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Cidade de 900 metros foi escavada em vários andares dentro de uma montanha na Geórgia, recebeu túneis e abastecimento de água, mas terremotos abriram o penhasco e revelaram seus ambientes internos
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 29/07/2026 às 21:57
Meio Ambiente
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Vardzia mostra como uma cidade escavada na rocha podia unir defesa, circulação e abastecimento de água, enquanto guerras, colapsos e terremotos transformaram o penhasco numa enorme parede aberta, com antigos ambientes internos voltados para o vale.
Uma cidade de 900 metros foi escavada em vários andares dentro de uma montanha na Geórgia, formando uma rede de salas, túneis, espaços religiosos e áreas de armazenamento protegidas pela própria rocha. Vista de longe, Vardzia parece uma fachada coberta por centenas de aberturas, como um edifício gigantesco cortado ao meio.
Muitos desses ambientes não foram criados para permanecer abertos. Eles faziam parte de uma cidade escavada na rocha, com pisos conectados e caminhos internos que permitiam circular sem sair constantemente para o lado externo do penhasco.
Georgia Travel, portal oficial de turismo da Geórgia, registra que a cidade fortaleza de Vardzia possui 900 metros de extensão, está dividida em pisos e conta com túneis e um sistema de canalização. Guerras e terremotos provocaram danos importantes na estrutura ao longo dos séculos.
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Uma fortaleza construída por dentro da montanha
Vardzia foi aberta na encosta durante os séculos XII e XIII, no período ligado aos reinados de Jorge III e da rainha Tamar. Em vez de levantar uma cidade diante da montanha, os construtores aproveitaram o interior da formação rochosa.
A solução permitiu reunir diferentes ambientes em uma área protegida. Salas, passagens, espaços religiosos e locais de armazenamento ficavam distribuídos em vários níveis, ligados por caminhos escavados diretamente na pedra.
Essa organização mostra que Vardzia não era apenas um conjunto de cavernas separadas. A cidade funcionava como uma infraestrutura integrada, na qual cada parte tinha ligação com os demais ambientes.
Seus 900 metros de comprimento representam uma extensão próxima à de nove campos de futebol alinhados. O tamanho ajuda a entender a complexidade de uma obra criada com recursos disponíveis na Idade Média.
Túneis conectavam os vários andares de Vardzia
Os túneis eram essenciais para ligar os diferentes pisos da cidade fortaleza. Eles permitiam que pessoas circulassem entre salas, espaços religiosos e áreas de armazenamento sem depender apenas de caminhos externos.
Esse modelo oferecia uma vantagem importante para a defesa. Uma cidade espalhada em construções abertas poderia ser alcançada por vários lados. Em Vardzia, boa parte da movimentação acontecia dentro da massa de rocha, onde os acessos eram mais limitados.
A montanha também escondia os ambientes de quem observava o local pelo vale. Antes dos grandes danos, muitas salas permaneciam atrás da parede natural do penhasco, protegidas da exposição direta.
Os caminhos internos transformavam a encosta em uma construção organizada em andares. Cada túnel cumpria uma função parecida com a de corredores e escadas de um prédio, mas tudo havia sido aberto na própria pedra.
O abastecimento de água chegava ao interior da cidade
Manter uma cidade dentro da montanha exigia mais do que salas e corredores. Os moradores precisavam ter acesso à água sem abandonar constantemente a área protegida.
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Vardzia possuía um sistema de canalização, formado por estruturas que conduziam água para o interior do complexo. Em linguagem simples, eram caminhos preparados para transportar a água até os ambientes onde ela seria usada.
O abastecimento fazia parte da mesma organização que conectava pisos, túneis e áreas de armazenamento. Isso permitia que a cidade mantivesse atividades básicas mesmo dentro de uma encosta rochosa.
A presença da canalização revela o nível de planejamento da obra. Não bastava cavar espaços vazios na montanha. Era necessário pensar em circulação, água, proteção e armazenamento como partes de uma única estrutura.
O penhasco dificultava ataques e escondia os ambientes internos
Cavar uma cidade dentro da rocha criava uma barreira natural. Para chegar aos espaços internos, era preciso encontrar entradas e atravessar passagens controladas, em vez de simplesmente avançar por ruas abertas.
A própria montanha funcionava como parede e teto. Sua espessura protegia grande parte dos ambientes e reduzia a exposição da cidade fortaleza ao lado externo.
Essa solução também dificultava a identificação de tudo o que existia no interior. Quem observava o penhasco não conseguia enxergar toda a rede de salas, corredores e pisos escondida atrás da pedra.
A defesa, porém, dependia da estabilidade da montanha. A rocha que protegia os moradores também sustentava paredes, tetos, passagens e diferentes andares.
Guerras e terremotos transformaram a proteção em fraqueza
Georgia Travel, portal oficial de turismo da Geórgia, detalha que guerras e terremotos causaram danos significativos à estrutura de Vardzia. A destruição atingiu partes do penhasco que escondiam e sustentavam os ambientes internos.
Quando a camada externa da montanha sofreu rupturas e colapsos, salas que antes ficavam escondidas passaram a aparecer diretamente na parede rochosa. O resultado é a aparência atual de uma construção aberta diante do vale.
A imagem lembra um prédio que perdeu sua fachada. Cômodos, corredores e entradas ficaram expostos, permitindo enxergar partes que originalmente pertenciam a uma rede fechada dentro da montanha.
A principal proteção de Vardzia tornou se também sua maior vulnerabilidade. Quando a rocha cedia, não era apenas uma parede que desaparecia. Vários ambientes ligados ao mesmo bloco podiam ser afetados ao mesmo tempo.
Terremotos revelaram uma cidade que deveria permanecer escondida
As centenas de aberturas visíveis no penhasco ajudam a observar como Vardzia foi organizada. Algumas levam a salas, enquanto outras mostram trechos de passagens e ligações entre diferentes níveis.
Essa exposição, porém, representa a perda de partes importantes da montanha. O que hoje facilita a visualização da cidade também mostra a dimensão dos danos causados ao longo dos séculos.
A aparência aberta permite entender que muitos ambientes não foram pensados como cavernas voltadas para o exterior. Eles estavam protegidos atrás de uma parede natural que acabou destruída.
Por isso, Vardzia parece ter suas entranhas expostas. O interior da cidade tornou se parte da fachada, deixando visível uma engenharia que deveria permanecer escondida dentro do penhasco.
Conservar Vardzia exige proteger a construção e a própria rocha
Uma cidade escavada na montanha não pode ser preservada como um prédio comum. Em Vardzia, a arquitetura e a formação natural são partes da mesma estrutura.
Uma ruptura na pedra pode afetar salas, passagens e espaços religiosos ao mesmo tempo. Cuidar do complexo exige observar tanto os ambientes construídos quanto a condição do penhasco que os sustenta.
O desafio está em proteger o que restou sem apagar as marcas deixadas por guerras, terremotos e colapsos. Essas marcas ajudam a contar como a cidade funcionava e por que sua engenharia também carregava riscos.
Vardzia permanece como um exemplo de engenharia medieval adaptada à paisagem, capaz de reunir defesa, circulação, armazenamento e água dentro de uma montanha.
Seus 900 metros de extensão, próximos a nove campos de futebol alinhados, mostram que não se tratava de um pequeno abrigo. Era uma cidade fortaleza organizada em vários pisos e conectada por uma extensa rede interna.
Os danos sofridos pelo penhasco revelaram espaços que antes permaneciam escondidos. A mesma montanha que ofereceu proteção durante séculos acabou expondo salas, corredores e passagens ao perder partes de sua parede externa.
O que mais impressiona em Vardzia: a engenharia que escondeu uma cidade na rocha ou a força dos terremotos que revelou seus ambientes? Comente e compartilhe.
Fonte
Georgia Travel
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

