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Caverna australiana preserva 25 mil anos de gramíneas queimadas, cinzas ritualísticas, práticas de cura, magia de proteção e possíveis maldições dos ancestrais GunaiKurnai

Caverna australiana preserva 25 mil anos de gramíneas queimadas, cinzas ritualísticas, práticas de cura, magia de proteção e possíveis maldições dos ancestrais GunaiKurnai

4 min de leitura

Caverna australiana preserva 25 mil anos de gramíneas queimadas, cinzas ritualísticas, práticas de cura, magia de proteção e possíveis maldições dos ancestrais GunaiKurnai

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 22/07/2026 às 19:59

Atualizado em 22/07/2026 às 20:40

Curiosidades

Vista do interior de uma caverna australiana, cenário que remete à Caverna de Cloggs, onde pesquisadores encontraram vestígios de rituais realizados há milhares de anos.

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Gramíneas queimadas, 73 camadas de cinzas e uma pedra vertical revelam como rituais espirituais atravessaram milhares de anos na Caverna de Cloggs.

Uma descoberta arqueológica realizada no sul da Austrália trouxe novas evidências sobre práticas espirituais mantidas durante aproximadamente 25 mil anos.

Pesquisadores encontraram camadas de gramíneas queimadas no interior da Caverna de Cloggs, localizada perto da cidade de Buchan, no estado de Victoria.

Esses vestígios indicam que os ancestrais da nação aborígene GunaiKurnai utilizavam o local para cerimônias relacionadas à cura, proteção, magia e possíveis maldições.

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O estudo foi publicado em 22 de julho de 2026 na revista científica Frontiers in Environmental Archaeology.

Caverna de Cloggs preserva tradição milenar

A entrada da caverna de calcário se parece com a porta monumental de uma catedral.

O teto do local apresenta marcas escuras causadas pela fumaça de inúmeras fogueiras acesas durante sucessivas gerações.

Registros etnográficos do século 19 e tradições orais GunaiKurnai descrevem a caverna como um espaço reservado para atividades espirituais.

Líderes conhecidos como mulla-mullung utilizavam o ambiente para práticas de medicina tradicional, magia, proteção e maldição.

Esses homens e mulheres eram respeitados como detentores de conhecimentos espirituais transmitidos ao longo das gerações.

A presença contínua dessas atividades demonstra uma relação profunda entre a comunidade, os ancestrais e o território.

Análise científica revela gramíneas queimadas

A confirmação científica surgiu por meio da análise de fitólitos preservados no solo da caverna.

Fitólitos são partículas microscópicas de sílica formadas nos tecidos das plantas.

Essas estruturas permanecem no solo mesmo depois que a vegetação se decompõe.

A ausência de luz solar nas áreas profundas da caverna reforçou a conclusão dos pesquisadores.

Gramíneas não poderiam crescer naturalmente naquele ambiente escuro.

A presença de fitólitos queimados indica, portanto, que plantas inteiras foram levadas deliberadamente ao interior da caverna.

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Pesquisadores identificam 73 camadas de cinzas

A arqueóloga Elle Grono, da Universidade Nacional Australiana, explicou que os ancestrais selecionavam gramíneas diretamente na paisagem.

As plantas eram transportadas para a Caverna de Cloggs, espalhadas em camadas finas e posteriormente queimadas.

O processo produziu 73 camadas de cinzas vegetais acumuladas ao longo de diferentes períodos.

Os resíduos vieram de vegetações adaptadas a condições climáticas variadas.

Essa diversidade mostra que as queimas ocorreram repetidamente durante uma extensa sequência temporal.

Até 97% dos fitólitos analisados pertenciam a diferentes espécies de gramíneas.

Cerca de 18% das partículas apresentavam sinais de calor, derretimento ou combustão.

Microscopia de fitólitos queimados e registro arqueológico de uma pedra vertical ajudam a revelar antigos rituais realizados na Caverna de Cloggs.

Pedra vertical pode ter sido usada em cerimônias

As escavações também revelaram uma pedra posicionada verticalmente, com aproximadamente 30 centímetros.

O objeto estava cercado por cinzas vegetais e pode ter integrado atividades cerimoniais.

As cinzas próximas à pedra foram datadas de períodos entre 4.400 e 1.600 anos atrás.

Outras evidências arqueológicas, entretanto, indicam que a caverna recebeu atividades humanas há aproximadamente 25 mil anos.

O achado reforça a possibilidade de que diferentes elementos do local fossem utilizados em práticas espirituais.

Cinzas poderiam revelar passos de espíritos

O arqueólogo Bruno David, da Universidade Monash, relacionou as evidências às práticas tradicionais GunaiKurnai.

A queima de plantas seria compatível com rituais que utilizavam cinzas em atividades de magia e proteção.

As cinzas também poderiam ajudar a identificar rastros deixados por qualquer pessoa que entrasse na caverna.

Seres espirituais também poderiam ter seus passos reconhecidos, conforme os conhecimentos tradicionais da comunidade.

A interpretação aproximou os vestígios arqueológicos das narrativas preservadas ao longo das gerações.

Pesquisa reuniu ciência e tradição GunaiKurnai

O ancião Uncle Russell Mullett participou das escavações e apoiou o trabalho realizado na Caverna de Cloggs.

A pesquisa reuniu análises microscópicas, escavações arqueológicas, registros históricos e conhecimentos tradicionais GunaiKurnai.

As descobertas mostram que pequenos resíduos vegetais podem conservar informações sobre cerimônias realizadas há milhares de anos.

A Caverna de Cloggs permanece, dessa forma, como um registro material da conexão entre espiritualidade, território e memória ancestral.

Quantos outros segredos sobre a história humana ainda podem estar preservados sob cinzas, pedras e sedimentos antigos? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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