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China enfrenta grandes problemas no asfalto com carros elétricos de até três toneladas, queda na arrecadação e 40% das estradas precisando de reparos

China enfrenta grandes problemas no asfalto com carros elétricos de até três toneladas, queda na arrecadação e 40% das estradas precisando de reparos

6 min de leitura

China enfrenta grandes problemas no asfalto com carros elétricos de até três toneladas, queda na arrecadação e 40% das estradas precisando de reparos

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 24/07/2026 às 10:30

Veículos Elétricos

Veículos elétricos maiores e mais pesados circulam por via urbana com pavimento deteriorado, cenário que ilustra o desafio da manutenção das estradas chinesas.

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China enfrenta aumento dos custos de manutenção das vias após avanço de veículos eletrificados maiores, mais pesados e dependentes de grandes baterias

A rápida expansão dos carros elétricos e híbridos começou a criar um novo desafio para a infraestrutura da China. Cada vez maiores e mais pesados, esses veículos estão ampliando a pressão sobre ruas e estradas, enquanto o governo arrecada menos dinheiro com os impostos cobrados sobre combustíveis.

O problema combina dois fatores centrais. Por um lado, automóveis eletrificados com baterias volumosas podem superar três toneladas. Por outro, quanto mais motoristas deixam de abastecer com gasolina ou diesel, menor se torna a receita tradicionalmente destinada à conservação das vias.

Segundo levantamento da Bloomberg, o déficit no financiamento da manutenção rodoviária chinesa já alcança cerca de 50%. O Ministério dos Transportes da China afirma que aproximadamente 40% das estradas locais necessitam de reparos, embora não existam recursos suficientes para todas as obras.

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Carros elétricos maiores e mais pesados ampliam pressão sobre o asfalto chinês

A mudança no perfil dos automóveis vendidos na China aparece de maneira clara nos dados do primeiro semestre de 2026. De acordo com a Associação de Automóveis de Passeio da China, 60% dos novos modelos lançados no período ultrapassavam cinco metros de comprimento.

Ao mesmo tempo, somente 2% dos lançamentos mediam menos de 4,5 metros. A diferença se torna ainda mais expressiva quando comparada ao primeiro semestre de 2025, quando os automóveis menores representavam 13% dos modelos apresentados.

Esse crescimento nas dimensões afeta diretamente o peso dos veículos. Embora carros grandes movidos a combustão também sejam pesados, os modelos híbridos e totalmente elétricos carregam conjuntos de baterias que elevam significativamente sua massa.

Consequentemente, alguns automóveis eletrificados podem ultrapassar facilmente três toneladas. Assim, a circulação frequente desses veículos acelera o desgaste do pavimento e aumenta a necessidade de intervenções nas ruas e rodovias.

Baterias aumentam peso dos veículos e aceleram deterioração das vias

As baterias representam um dos principais motivos para a diferença de peso entre carros elétricos e modelos equivalentes movidos apenas por combustão. Quanto maior a autonomia desejada, maior tende a ser o conjunto instalado no veículo.

Por isso, a busca por carros espaçosos, potentes e com longo alcance cria um efeito direto sobre a infraestrutura urbana. Veículos mais pesados exercem mais pressão sobre o pavimento e podem reduzir o intervalo entre uma manutenção e outra.

Entretanto, o peso não representa o único obstáculo. O aumento da frota eletrificada também modifica a maneira como o governo financia a conservação das estradas.

Trabalhadores e máquinas realizam o recapeamento de uma avenida enquanto veículos circulam ao lado da obra.

Queda dos impostos sobre combustíveis reduz recursos para manutenção das estradas

Parte do dinheiro usado na manutenção das vias chinesas vem dos impostos cobrados sobre gasolina e outros combustíveis. Quando um motorista passa a utilizar um carro elétrico, ele deixa de contribuir por meio dessa arrecadação tradicional.

Com o crescimento das vendas de elétricos e híbridos, essa fonte de receita começou a diminuir. Ao mesmo tempo, as despesas com reparos aumentam, principalmente devido ao peso e às dimensões dos novos veículos.

O déficit atual na manutenção das estradas chinesas chega a aproximadamente 50%. Já o Ministério dos Transportes informa que 40% das vias locais precisam de algum tipo de reparo.

No entanto, o orçamento disponível não acompanha o volume de obras necessárias. Dessa forma, a China precisa encontrar novas fontes de financiamento para preservar a qualidade de sua malha rodoviária.

China reduz incentivos fiscais para carros elétricos e híbridos

Diante da queda na arrecadação, uma das respostas do governo chinês envolve a redução gradual dos incentivos concedidos aos chamados veículos de nova energia.

Anteriormente, o benefício fiscal para a compra de carros elétricos e híbridos alcançava 10%. Atualmente, o desconto foi reduzido para 5%, com limite de 15 mil yuans.

A medida pode ajudar a diminuir o custo dos subsídios públicos e ampliar a capacidade financeira do governo. Entretanto, ela também representa uma mudança na política que impulsionou o crescimento acelerado dos veículos eletrificados no país.

Além disso, a China começou a desencorajar a produção de automóveis excessivamente grandes. Para isso, o governo adotou normas de consumo energético mais rigorosas.

Normas obrigam montadoras a usar materiais mais leves nos veículos

As novas exigências pressionam as fabricantes a melhorar a eficiência dos automóveis. Em vez de simplesmente aumentarem o tamanho das baterias, as empresas precisam buscar materiais mais leves e soluções capazes de otimizar a autonomia.

Essa mudança tenta evitar que os carros continuem crescendo em tamanho e peso. Ao mesmo tempo, ela busca reduzir o consumo de energia e diminuir o impacto dos veículos sobre as ruas.

Portanto, as montadoras passam a enfrentar um desafio técnico mais complexo. Elas precisam oferecer autonomia, conforto e espaço sem depender exclusivamente de baterias maiores e mais pesadas.

Mídia estatal chinesa critica tendência de carros cada vez maiores

A discussão também ganhou espaço em veículos de comunicação ligados ao governo chinês. O jornal oficial do Partido Comunista Chinês e a emissora estatal CCTV passaram a criticar a expansão de automóveis excessivamente grandes.

Segundo esses veículos, os modelos não combinam com a infraestrutura das cidades chinesas. Além disso, eles ocupam mais espaço, consomem mais energia e aumentam a pressão sobre as vias urbanas.

As críticas também questionam se o crescimento dos carros representa realmente inovação tecnológica. Para a mídia estatal, muitas fabricantes estariam apenas respondendo à preferência do mercado por automóveis maiores.

O debate deixou de envolver somente a manutenção do asfalto. Ele também passou a incluir planejamento urbano, eficiência energética e o futuro da indústria automobilística chinesa.

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Caio Aviz

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Reino Unido também perdeu arrecadação com avanço dos carros elétricos

A redução das receitas sobre combustíveis não acontece apenas na China. O Reino Unido enfrenta uma preocupação semelhante devido ao aumento da circulação de automóveis elétricos.

Em novembro de 2025, a chanceler britânica Rachel Reeves anunciou uma nova cobrança para esses veículos. A partir de 2028, motoristas de carros elétricos pagarão três centavos de libra por milha percorrida.

Já os proprietários de veículos híbridos pagarão metade desse valor. Segundo o governo britânico, a cobrança aplicada aos elétricos corresponderá aproximadamente à metade do que motoristas de carros a combustão pagam em impostos.

Quilometragem será verificada durante inspeção veicular obrigatória

A cobrança britânica será calculada com base na distância percorrida pelo automóvel. Para isso, a quilometragem será conferida durante a inspeção veicular obrigatória conhecida como MOT.

O próprio odômetro do carro será utilizado para determinar quantas milhas foram rodadas. Assim, o governo poderá cobrar os motoristas conforme o uso efetivo das estradas.

De acordo com o Office for Budget Responsibility, a expectativa é que o novo imposto gere 1,1 bilhão de libras durante o ano fiscal de 2028–2029.

Crescimento dos carros elétricos exige novas formas de financiar as estradas

A situação enfrentada por China e Reino Unido revela um desafio que tende a crescer conforme os carros elétricos ganham espaço. Os governos precisam estimular tecnologias menos dependentes de combustíveis fósseis, mas também devem preservar as fontes de financiamento da infraestrutura.

Na China, o problema se torna ainda mais complexo devido ao tamanho e ao peso dos novos modelos. Enquanto os automóveis eletrificados aumentam a pressão sobre o pavimento, a arrecadação vinculada ao consumo de combustíveis diminui.

Por isso, o país começou a reduzir benefícios fiscais, endurecer normas de eficiência e desencorajar veículos excessivamente grandes. Já o Reino Unido decidiu criar uma cobrança baseada na quilometragem.

Assim, a transição para os carros elétricos não envolve apenas baterias, autonomia e redução de emissões. Ela também exige novas regras para financiar as ruas e estradas utilizadas por uma frota cada vez maior e mais pesada.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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