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Cientistas finalmente rastrearam para onde foi o carbono que sumiu da atmosfera nos últimos 60 milhões de anos, e a resposta estava enterrada no fundo do mar, num ciclo que funcionava como um termostato natural do planeta

Cientistas finalmente rastrearam para onde foi o carbono que sumiu da atmosfera nos últimos 60 milhões de anos, e a resposta estava enterrada no fundo do mar, num ciclo que funcionava como um termostato natural do planeta

6 min de leitura

Cientistas finalmente rastrearam para onde foi o carbono que sumiu da atmosfera nos últimos 60 milhões de anos, e a resposta estava enterrada no fundo do mar, num ciclo que funcionava como um termostato natural do planeta

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 27/07/2026 às 01:15

Ciência e Tecnologia

Cientistas descobriram que o carbono que sumiu da atmosfera em 60 milhões de anos foi enterrado no fundo do mar, num ciclo natural que age como termostato da Terra.

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Cientistas descobriram para onde foi o carbono que desapareceu da atmosfera da Terra nos últimos 60 milhões de anos. A resposta estava enterrada no fundo do mar, presa em sedimentos marinhos por um ciclo natural que funciona como um termostato do planeta, com um nutriente microscópico no centro de tudo.

Cientistas finalmente rastrearam para onde foi parar o carbono que desapareceu da atmosfera da Terra ao longo dos últimos 60 milhões de anos, e a resposta estava enterrada no fundo do oceano. Um novo estudo revela que esse carbono ficou preso em sedimentos marinhos por meio de um ciclo natural que funciona como um termostato do planeta, conforme reportagem publicada pelo site SciTechDaily.

A pesquisa foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, a PNAS, e teve como autora principal Ros Rickaby, professora de ciências da Terra da Universidade de Oxford, em parceria com Zunli Lu, professor da Universidade de Syracuse. Os cientistas já sabiam que o dióxido de carbono da atmosfera caiu bastante enquanto a Terra esfriava nesse período, mas tinham pouquíssima compreensão sobre onde esse carbono havia ido parar. O elo que faltava, segundo o trabalho, era um nutriente microscópico ligado ao nível do mar.

O mistério do carbono que sumiu da atmosfera

Gráfico gerado por IA descrevendo as descobertas. Crédito: Universidade de Syracuse

Durante mais de 100 milhões de anos, a Terra se manteve dentro de uma faixa de temperatura adequada à vida, como se o planeta fosse regulado por um termostato natural. O problema é que, apesar de os cientistas saberem que esse sistema existia, ninguém conseguia explicar exatamente como ele funcionava, e uma peça central dessa engrenagem estava desaparecida.

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A dúvida girava justamente em torno do destino do carbono. Ao longo dos últimos 60 milhões de anos, a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera caiu de forma expressiva, acompanhando o resfriamento do planeta, mas a grande pergunta era onde todo esse carbono havia sido guardado. O novo estudo sugere que uma quantidade muito maior de carbono do que se imaginava foi enterrada em sedimentos no fundo do mar, o que finalmente aponta um endereço para o gás que sumiu do ar.

O ingrediente invisível: o fosfato

A chave para resolver o enigma foi um elemento que costumava passar despercebido nesse tipo de conta. Trata-se do fosfato, uma forma de fósforo essencial para a vida marinha, que agia como um regulador oculto do ciclo do carbono na Terra. Foi a peça invisível que ligava o nível do mar à quantidade de carbono retirada da atmosfera.

O raciocínio conecta fenômenos que pareciam separados. A temperatura influenciava o tamanho das calotas polares e o nível do mar, e essas mudanças no nível do mar controlavam quanto fosfato ficava disponível para os organismos marinhos, o que por sua vez definia quanto carbono seria enterrado no oceano. Quanto mais carbono era trancado no fundo do mar, menos dióxido de carbono sobrava na atmosfera, e é essa cadeia que determinava se o planeta ficaria mais quente ou mais frio.

Como o termostato funciona

O mecanismo descrito pelos pesquisadores forma um ciclo que se retroalimenta. Quando o nível do mar baixava e as plataformas continentais encolhiam, mais fosfato entrava na água, estimulando o crescimento de organismos marinhos. Ao morrer, esse material orgânico afundava e se decompunha, um processo que consome o oxigênio dissolvido na água e cria zonas pobres em oxigênio.

É aí que o ciclo ganha força própria. Quando essas zonas de baixo oxigênio alcançavam sedimentos ricos em matéria orgânica nas plataformas continentais, elas liberavam ainda mais fosfato preso ali, alimentando mais crescimento marinho e aumentando o soterramento de carbono orgânico. Ou seja, um processo reforçava o outro: mais fosfato gerava mais vida, mais vida gerava mais carbono enterrado, e mais carbono enterrado significava menos dióxido de carbono na atmosfera, o que puxava a temperatura do planeta para baixo.

O outro lado: quando o mar sobe

O termostato também funcionava na direção contrária, aquecendo o planeta quando o mar subia. Com o nível do mar alto, as plataformas continentais ficavam inundadas e o oceano se mantinha rico em oxigênio, enquanto o fosfato era enterrado de forma eficiente em sedimentos rasos. Nesse cenário, o ciclo de retroalimentação era suprimido, o carbono deixava de ser sequestrado no mesmo ritmo e o dióxido de carbono voltava a se acumular na atmosfera.

A história geológica oferece um exemplo claro desse estado. Durante o Eoceno, época que durou de cerca de 56 a 34 milhões de anos atrás, esse mecanismo de soterramento de carbono ficou praticamente desligado, com o nível do mar no ponto mais alto e o oceano muito oxigenado. Sem o ciclo funcionando a pleno vapor, o carbono se acumulou no ar e o planeta permaneceu quente, num período reconhecido como uma fase de clima de estufa na história da Terra.

Um termostato que ficou mais estável com o tempo

Um dos aspectos mais interessantes do estudo é a ideia de que esse termostato foi ficando mais eficiente ao longo do tempo geológico. À medida que as zonas de oxigênio mínimo se aprofundaram, a faixa em que o carbono podia ser enterrado foi se estreitando, e isso ajudou a estabilizar progressivamente tanto o oxigênio quanto o dióxido de carbono na atmosfera.

O resultado desse ajuste fino foi um clima cada vez mais equilibrado. As oscilações entre o soterramento de carbono e o acúmulo dele na atmosfera foram ficando mais suaves, tornando o sistema climático da Terra cada vez mais resiliente. Em outras palavras, o planeta foi desenvolvendo, ao longo de dezenas de milhões de anos, uma capacidade natural de amortecer variações bruscas de temperatura, mantendo as condições dentro de uma faixa habitável.

Por que isso importa hoje

Entender como funciona o termostato natural da Terra ajuda a compreender o delicado equilíbrio que manteve o planeta habitável por tanto tempo, e oferece pistas valiosas sobre como esse sistema responde a mudanças. É conhecimento de base para quem estuda o clima e a história profunda do planeta, e mostra que a vida marinha teve um papel central na regulação da atmosfera.

Mas há um ponto que precisa ficar claro para não gerar leitura equivocada. Esse ciclo natural opera em escalas de tempo de milhões de anos, e é lento demais para compensar o aumento rápido de dióxido de carbono causado hoje pela ação humana. O termostato descrito no estudo levou dezenas de milhões de anos para ajustar o clima, enquanto as emissões atuais estão elevando o carbono na atmosfera em questão de décadas. A pesquisa, portanto, explica um mecanismo antigo e grandioso do planeta, mas não representa uma solução automática para a crise climática do presente.

O endereço do carbono perdido

O que o estudo liderado por Oxford e Syracuse conseguiu foi dar nome e lugar a um dos grandes mistérios do clima do planeta: o carbono que sumiu da atmosfera nos últimos 60 milhões de anos foi enterrado no fundo do mar, comandado por um ciclo que ligava nível do mar, fosfato e vida marinha. Um termostato natural que trabalhou em silêncio por dezenas de milhões de anos para manter a Terra dentro de uma temperatura habitável.

E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você já imaginava que o oceano guardava no fundo dele a resposta para o que aconteceu com o carbono da atmosfera ao longo de milhões de anos? Comenta aqui embaixo o que mais te impressiona na ideia de a Terra ter um termostato natural, e se descobertas como essa mudam a forma como você enxerga o clima do planeta.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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