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Casas Bahia recupera produtos que iriam para descarte, reaproveita 13,2 mil toneladas e evita R$ 255,6 milhões em perdas com economia circular

Casas Bahia recupera produtos que iriam para descarte, reaproveita 13,2 mil toneladas e evita R$ 255,6 milhões em perdas com economia circular

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6 min de leitura

Casas Bahia recupera produtos que iriam para descarte, reaproveita 13,2 mil toneladas e evita R$ 255,6 milhões em perdas com economia circular

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 29/07/2026 às 15:31

Atualizado em 29/07/2026 às 15:32

Economia

Casas Bahia evita R$ 255,6 milhões em perdas ao recuperar produtos devolvidos e reciclar 13,2 mil toneladas em 2025

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Devoluções passaram por avaliação técnica, conserto e remanufatura antes de serem recicladas. Em 2025, 45% dos itens devolvidos puderam voltar ao mercado, enquanto caminhões da própria rede transportaram materiais recicláveis no retorno das entregas

O Grupo Casas Bahia informou ter evitado R$ 255,6 milhões em perdas durante 2025 com uma operação que combina logística reversa, recuperação de mercadorias, reaproveitamento de peças e reciclagem. Ao longo do ano, 13.273 toneladas de produtos passaram por alguma dessas etapas, em vez de seguirem diretamente para descarte.

Os números foram divulgados pela companhia e publicados pela Exame em 28 de julho de 2026. A operação envolve lojas, centros de distribuição, hubs logísticos, cooperativas de reciclagem e o Departamento de Assistência Técnica, responsável por avaliar equipamentos devolvidos pelos consumidores.

O resultado não representa R$ 255,6 milhões em faturamento novo ou lucro líquido. A expressão “perdas evitadas” indica que a empresa preservou parte do valor de produtos, componentes, embalagens e materiais que poderiam ser descartados, substituídos ou vendidos com desvalorização maior.

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Na prática, uma geladeira, televisão, máquina de lavar ou aparelho eletrônico devolvido deixa de ser tratado imediatamente como resíduo. Primeiro, o item passa por triagem para identificar se pode ser consertado, desmontado para aproveitamento de peças ou encaminhado para reciclagem.

Produtos devolvidos passam por triagem antes de qualquer descarte

Uma das principais frentes da estratégia está na remanufatura. Quando um produto retorna por defeito, avaria, desistência da compra ou problema identificado na entrega, técnicos avaliam seu estado e verificam se existe possibilidade de recuperação.

Dependendo do diagnóstico, podem ser substituídos componentes elétricos, placas, cabos, estruturas externas ou outras peças danificadas. Depois dos testes de funcionamento e segurança, parte desses equipamentos pode retornar ao estoque e ser novamente comercializada dentro das regras aplicáveis a cada categoria.

Em 2025, 45% dos produtos devolvidos foram remanufaturados, segundo os dados apresentados pela companhia. A Folha de S.Paulo informou que esses itens receberam avaliação e manutenção antes de voltar ao mercado, reduzindo o volume destinado diretamente ao descarte.

Quase metade das devoluções recebeu uma segunda oportunidade de venda

A recuperação de um produto evita que todo o valor aplicado em fabricação, transporte, armazenamento e distribuição seja perdido por causa de um componente defeituoso. Também reduz a necessidade de retirar uma unidade nova do estoque para substituir um equipamento que ainda poderia ser reparado.

Esse processo depende de estrutura técnica e controle de qualidade. Recolocar um aparelho no mercado sem avaliação adequada poderia gerar novas devoluções, despesas com assistência, problemas de segurança e desgaste da marca, anulando a economia obtida no primeiro conserto.

Por isso, a operação não se limita a reparar produtos visualmente danificados. Os equipamentos precisam passar por testes compatíveis com suas características, principalmente quando envolvem eletricidade, refrigeração, aquecimento, motores ou baterias.

A remanufatura também permite aproveitar peças de produtos que não podem ser recuperados integralmente. Componentes em boas condições podem reduzir a demanda por peças novas, enquanto materiais como aço, alumínio, cobre, plástico, papelão e vidro seguem para cadeias de reciclagem.

Caminhões que retornariam vazios passaram a transportar materiais recicláveis

Outro ponto da operação está no uso da própria malha logística do Grupo Casas Bahia. Depois de abastecer lojas e centros de distribuição, caminhões que fariam parte do trajeto de retorno com menor ocupação transportam embalagens, resíduos e materiais separados para reciclagem.

Esse modelo, conhecido no setor como logística de retorno, diminui a necessidade de contratar viagens exclusivas para movimentar os materiais. O mesmo veículo utilizado na distribuição convencional passa a cumprir uma segunda função antes de retornar à origem ou seguir para outra unidade.

A medida amplia o aproveitamento dos caminhões, reduz deslocamentos e corta parte dos custos com combustível, pedágios, contratação de veículos e emissões ligadas ao transporte. O ganho depende da capacidade de organizar rotas, consolidar cargas e armazenar os resíduos sem comprometer a operação de entrega.

Programa criado em 2015 já superou 35 mil toneladas

A reciclagem de embalagens e outros materiais ocorre principalmente por meio do Programa Reviva, criado em 2015. Somente em 2025, mais de 2,7 mil toneladas foram encaminhadas para reciclagem, elevando o volume acumulado desde o início da iniciativa para mais de 35 mil toneladas.

O Grupo Casas Bahia apresenta o Reviva como uma de suas principais ações ambientais e afirma que o programa também gera renda para famílias ligadas às cooperativas parceiras. A empresa publica relatórios de sustentabilidade desde 2019, seguindo diretrizes internacionais de divulgação e com verificação externa dos documentos, conforme sua página institucional.

Mais de 740 lojas recebem eletrônicos, pilhas e baterias

A estratégia inclui resíduos entregues diretamente pelos consumidores. A companhia mantém mais de 740 coletores em lojas espalhadas pelo país, destinados ao recebimento de equipamentos eletroeletrônicos, pilhas e baterias que chegaram ao fim da vida útil.

Em 2025, a parceria com a Green Eletron encaminhou 3,8 toneladas desses materiais para reciclagem ou tratamento ambientalmente adequado. A entidade atua como gestora sem fins lucrativos de sistemas de logística reversa de eletroeletrônicos, pilhas e baterias portáteis no Brasil.

Os pontos de entrega permitem que celulares, notebooks, tablets, televisores, eletroportáteis e outros aparelhos sejam separados do lixo comum. Dependendo do estado do equipamento, os materiais podem ser desmontados e enviados a recicladoras preparadas para tratar metais, plásticos, vidros, placas eletrônicas e componentes potencialmente contaminantes.

Documentos acompanham o resíduo até a destinação final

O transporte é registrado por meio do Manifesto de Transporte de Resíduos, conhecido como MTR. O documento identifica o material, o gerador, o transportador e a unidade responsável pelo recebimento, criando um histórico da movimentação até a destinação final.

Após o tratamento ou a reciclagem, é emitido o Certificado de Destinação Final, o CDF. O Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos informa que a apresentação do MTR e do CDF passou a ser obrigatória, a partir de 14 de abril de 2025, na comprovação de resultados de sistemas empresariais de logística reversa.

Esses registros reduzem o risco de materiais recolhidos em lojas ou centros de distribuição serem desviados para depósitos irregulares. Também permitem verificar quantidades, datas, transportadores e empresas responsáveis pelo processamento.

Logística reversa deixou de ser apenas uma ação voluntária

A participação de fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes na logística reversa está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, determina a estruturação de sistemas para receber determinados produtos depois do uso pelo consumidor, sem depender do serviço público convencional de coleta.

No caso dos eletroeletrônicos de uso doméstico, o Decreto nº 10.240, publicado em 12 de fevereiro de 2020, detalhou responsabilidades, pontos de recebimento, comunicação ao consumidor e metas de coleta. A norma também estabelece que os materiais recebidos devem ter destinação ambientalmente adequada.

Para uma varejista do tamanho da Casas Bahia, cumprir essas regras exige integrar lojas, transportadoras, depósitos, equipes técnicas, recicladoras e entidades gestoras. A diferença está em transformar essa obrigação operacional em recuperação de mercadorias e redução de despesas.

Valor preservado não deve ser confundido com lucro de R$ 255,6 milhões

Os R$ 255,6 milhões divulgados pela Casas Bahia correspondem a perdas que a companhia afirma ter evitado. O valor pode envolver mercadorias recuperadas, componentes reutilizados, redução de descartes, menor necessidade de substituição de produtos e economia em etapas logísticas.

Nos materiais públicos consultados, a empresa não apresentou uma divisão detalhada mostrando quanto veio da revenda de equipamentos, do aproveitamento de peças, da reciclagem ou da redução de despesas com transporte. Sem essa abertura, não é possível tratar o montante como receita adicional nem comparar diretamente o resultado com o lucro da operação.

Ainda assim, os dados revelam a dimensão financeira do descarte no varejo. Quando milhares de toneladas de produtos passam por avaliação antes de serem eliminadas, defeitos localizados deixam de transformar equipamentos inteiros em prejuízo.

Você acredita que outras grandes redes deveriam recuperar e revender mais produtos devolvidos antes de enviá-los para reciclagem? Deixe seu comentário e conte se compraria um eletrodoméstico remanufaturado com testes, garantia e preço menor.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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