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Cientistas furaram o gelo do Ártico, bombearam a própria água do mar para cima e deixaram o frio congelá-la novamente, engrossando a camada em até 32 centímetros, recuperando o equivalente a 50 anos de afinamento local e criando uma área branca que derrete mais devagar

Cientistas furaram o gelo do Ártico, bombearam a própria água do mar para cima e deixaram o frio congelá-la novamente, engrossando a camada em até 32 centímetros, recuperando o equivalente a 50 anos de afinamento local e criando uma área branca que derrete mais devagar

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Cientistas furaram o gelo do Ártico, bombearam a própria água do mar para cima e deixaram o frio congelá-la novamente, engrossando a camada em até 32 centímetros, recuperando o equivalente a 50 anos de afinamento local e criando uma área branca que derrete mais devagar

Escrito por Ana Alice

Publicado em 27/07/2026 às 22:15

Ciência e Tecnologia

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Experimento no Ártico bombeou água do mar sobre o gelo e engrossou a camada em até 32 cm, criando áreas mais claras e resistentes ao degelo. (Imagem: Ilustrativa)

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Um experimento no Ártico canadense testou se bombear água do mar sobre o gelo durante o inverno poderia engrossar a camada, aumentar seu brilho e alterar a velocidade de derretimento ao longo da estação.

Cientistas bombearam água do mar sobre a superfície congelada do Ártico canadense durante o inverno e conseguiram formar uma camada de gelo até 32 centímetros mais espessa do que a observada em áreas não tratadas.

O experimento ocorreu na temporada de 2024 e 2025, perto de Cambridge Bay, no território de Nunavut, Canadá.

A equipe acompanhou o gelo durante todo o período de crescimento no inverno e também nas primeiras etapas do derretimento na primavera e no verão.

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Publicada em 2026 na revista científica Earth’s Future, a pesquisa é apresentada como o primeiro teste de campo que observou, ao longo de uma temporada completa, os efeitos do alagamento artificial sobre o crescimento e o derretimento do gelo marinho do Ártico.

A técnica parte de uma ideia direta.

Bombas retiram água salgada debaixo do gelo e a levam até a superfície, onde o frio do inverno permite que o líquido congele novamente.

Em vez de fabricar gelo em máquinas ou levar água de outro lugar, o método reorganiza temporariamente a água já presente no oceano.

A intenção é acelerar o espessamento da cobertura congelada durante os meses mais frios.

Os resultados mostram que o procedimento funciona fisicamente em áreas limitadas.

Experimento no Ártico ocupou uma área de um quilômetro quadrado

Os pesquisadores demarcaram uma área de trabalho com um quilômetro de comprimento por um quilômetro de largura.

Dentro desse espaço, separaram oito áreas destinadas ao bombeamento e três regiões de controle que não receberam água. A soma das superfícies efetivamente alagadas chegou a aproximadamente 0,25 quilômetro quadrado.

Isso significa que apenas uma parte da área total de pesquisa passou pelo tratamento.

Alguns setores receberam água uma única vez, em dezembro ou janeiro.

Outros foram alagados duas vezes, com combinações de bombeamentos em dezembro e fevereiro ou em janeiro e fevereiro.

De modo geral, as áreas submetidas a dois bombeamentos apresentaram um ganho maior de espessura do que aquelas tratadas apenas uma vez.

A pesquisa foi liderada pela organização Real Ice e reuniu integrantes do Centre for Climate Repair, ligado à Universidade de Cambridge, além de pesquisadores de outras instituições e colaboradores da comunidade de Cambridge Bay.

Pesquisadores preparam equipamentos e pontos de medição sobre o gelo marinho em Cambridge Bay durante a campanha experimental realizada em janeiro de 2025. Crédito: Real Ice/Centre for Climate Repair.

Água do mar congelou sobre a camada já existente

A cobertura marinha do Ártico cresce naturalmente durante o inverno, quando a temperatura do ar cai e a água na superfície do oceano congela.

O experimento buscou acelerar esse processo.

Depois que a água foi bombeada para cima, ela se espalhou sobre a superfície e entrou em contato com temperaturas suficientemente baixas para voltar ao estado sólido.

Grande parte do espessamento adicional ocorreu logo após cada episódio de bombeamento.

Nas áreas tratadas em dezembro, 13 dos 14 centímetros adicionais registrados ao longo da temporada apareceram imediatamente depois da intervenção.

Água do mar espalhada sobre a superfície começa a congelar em uma das áreas experimentais de Cambridge Bay, onde os pesquisadores testaram o espessamento artificial do gelo. Crédito: Jacob Pantling/Centre for Climate Repair.

Nos setores alagados em janeiro, 17 dos 21 centímetros de ganho também surgiram logo após a aplicação.

Já as áreas tratadas duas vezes acumularam diferenças de aproximadamente 30 e 32 centímetros em relação ao gelo de controle.

Os números não indicam que toda a placa de gelo ganhou exatamente a mesma altura.

O valor máximo de 32 centímetros foi encontrado em determinadas áreas submetidas ao tratamento mais intenso.

Gelo tratado ficou até 32 centímetros mais espesso

Em meados de maio de 2025, antes do início mais intenso do derretimento, os pesquisadores compararam o gelo tratado com os setores que permaneceram sem intervenção.

Nas áreas de controle, a espessura média havia evoluído de cerca de 53 centímetros no começo de dezembro para 161 centímetros no fim da temporada de crescimento.

Os setores alagados apresentavam uma camada até 32 centímetros mais grossa.

Ao mesmo tempo, a cobertura de neve sobre essas regiões estava entre um e 13 centímetros mais fina.

Essa diferença na neve é relevante porque a camada branca funciona como isolante térmico.

Uma cobertura espessa pode reduzir a perda de calor do oceano para a atmosfera e, assim, diminuir o congelamento na parte inferior do gelo.

Ainda não está completamente estabelecido quanto do resultado veio do congelamento direto da água colocada sobre a superfície e quanto se relaciona a alterações na neve, na temperatura e na transferência de calor.

Os autores afirmam que novos trabalhos serão necessários para esclarecer esses mecanismos e entender por que as áreas tratadas apresentaram propriedades diferentes durante o período de derretimento.

Bomba usada em uma campanha anterior da Real Ice lança água do mar sobre a superfície congelada em Cambridge Bay

Comparação com 50 anos vale apenas para Cambridge Bay

O estudo comparou o aumento de aproximadamente 30 centímetros com registros históricos da espessura do gelo marinho em Cambridge Bay.

De acordo com essa análise, a diferença corresponde aproximadamente ao afinamento acumulado observado localmente durante os últimos 50 anos.

A comparação não significa que o experimento tenha revertido cinco décadas de mudanças climáticas em todo o Ártico.

Também não indica que o gelo voltou permanentemente às condições registradas no passado.

A intervenção ocorreu em parcelas específicas e seus efeitos foram acompanhados durante uma única temporada completa.

Portanto, a expressão “recuperar 50 anos” descreve uma equivalência de espessura em relação a uma série histórica local.

Ela não representa a recuperação da área perdida, do volume total de gelo ou das condições ambientais de décadas anteriores.

Área tratada permaneceu mais brilhante durante o degelo

Com a chegada da primavera, as áreas que receberam água permaneceram visualmente mais brilhantes do que os setores de controle.

Os cientistas acompanharam essa diferença com imagens obtidas por drones, observações no local e registros de satélite.

A luminosidade maior sugere que a superfície tratada poderia refletir mais radiação solar.

Essa capacidade de reflexão é conhecida como albedo.

Superfícies claras devolvem uma parcela maior da energia solar, enquanto áreas escuras, como o oceano aberto, absorvem mais calor.

Apesar dessa relação, os pesquisadores não mediram diretamente o albedo das áreas durante o estudo.

O trabalho avaliou a luminosidade nas imagens, mas não apresentou uma quantificação completa da energia refletida pela superfície.

Por essa razão, ainda não é possível afirmar com precisão quanto a mudança de cor reduziu o aquecimento do gelo.

A própria equipe pretende investigar em pesquisas futuras a relação entre inundação, estrutura da camada congelada, brilho e balanço de energia.

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Derretimento mais lento foi observado de forma indireta

Sensores instalados no gelo registraram perfis de temperatura que permitiram estimar as velocidades de derretimento.

Os cálculos indicaram que as áreas tratadas provavelmente perderam espessura mais lentamente entre o fim de maio e meados de junho.

A conclusão também foi compatível com a luminosidade observada nas imagens.

Quando a superfície começou a escurecer por volta de 20 de junho, o ritmo estimado de derretimento aumentou.

No início de julho, duas áreas tratadas ainda apresentavam gelo com pelo menos 40 centímetros de espessura ao redor dos sensores.

O setor de controle, por sua vez, estava quase totalmente derretido.

Os autores reconhecem que não acompanharam diretamente todas as taxas de derretimento em cada ponto.

Parte da avaliação foi construída a partir das temperaturas medidas, da aparência da superfície e das condições observadas no fim da temporada.

Dados históricos de Cambridge Bay indicam um afinamento médio de aproximadamente três centímetros por dia durante as semanas de derretimento em junho e julho.

Pelos cálculos do estudo, uma camada inicialmente 30 centímetros mais grossa poderia permanecer por cerca de sete a dez dias adicionais, sem considerar outros efeitos.

Pesquisa prosseguiu depois da temporada de 2024 e 2025

O artigo reúne os resultados da primeira campanha acompanhada do inverno ao período de derretimento.

A equipe informou em maio de 2026 que novos trabalhos de campo já estavam em andamento na temporada de 2025 e 2026.

Essa etapa posterior integra um esforço mais amplo de modelagem, experimentos de laboratório e testes no ambiente real.

Até a divulgação do primeiro artigo, porém, não havia resultados revisados por pares da nova campanha.

O avanço ocorre enquanto a cobertura de gelo marinho do Ártico permanece abaixo das médias históricas.

Em 15 de março de 2026, a extensão máxima do inverno atingiu aproximadamente 14,29 milhões de quilômetros quadrados, ficando estatisticamente empatada com 2025 como a menor máxima registrada desde o início das observações por satélite, em 1979.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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