9 min de leitura
Casal surpreende pedreiros ao redor do mundo ao transformar 80 mil garrafas plásticas cheias de areia em casa de 158 m², troca tijolos por resíduos descartados, constrói quatro quartos, cozinha, sala de jantar e dois banheiros
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 27/07/2026 às 12:43
Construção
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Casa em Bangladesh usou 80 mil garrafas plásticas cheias de areia para erguer paredes, reduzir custos e transformar resíduos em moradia.
Em uma vila remota do distrito de Lalmonirhat, em Bangladesh, o casal Rashedul Alam e Asma Khatun transformou milhares de garrafas plásticas descartadas em uma residência familiar. A casa foi construída com cerca de 80 mil garrafas plásticas cheias de areia, usadas como blocos nas paredes. O projeto chamou atenção porque substituiu parte da alvenaria convencional por embalagens reaproveitadas e mostrou uma forma prática de dar novo destino a resíduos que normalmente poderiam terminar em ruas, rios ou aterros.
Segundo o Prothom Alo, Rashedul e Asma estudaram Ciências Ambientais e ergueram a casa com o objetivo de criar uma residência ecológica para o filho do casal, que é pessoa com deficiência. A reportagem também informou que a construção tinha 1.700 pés quadrados, o equivalente a aproximadamente 158 m².
O projeto nasceu em Kaliganj, longe da capital
A construção foi feita em Kaliganj, no distrito de Lalmonirhat, no norte de Bangladesh. A vila fica longe de Dhaka, capital do país, e o projeto ganhou repercussão justamente por surgir fora dos grandes centros urbanos.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Em vez de nascer dentro de um laboratório, de uma universidade ou de uma construtora, a casa foi erguida a partir de uma iniciativa familiar.
O The Daily Star informou que Rashedul e Asma deixaram Dhaka com os dois filhos e foram para a área rural de Kaliganj para construir um habitat menos poluído.
A obra foi erguida em um terreno herdado por Rashedul, em uma região a cerca de 350 quilômetros da capital.
As 80 mil garrafas viraram blocos de construção
A técnica usada na casa segue uma lógica simples. As garrafas plásticas foram preenchidas com areia e depois posicionadas nas paredes como unidades de construção.
Quando vazias, as embalagens são leves e deformáveis. Quando cheias de areia, ganham peso, rigidez e massa suficiente para serem incorporadas à alvenaria.
O The Daily Star descreveu que as garrafas foram empacotadas com areia e colocadas no lugar com argamassa. As embalagens foram posicionadas de lado, uma sobre a outra, formando padrões coloridos no exterior da casa, enquanto as tampas apareciam no lado interno das paredes.
Essa técnica transforma o formato das garrafas em parte da estética da construção. A parede não apenas usa resíduos como matéria-prima, mas também deixa visível a origem do material.
Quatro quartos, cozinha, sala de jantar e dois banheiros
A casa não foi planejada como uma instalação decorativa ou uma pequena experiência de quintal. Segundo o Prothom Alo, o imóvel foi projetado com quatro quartos, cozinha, sala de jantar, dois banheiros e varanda.
O The Daily Star também informou que a residência térrea teria quatro quartos, sala de estar, cozinha, dois banheiros, corredor, varanda, 11 janelas e sete portas. A construção começou em 8 de fevereiro de 2017, segundo o Prothom Alo.
Quando a reportagem foi publicada, cerca de 80% da casa já estava concluída, e o casal estimava que a obra seria finalizada em aproximadamente mais um mês.
O The Daily Star informou que a construção havia começado dois meses e meio antes da publicação da reportagem e que aproximadamente 70% da obra já estava feita.
O custo das garrafas foi menor que o de materiais tradicionais
Um dos pontos centrais do projeto está no custo. Rashedul afirmou ao The Daily Star que as garrafas usadas na construção foram compradas de coletores de sucata por 60 mil takas. A obra também exigiu 150 sacos de cimento, com custo de 62 mil takas, além de seis caminhões de areia, com custo de 7 mil takas.
O casal estimava que a casa custaria cerca de 4 lakh takas no total. Segundo a reportagem, um engenheiro do Departamento de Obras Públicas avaliou que esse valor representava aproximadamente um quarto do custo de uma casa convencional feita com tijolos.
A economia aparece justamente no reaproveitamento das garrafas como parte das paredes. O material descartado substitui parte dos blocos tradicionais e reduz a dependência de tijolos comuns.
As garrafas foram compradas de coletores e vendedores locais
Reunir 80 mil garrafas não foi uma etapa simples. O Prothom Alo informou que Rashedul comprou as garrafas de autoridades da zona industrial BSCIC e de vendedores locais de garrafas.
O The Daily Star registrou que as embalagens usadas tinham volumes de 1 litro, meio litro e 250 mililitros, todas adquiridas de coletores de sucata.
A estrutura da parede combinou garrafas cheias de areia com argamassa. O Prothom Alo informou que as paredes de garrafas foram cimentadas com uma mistura de areia e cimento, enquanto a estrutura principal recebeu lascas de tijolo e barras de ferro.
A cobertura foi planejada com chapas de zinco onduladas, enquanto portas e janelas seriam feitas de aço e madeira.
Essa combinação mostra que a casa não foi feita apenas de plástico. As garrafas substituíram parte dos elementos de alvenaria, mas a construção também usou cimento, areia, ferro, madeira, aço e cobertura metálica.
O desenho da casa foi pensado por Asma Khatun
O projeto teve participação direta de Asma Khatun. Segundo o The Daily Star, Asma criou o desenho e o layout da casa depois de assistir na internet a um vídeo sobre uma construção semelhante feita com plástico no Japão. Ela também já praticava design de interiores como hobby.
Esse detalhe dá força à história porque mostra que a ideia não surgiu apenas como improviso de obra. Houve uma tentativa de planejar a casa como residência familiar, com distribuição interna, cômodos definidos e aparência visual própria.
Asma também aparece nas reportagens como responsável por defender o reaproveitamento das garrafas diante do problema ambiental causado pelo plástico.
Trabalhadores locais estranharam o método
Convencer trabalhadores a usar garrafas no lugar de blocos comuns foi uma barreira prática. Rashedul afirmou ao Prothom Alo que foi difícil persuadir pedreiros locais a construir uma casa com esse tipo de material.
O The Daily Star ouviu um dos quatro pedreiros da obra, Jalal Uddin, que tinha 25 anos de experiência e afirmou nunca ter usado um material de construção tão incomum.
A casa virou atração na vila
A residência chamou atenção antes mesmo de ser concluída. O The Daily Star informou que moradores de áreas próximas passaram a visitar a vila de Nawdabash, na união de Chandrapur, para ver a construção. A casa se tornou uma espécie de espetáculo visual por causa das paredes formadas por fileiras de garrafas.
O Prothom Alo registrou que a construção ganhou visibilidade depois que uma foto da casa foi publicada no Facebook. Asma afirmou que, depois disso, pessoas passaram a procurar o casal para perguntar sobre custos e vantagens do método.
Um dos argumentos ambientais do projeto está na redução da dependência de tijolos convencionais. O casal afirmou ao The Daily Star que evitar o uso de tijolos também ajudava a reduzir a poluição causada por olarias.
Esse ponto é relevante em Bangladesh, onde a produção de tijolos é associada a consumo de combustível e emissões atmosféricas em várias regiões.
Ao substituir parte da alvenaria por garrafas preenchidas com areia, a casa tenta reduzir a demanda por tijolos novos. A técnica também dá destino a embalagens plásticas que já haviam sido descartadas após o consumo.
O problema do plástico dá contexto à obra
A casa de Lalmonirhat ganha força quando observada dentro do problema maior da poluição plástica em Bangladesh.
Em 2020, o Prothom Alo noticiou que uma pesquisa financiada pelo Banco Mundial e realizada pela organização Waste Concern identificou 30 mil toneladas de resíduos plásticos em apenas quatro rios ao redor de Dhaka.
A reportagem também informou que, segundo o Banco Mundial, a bacia dos rios Ganges, Padma e Jamuna estava entre as mais poluídas do mundo por plástico.
A mesma reportagem citou relatório do UNEP segundo o qual cerca de 73 mil toneladas de resíduos plásticos entravam diariamente na Baía de Bengala por meio de Bangladesh.
Garrafas plásticas ganharam uma segunda vida útil
O plástico é problemático porque pode permanecer no ambiente por muito tempo. Na casa de Rashedul e Asma, essa característica foi redirecionada para a construção. Em vez de circular como resíduo, a garrafa passa a ficar presa na parede, preenchida com areia e coberta por argamassa.
A mudança de função é o ponto mais forte da técnica. Uma embalagem de uso rápido, normalmente descartada depois do consumo, passa a integrar uma estrutura residencial.
Esse reaproveitamento transforma lixo em material de longa duração e cria uma ponte entre reciclagem, construção civil e moradia popular.
A areia aumenta massa e estabilidade
A garrafa vazia não serviria como elemento resistente em uma parede. O enchimento com areia muda esse comportamento. A embalagem ganha peso, firmeza e capacidade de ser empilhada com maior estabilidade. A argamassa ajuda a fixar as unidades e a formar a parede.
O uso de areia também aumenta a massa térmica do conjunto. Em construções desse tipo, paredes mais pesadas podem ajudar a reduzir variações bruscas de temperatura interna, dependendo da ventilação, da cobertura e da exposição solar.
Asma afirmou ao The Daily Star que a areia compactada ajudaria no isolamento térmico da casa, mantendo os ambientes mais estáveis diante das mudanças de clima.
O projeto também valoriza coletores de resíduos
A construção com garrafas depende de uma cadeia anterior de coleta. Cada embalagem usada na parede precisou ser recolhida, vendida, transportada, separada e preenchida. Isso conecta a obra a trabalhadores informais e pequenos vendedores de materiais recicláveis.
O Prothom Alo registrou que um vendedor local chamado Hamidul Islam afirmou ter vendido milhares de garrafas para Rashedul.
Garrafas plásticas são objetos comuns, baratos e descartáveis. Uma casa de quatro quartos, por outro lado, é uma construção de longa duração, com função familiar e social.
Ao reunir 80 mil embalagens em uma estrutura de 158 m², Rashedul e Asma transformaram o descarte cotidiano em uma residência completa.
A casa tinha quartos, cozinha, banheiros, sala, corredor, varanda, janelas e portas. Ela não foi pensada como uma peça isolada de demonstração, mas como moradia.
Uma casa feita de lixo que virou símbolo de engenharia popular
A casa de Rashedul Alam e Asma Khatun mostra como materiais descartados podem ser reorganizados em uma solução habitacional concreta.
Com 80 mil garrafas plásticas cheias de areia, o casal ergueu uma residência térrea de 1.700 pés quadrados, com quatro quartos, cozinha, sala de jantar, dois banheiros e varanda.
O projeto nasceu em uma vila de Lalmonirhat, ganhou atenção nas redes sociais, atraiu visitantes e colocou em debate uma alternativa de baixo custo baseada em resíduos.
A obra transforma uma pergunta simples em imagem poderosa: quantas casas poderiam nascer se parte do plástico descartado deixasse de entupir ruas e rios e passasse a formar paredes?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

