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Catador brasileiro que passou mais de 20 anos longe da escola voltou a estudar pela EJA, concluiu Ciências Sociais na UFRGS e agora pode se tornar o primeiro catador do mundo com doutorado, após transformar a própria experiência na reciclagem em uma tese sobre trabalho, inclusão social e direitos
Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/07/2026 às 13:10
Atualizado em 29/07/2026 às 13:11
Curiosidades
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O catador Alex Cardoso passou mais de 20 anos afastado da escola, retomou os estudos pela Educação de Jovens e Adultos, ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e agora se prepara para defender uma tese de doutorado construída a partir da realidade que conhece dentro e fora da academia.
A trajetória foi apresentada pelo portal Só Notícia Boa em reportagem publicada em 28 de julho de 2026, com informações também atribuídas ao Sul21. A defesa está prevista para 2 de setembro de 2026, durante o Encontro Estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, onde Alex vive e trabalha.
Retorno aos estudos começou pela Educação de Jovens e Adultos
Alex havia deixado a escola décadas antes de chegar à universidade. Durante esse período, trabalhou como catador de materiais recicláveis e participou do sustento dos três filhos, conciliando as responsabilidades familiares com uma atividade marcada por dificuldades econômicas e pela busca por reconhecimento profissional.
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A retomada ocorreu por meio da Educação de Jovens e Adultos, conhecida como EJA. Depois de mais de duas décadas distante da sala de aula, ele concluiu a educação básica em três anos, etapa que abriu o caminho para disputar uma vaga no ensino superior.
A fonte não informa em qual instituição Alex cursou a EJA nem apresenta as datas exatas de início e conclusão dessa fase. O que está documentado é que o retorno à escola antecedeu sua aprovação no curso de Ciências Sociais da UFRGS.
A experiência mostra que a interrupção prolongada dos estudos não impediu o avanço acadêmico. Ela também ajuda a explicar por que educação, trabalho e desigualdade social passaram a ocupar posição central na pesquisa desenvolvida posteriormente pelo catador.
Aprovação na UFRGS abriu uma nova etapa
Depois de terminar a educação básica, Alex foi aprovado em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A entrada na UFRGS colocou sua experiência profissional em contato direto com teorias, métodos de pesquisa e debates sobre organização social, direitos e políticas públicas.
A chegada à universidade não significou o abandono da reciclagem. Segundo a reportagem, Alex continuou atuando como catador durante sua formação acadêmica, preservando a ligação cotidiana com as cooperativas e com o movimento organizado da categoria.
Essa permanência diferencia sua trajetória de pesquisas nas quais o pesquisador conhece o objeto apenas depois de entrar na universidade. No caso de Alex, o trabalho de campo existia antes da formação teórica, porque sua própria vida já estava inserida na realidade que seria investigada.
Ao falar sobre esse percurso, ele explicou que não precisou sair da academia para descobrir o cotidiano dos trabalhadores da reciclagem. O conhecimento acadêmico foi incorporado a uma experiência acumulada durante anos de trabalho, organização coletiva e participação social.
Tese nasceu da realidade vivida na reciclagem
A tese recebeu o título “Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis Enfrentam a Máquina de Moer Mundos: Território Vivo e Reciclagem Popular na Cooperativa Unicca”. O estudo parte da atuação dos trabalhadores e da organização desenvolvida dentro da cooperativa.
O trabalho examina como catadores enfrentam as dificuldades da profissão por meio da cooperação, da mobilização coletiva e da luta por reconhecimento. A pesquisa transforma experiências frequentemente tratadas apenas como objeto acadêmico em conhecimento produzido por alguém pertencente à própria categoria.
De acordo com a fonte, a tese também apresenta caminhos para fortalecer políticas públicas relacionadas à reciclagem popular. O conteúdo conecta as condições concretas de trabalho às discussões sobre inclusão social, direitos e participação dos trabalhadores nas decisões que afetam o setor.
A reportagem não detalha a metodologia, o programa de pós-graduação, o nome do orientador nem a banca responsável pela avaliação. Esses elementos, portanto, não podem ser acrescentados sem uma fonte complementar.
Defesa ocorrerá durante encontro dos catadores
A apresentação está programada para 2 de setembro de 2026, durante o Encontro Estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. O evento será realizado em Cruz Alta, município gaúcho onde Alex reside e mantém sua atuação profissional.
A escolha do encontro como espaço para a defesa aproxima o trabalho científico das pessoas e organizações diretamente relacionadas ao tema. A tese retorna à categoria que forneceu as experiências, os conflitos e as práticas analisadas ao longo da pesquisa.
Alex poderá conquistar o título de doutor somente depois da defesa e da aprovação acadêmica. Até a publicação da reportagem, em 28 de julho de 2026, esse processo ainda não havia sido concluído, por isso não é correto apresentá-lo como doutor de forma definitiva.
A possibilidade de ele se tornar o primeiro catador de materiais recicláveis do mundo com doutorado foi apresentada pela fonte como uma perspectiva histórica. Entretanto, a reportagem não informa qual levantamento internacional comprovaria formalmente essa condição, o que exige manter a afirmação no campo da possibilidade.
Título acadêmico representa reconhecimento de uma caminhada
Para Alex, o eventual doutorado não criará a identidade de catador pesquisador. Em declaração reproduzida pela reportagem, ele sustentou que o título acadêmico servirá para reconhecer uma trajetória construída no trabalho, na educação, na organização popular e na defesa dos direitos da categoria.
Essa interpretação desloca o protagonismo do diploma para o percurso que tornou a pesquisa possível. A formação universitária amplia instrumentos de análise e atuação, mas não substitui o conhecimento adquirido na coleta, na triagem, nas cooperativas e na mobilização dos trabalhadores.
A presença de um catador na produção científica também modifica uma relação tradicional descrita por Alex. Durante muito tempo, os profissionais da reciclagem apareceram em pesquisas apenas como pessoas observadas ou entrevistadas por integrantes das universidades.
Em sua trajetória, o trabalhador também assume o papel de pesquisador, interpreta a própria realidade e participa da elaboração de propostas. O conhecimento deixa de ser produzido somente sobre os catadores e passa a ser construído por alguém que integra esse universo profissional.
Educação ampliou a atuação em defesa da categoria
A passagem pela EJA e pela UFRGS permitiu a Alex ampliar sua participação nos debates sobre reciclagem popular. O objetivo declarado é utilizar a formação para contribuir com propostas capazes de melhorar as condições de trabalho e fortalecer políticas públicas para o setor.
Mesmo com a proximidade da defesa, ele pretende continuar atuando nas cooperativas e no movimento dos catadores. O doutorado não aparece como uma saída individual da profissão, mas como uma ferramenta para ampliar a defesa coletiva dos trabalhadores.
A pesquisa também chama atenção para a importância social de uma atividade que recupera materiais descartados e os reinsere na cadeia produtiva. Embora a fonte não apresente números ambientais ou econômicos, ela destaca que o trabalho permanece marcado pela necessidade de mais reconhecimento e dignidade.
Ao transformar sua experiência em investigação acadêmica, Alex aproxima temas que nem sempre aparecem juntos no debate público: educação de adultos, universidade, reciclagem, cooperativismo, inclusão social e participação dos trabalhadores na formulação de políticas.
Uma conquista individual que provoca um debate coletivo
A história de Alex Cardoso reúne mais de duas décadas fora da escola, retorno pela EJA, graduação em Ciências Sociais e uma tese baseada na vida profissional como catador. O próximo passo dependerá da defesa marcada para setembro e da avaliação acadêmica do trabalho.
Independentemente do resultado formal, sua caminhada já mostra que experiência profissional e conhecimento científico não precisam ocupar lados opostos. A universidade pode analisar uma realidade social e, ao mesmo tempo, abrir espaço para que seus próprios protagonistas produzam interpretações e propostas.
Na sua opinião, universidades e governos deveriam criar mais caminhos para que trabalhadores transformem a experiência profissional em pesquisa e políticas públicas? Deixe seu comentário e conte quais outras profissões também precisam conquistar maior reconhecimento dentro da academia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

