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Casal remove reboco deteriorado durante reforma de antigo pavilhão de caça Tudor, em Cumbria, e revela novas partes de pinturas do século XVI escondidas nas paredes, com criaturas fantásticas, rostos grotescos, folhagens e animais que levaram o governo britânico a ampliar a proteção da propriedade rural

Casal remove reboco deteriorado durante reforma de antigo pavilhão de caça Tudor, em Cumbria, e revela novas partes de pinturas do século XVI escondidas nas paredes, com criaturas fantásticas, rostos grotescos, folhagens e animais que levaram o governo britânico a ampliar a proteção da propriedade rural

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Casal remove reboco deteriorado durante reforma de antigo pavilhão de caça Tudor, em Cumbria, e revela novas partes de pinturas do século XVI escondidas nas paredes, com criaturas fantásticas, rostos grotescos, folhagens e animais que levaram o governo britânico a ampliar a proteção da propriedade rural

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 28/07/2026 às 22:09

Curiosidades

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Reforma em antigo pavilhão Tudor de Cumbria revelou imagens ocultas durante séculos sob camadas de reboco, incluindo criaturas fantásticas, rostos grotescos e animais que mudaram a compreensão histórica do imóvel e motivaram o reforço da proteção concedida à propriedade rural inglesa.

Uma reforma realizada em The Ashes, antiga propriedade Tudor situada em Castle Sowerby, no condado de Cumbria, norte da Inglaterra, revelou novas partes de pinturas murais do século XVI que permaneciam ocultas sob camadas de reboco deteriorado no quarto principal da residência.

Enquanto trabalhavam no andar superior, os proprietários Jen e Richard Arkell retiraram partes do revestimento que haviam perdido aderência e perceberam que a pequena área pintada, conhecida havia décadas, fazia parte de uma composição muito mais extensa e complexa.

Distribuídas em painéis decorativos, as imagens apresentam criaturas fantásticas, perfis de rostos grotescos, folhagens ornamentais e diferentes animais, entre eles uma cabeça de cachorro, uma figura semelhante a raposa ou cão e outra que lembra lebre ou coelho.

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De acordo com a Historic England, órgão público responsável pela proteção do patrimônio histórico inglês, a combinação desses motivos é incomum até em escala nacional e acrescenta informações relevantes sobre a decoração interna adotada em residências rurais durante o período Tudor.

A importância do achado levou o governo britânico a reforçar a proteção de The Ashes e a reconhecer formalmente construções rurais ligadas à propriedade, ampliando o alcance da preservação para além das paredes onde as pinturas foram encontradas.

Pinturas escondidas surgiram durante a reforma

Antes da intervenção, o casal conhecia apenas um pequeno trecho decorado no primeiro andar, visível desde a compra da casa, realizada mais de duas décadas antes, mas insuficiente para revelar a verdadeira dimensão do conjunto escondido sob o acabamento.

Ao remover o reboco antigo do quarto principal, Jen e Richard Arkell expuseram novos rostos, animais e ornamentos, demonstrando que a decoração se estendia por áreas maiores da parede e havia sido parcialmente encoberta por reformas realizadas em diferentes épocas.

Embora a descoberta recente tenha ampliado significativamente o conjunto conhecido, os primeiros registros de pinturas na parte superior da casa remontam à década de 1970, e outras intervenções posteriores também revelaram trechos no primeiro andar e no salão térreo.

Vistos em conjunto, esses fragmentos indicam que as imagens integravam um projeto ornamental planejado, e não uma sequência de desenhos isolados, pois aparecem organizadas em painéis delimitados por faixas superiores e inferiores próximas à lareira e às paredes laterais.

Vestígios também avançam até a moldura de pedra de uma janela, enquanto outras áreas continuam cobertas pelo acabamento aplicado em reformas posteriores, circunstância que exige cautela para evitar danos ao material histórico durante futuras intervenções na residência.

Criaturas fantásticas e arte do período Tudor

Especialistas classificaram o conjunto como um exemplo do estilo grotesco, linguagem decorativa difundida na Europa a partir da redescoberta de ornamentos da Antiguidade, marcada pela combinação de figuras humanas, animais, plantas imaginárias e formas ornamentais.

Dentro de The Ashes, esse repertório aparece organizado para imitar o efeito visual de tecidos decorativos usados em interiores de maior prestígio, recurso que conferia sofisticação aos ambientes sem exigir a instalação permanente de tapeçarias em todas as paredes.

A execução ocorreu pela técnica conhecida como a secco, na qual os pigmentos são aplicados sobre o reboco já seco, diferentemente do afresco tradicional, que incorpora as cores enquanto a superfície permanece úmida e ainda recebe o acabamento artístico.

Predominantemente traçados em preto sobre fundo claro, os desenhos preservam contornos capazes de destacar rostos, folhagens e animais, além de facilitar a leitura dos painéis mesmo depois de séculos de alterações, desgaste e sucessivas camadas de revestimento.

O aparecimento das novas imagens também alterou a interpretação de um fragmento anteriormente associado a uma possível cena de caça, pois a comparação com outros trechos revelou um programa decorativo mais amplo, baseado na reprodução visual de revestimentos têxteis.

Pavilhão de caça preserva estrutura do século XVI

Localizada em uma área que integrou a antiga Floresta de Inglewood, The Ashes é descrita como um pavilhão de caça do período Tudor e conserva paredes espessas, dois pavimentos, sótão, lareira de pedra e vigas de carvalho.

Construída principalmente com arenito rosado da região, a estrutura recebeu detalhes em arenito vermelho, telhado coberto por ardósia dos lagos ingleses e janelas associadas à arquitetura vernacular de Cumbria, apesar das alterações acumuladas ao longo dos séculos.

Mesmo após mudanças na organização interna, diferentes fases da história do imóvel permaneceram visíveis, permitindo que especialistas relacionassem elementos arquitetônicos, materiais de construção e pinturas murais a momentos distintos de ocupação, adaptação e uso da propriedade.

Por meio da dendrocronologia, método que determina a idade da madeira pelos anéis de crescimento das árvores, pesquisadores estabeleceram uma referência precisa para a parte mais antiga do telhado e para o contexto construtivo do edifício.

O estudo citado pela Historic England concluiu que as madeiras mais antigas do telhado foram cortadas por volta do inverno de 1561 para 1562, período correspondente aos primeiros anos do reinado de Elizabeth I na Inglaterra.

Somadas às características artísticas dos desenhos, essas informações situam as pinturas na segunda metade do século XVI, quando famílias com recursos utilizavam tecidos, revestimentos e pinturas ornamentais para demonstrar prestígio social dentro dos espaços privados de suas residências.

Inventário histórico revela patrimônio da propriedade

Um inventário elaborado em 1592 registra William Simpson, administrador do domínio de Castle Sowerby, em The Ashes e relaciona animais, cereais, camas, roupas de cama, móveis e outros bens domésticos mantidos dentro da residência rural.

Entre os objetos descritos estavam uma arca de Flandres e uma mesa que deveriam permanecer na propriedade, detalhes que apontam para uma casa ocupada por uma família com patrimônio significativo e ambientes preparados para funções domésticas e sociais.

Ao acrescentarem um registro visual a esse contexto documental, as pinturas mostram como os cômodos podiam ser apresentados a moradores e visitantes, complementando as informações escritas sobre os recursos, móveis e objetos existentes na propriedade no fim do século XVI.

A imitação de tecidos nas paredes criava um efeito ornamental elaborado e permitia transformar visualmente os ambientes sem depender de tapeçarias permanentes, solução decorativa compatível com o interesse por superfícies ricamente trabalhadas durante o período Tudor.

Descoberta ampliou a proteção do patrimônio inglês

Antes da ampliação do reconhecimento, The Ashes já possuía proteção de Grau II*, categoria destinada a edifícios de importância histórica ou arquitetônica excepcional no sistema britânico, em razão de sua estrutura, antiguidade e elementos preservados.

Depois da avaliação das pinturas e das construções ao redor, o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte estendeu a proteção patrimonial a edifícios agrícolas adjacentes, muros de delimitação e um pátio pavimentado associado ao desenvolvimento da propriedade.

Entre os elementos reconhecidos está um conjunto de construções em formato de L, feito com arenito rosado, que inclui um celeiro onde foi reutilizada uma estrutura de telhado produzida com madeira datada do século XVI.

Ao alcançar também o entorno rural, a medida protege não somente as pinturas escondidas dentro da casa, mas a transformação gradual do antigo pavilhão Tudor em uma propriedade agrícola em funcionamento ao longo de sucessivas gerações.

Mudanças de uso, adaptações arquitetônicas e práticas agrícolas permaneceram registradas nas diferentes construções, permitindo acompanhar como o conjunto foi reorganizado ao longo do tempo sem perder completamente os vestígios de sua origem e de fases posteriores de ocupação.

Como parte das imagens ainda pode permanecer sob superfícies rebocadas, qualquer nova intervenção exige atenção à conservação do material já identificado, sobretudo porque a retirada realizada no quarto só ocorreu após o revestimento antigo apresentar deterioração e perda de aderência.

Nesse espaço aparentemente comum, a reforma revelou uma composição artística rara preservada atrás do reboco, ampliou a proteção patrimonial da propriedade e mostrou como alterações arquitetônicas posteriores podem ocultar elementos históricos por séculos dentro de edifícios ainda ocupados.

Quantas outras casas históricas podem conservar, sob revestimentos aplicados em reformas antigas, conjuntos inteiros de pinturas capazes de transformar o conhecimento sobre seus moradores, sua arquitetura e costumes decorativos ainda pouco compreendidos pelos especialistas?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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