pelos quais circulava o ar aquecido produzido pela fornalha.

Sustentada por pequenas colunas de tijolos, a superfície elevada permitia que o calor se espalhasse pela construção, enquanto um frigidário, nome dado ao ambiente frio desses complexos, reforçava a identificação do sítio como uma antiga instalação de banho.

A combinação entre o sistema de aquecimento subterrâneo e a sala fria levou pesquisadores a examinar com maior atenção a origem do conjunto, além das diferentes fases de ocupação registradas na arquitetura preservada sob o imóvel.

Origem da casa de banhos mobiliza pesquisadores

Inicialmente, a autoridade israelense responsável pelas antiguidades classificou o local como uma casa de banhos otomana com cerca de 150 anos, mas depois reconheceu que o desenho da instalação apontava para uma origem mais antiga.

Pesquisadores norte-americanos que analisaram o conjunto defenderam que as partes expostas poderiam pertencer ao período romano, e o arqueólogo Richard Freund, da Universidade de Hartford, participou dos trabalhos dedicados a compreender a Nazaré antiga e suas estruturas subterrâneas.

Levantamentos com radar de penetração no solo acrescentaram outra dimensão à investigação, pois o equipamento indicou a existência do piso de uma segunda casa de banhos, mais antiga, abaixo da estrutura escavada por Shama naquele ponto.

Mais do que a aparência das paredes, a presença do hipocausto e do frigidário sustentava a leitura dos especialistas, enquanto as camadas inferiores mostravam que o espaço havia atravessado diferentes períodos de uso e transformação.

Loja continuou funcionando durante a escavação

Durante anos, Elias manteve a escavação e aplicou recursos próprios na retirada de terra e na preparação do ambiente para receber visitantes, sem interromper o funcionamento da loja instalada no pavimento superior e aberta ao público.

A partir dessa adaptação, o acesso aos corredores passou a integrar a experiência oferecida no endereço, permitindo que turistas descessem da área comercial e observassem as pilastras, o piso sustentado e o compartimento da antiga fornalha.

Cruzes de madeira de oliveira, imagens religiosas e outras lembranças continuaram expostas no comércio, mas a descoberta acrescentou ao estabelecimento um atrativo incomum para quem circulava pela área da Fonte de Maria em busca de referências históricas.

Sob a fachada discreta, visitantes encontravam uma construção sustentada por pequenas colunas, com trechos de mármore, salas conectadas e vestígios do sistema térmico, contraste que ampliava o caráter inesperado da experiência dentro daquele pequeno ponto comercial.

Estrutura preserva detalhes da engenharia antiga

Preservar o conjunto exigiu mais do que abrir uma passagem, porque a retirada do material acumulado precisava proteger pilares, canais e outros componentes capazes de explicar como o calor circulava sem ocupar diretamente os ambientes usados pelos frequentadores.

Essencial para esse funcionamento, a fornalha aquecia o ar que avançava pelos espaços existentes sob o piso elevado, enquanto as cinzas de madeira preservadas ligavam a arquitetura subterrânea à operação cotidiana do antigo banho e aos seus usuários.

No sistema conhecido como hipocausto, o piso não ficava apoiado diretamente sobre o solo, pois pequenas colunas criavam uma área vazia pela qual o ar quente circulava e distribuía a temperatura de maneira mais uniforme.

Além de revelar uma solução técnica sofisticada, a presença de mármore mostrava que o complexo não era formado apenas por corredores de serviço, já que o material integrava o acabamento sustentado pelas pilastras de tijolos.

O tamanho total do conjunto permanecia indefinido durante a investigação apresentada pelo jornal, porque partes do sistema continuavam sob áreas ainda não escavadas e o radar indicava que a construção ultrapassava as salas já abertas.

Construções modernas escondem camadas de Nazaré

Em uma cidade densamente construída, onde escavações extensas enfrentam obstáculos, a descoberta chamou atenção por mostrar como antigas estruturas podem permanecer preservadas sob imóveis particulares e abaixo do nível atual das ruas por longos períodos.

Inserida em uma região marcada por tradições religiosas, construções históricas e rotas de peregrinação, a loja ganhou uma nova camada de significado quando a intervenção no próprio imóvel revelou o complexo subterrâneo escondido sob o comércio.

Sem remover o achado para outro lugar, Elias e Martina mantiveram no mesmo endereço duas atividades separadas por séculos: o comércio de lembranças no pavimento superior e a visitação ao antigo sistema de aquecimento subterrâneo.

Economias do casal financiaram anos de trabalho

A decisão de continuar escavando exigiu investimento particular, pois o casal usou suas economias na abertura e na preparação do sítio, enquanto dependia do movimento da loja para sustentar a atividade comercial e receber visitantes.

Mesmo diante das dificuldades financeiras de um projeto arqueológico de grande porte, o proprietário continuou expondo áreas do complexo e recebendo pessoas interessadas em conhecer o que permanecia escondido sob o estabelecimento e sua área comercial.

Para o visitante, a experiência começava em um ambiente semelhante ao de outras lojas destinadas a turistas e seguia por corredores de apenas 1,2 metro de altura, próximos aos pilares, ao mármore e aos vestígios da fornalha.

Ao conservar a estrutura dentro do imóvel, o casal permitiu observar uma solução de engenharia baseada em circulação de ar, colunas de sustentação e separação entre o fogo e os ambientes frequentados pelos usuários do antigo complexo.

Entre corredores baixos, tijolos, mármore e uma fornalha marcada por cinzas, qual seria sua reação ao descobrir que o piso de uma pequena loja escondia uma antiga casa de banhos preservada sob o comércio em pleno centro de Nazaré?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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