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Cinco anos de obra transformaram um ônibus de dois andares de 90 lugares numa mansão sobre rodas com dois quartos e banheiro no meio, num projeto que virou tour em vídeo no YouTube

Cinco anos de obra transformaram um ônibus de dois andares de 90 lugares numa mansão sobre rodas com dois quartos e banheiro no meio, num projeto que virou tour em vídeo no YouTube

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Cinco anos de obra transformaram um ônibus de dois andares de 90 lugares numa mansão sobre rodas com dois quartos e banheiro no meio, num projeto que virou tour em vídeo no YouTube

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 31/07/2026 às 09:04

Construção

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Ônibus Neoplan Skyliner de 1992 com 90 lugares virou casa com dois quartos, cozinha e banheiro após cinco anos de obra feita por um casal na Europa.

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Um Neoplan Skyliner de 1992, que rodou anos no transporte rodoviário europeu, foi comprado por um casal quando a última operadora resolveu trocar de frota. Ron e Byrke levaram cinco anos para converter o veículo em uma casa completa, com cozinha, quartos e sistema autônomo de água e energia.

O ônibus de dois andares que Ron e Byrke transformaram em motorhome é um Neoplan N122/3 Skyliner de 1992, originalmente configurado para transportar 90 passageiros, conforme reportagem publicada pelo site norte americano The Autopian, que acompanhou o tour gravado pelo canal Alternative House no YouTube. O veículo tem 11,9 metros de comprimento e carrega na traseira um motor Mercedes Benz V6 de 255 cavalos.

A conversão levou cinco anos e a primeira viagem como casa sobre rodas aconteceu em 2016. O que era um veículo de turismo virou uma residência com cozinha completa, dois quartos, banheiro e sistema autônomo de água, esgoto e energia elétrica. O resultado tem acabamento que passa a impressão de trabalho de empresa especializada, embora tenha saído das mãos de duas pessoas.

De frota rodoviária a projeto de casa

A história do veículo antes da conversão explica parte do resultado. Fabricado em 1992, o Skyliner circulou por diversas empresas de transporte na Europa até 2011, quando a última operadora, a Van Gerwen, decidiu renovar a frota com ônibus da Van Hool e colocou a unidade à venda. Foi aí que Ron e Byrke entraram na história.

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Havia uma vantagem técnica escondida naquele exemplar específico. Ônibus rodoviários costumam sacrificar espaço interno para acomodar bagageiros generosos, mas o projeto de 1992 foi desenhado com interior mais amplo, o que significa mais volume disponível para quem pretende morar ali dentro. A escolha do veículo, nesse tipo de conversão, decide o teto do que é possível fazer depois.

O casal comprou o ônibus com 497 mil milhas no odômetro, o equivalente a cerca de 800 mil quilômetros rodados. Apesar da quilometragem e das três décadas de estrada, o estado geral do veículo não denuncia a idade.

O que move essa casa de quase 12 metros

Ônibus Neoplan Skyliner de 1992 com 90 lugares virou casa com dois quartos, cozinha e banheiro após cinco anos de obra feita por um casal na Europa.

Na traseira fica o conjunto mecânico que ainda coloca tudo isso em movimento. O motor é um Mercedes Benz V6 de 255 cavalos, e a identificação exata não foi divulgada pelos construtores. Pelas características visuais, trata se aparentemente de um diesel OM441 de 11,3 litros, unidade que figurava na lista de opcionais do Skyliner.

O propulsor passou por reconstrução em 2015, pouco antes de a conversão ser concluída, e envia a força para as rodas traseiras por meio de uma transmissão semiautomática. Reformar o motor antes de encerrar a obra é decisão prática: de nada adianta uma casa impecável se a mecânica que a carrega estiver no fim da vida útil.

A sala de máquinas que virou infraestrutura da casa

O compartimento próximo ao motor foi convertido no coração operacional da residência. Ali está o tanque de água potável, com capacidade de 158 galões, algo em torno de 600 litros, número que coloca o veículo em outro patamar de autonomia comparado a trailers de fábrica.

O sistema de esgoto segue a mesma lógica. São 52 galões de reservatório para água cinza, cerca de 197 litros, e 79 galões para o tanque de dejetos, aproximadamente 299 litros. Para dar dimensão prática ao número, o cálculo apresentado por Ron é de aproximadamente 100 descargas no vaso sanitário até o tanque encher. O esvaziamento é feito por válvula, exatamente como funciona em um trailer convencional, e há ainda uma ligação para a rede de água quando o veículo está estacionado em camping.

Também na traseira fica o tanque de GLP de 26 galões, com bocal de abastecimento externo, responsável por alimentar o aquecimento e o fogão de quatro bocas. Autonomia, nesse tipo de projeto, se mede em litros de água e em dias longe de um ponto de apoio.

Três circuitos elétricos convivendo no mesmo veículo

Ônibus Neoplan Skyliner de 1992 com 90 lugares virou casa com dois quartos, cozinha e banheiro após cinco anos de obra feita por um casal na Europa.

A parte elétrica é onde o projeto mostra o nível de planejamento. O sistema original de 24 volts do ônibus foi mantido, com duas baterias de 220 amperes hora, e continua responsável pelo que é veicular. Para a parte residencial, foi criado um segundo sistema de 24 volts, este com quatro baterias de 220 amperes hora.

A conversão para uso doméstico fica por conta de um inversor de 3.000 watts, que entrega 230 volts, e há ainda um circuito separado de 230 volts para quando o veículo está conectado à energia da rede. Completa o conjunto um gerador de 2,2 quilowatts, instalado dentro de uma caixa de madeira.

Essa separação entre o circuito do veículo e o circuito da casa é o que evita o pesadelo clássico de quem mora sobre rodas: descarregar a bateria da casa e ficar sem conseguir dar partida no motor. Com os sistemas independentes, um problema não contamina o outro.

O andar de baixo, entre cozinha e assentos de fábrica

Ônibus Neoplan Skyliner de 1992 com 90 lugares virou casa com dois quartos, cozinha e banheiro após cinco anos de obra feita por um casal na Europa.

Dos 90 assentos originais, dez foram preservados, decisão que mantém uma memória visível do que o veículo era antes. O piso inferior reúne uma área de jantar montada com os próprios bancos de ônibus, um sofá cama e duas poltronas posicionadas ao lado do banco do motorista.

Logo atrás fica a cozinha, montada como cozinha de casa e não como cozinha de trailer, com despensa incluída. O circuito alimentado por energia externa dá conta dos equipamentos mais pesados: aparelhos de ar condicionado, micro ondas, lava louças e sistema de aspiração central. A lista de eletrodomésticos é o tipo de coisa que costuma faltar até em motorhomes de fábrica.

Dois quartos no piso superior e um banheiro no meio

Duas escadas separadas levam ao andar de cima, e essa duplicidade não é detalhe estético. São dois quartos, um para os adultos e outro para os filhos, e cada um tem seu próprio acesso, o que garante privacidade para os dois lados sem que ninguém precise atravessar o cômodo do outro.

O quarto das crianças ganhou uma janela panorâmica que aproveita a altura do segundo andar, transformando a paisagem da estrada em parte do ambiente. Entre os dois dormitórios fica o banheiro, e a ordem de execução da obra seguiu essa peça: o banheiro foi construído primeiro, e os quartos foram desenhados em volta dele.

Essa sequência revela o raciocínio de projeto. Hidráulica e ventilação são os elementos menos flexíveis de uma conversão, porque dependem de prumada, ralo e saída. Definir o ponto fixo antes e distribuir o resto ao redor evita retrabalho, algo que quem já reformou casa reconhece de imediato.

Segurança, conforto e o ponto que ficou faltando

O veículo mantém saídas de emergência funcionais e conta com vários extintores de incêndio distribuídos pelos dois andares, cuidado que nem sempre aparece em conversões caseiras. Há também armários espaçosos e conexão de internet sem fio, item que hoje pesa tanto quanto água encanada para quem vive viajando.

Existe, porém, uma limitação reconhecida no projeto. O isolamento térmico não foi dimensionado para enfrentar frio intenso, o que restringe o uso do veículo em invernos rigorosos. Vale registrar que essa não é uma falha exclusiva desse trabalho, já que boa parte dos trailers produzidos em série no mercado norte americano também não é preparada para temperaturas extremas.

O ônibus que a Neoplan criou para viagens longas

Para entender por que esse modelo virou base de conversão, é preciso olhar a fabricante. A Neoplan nasceu em Stuttgart, na Alemanha, em 1935, fundada por Gottlob Auwärter, e começou produzindo carrocerias para chassis de ônibus e caminhões. Depois da Segunda Guerra Mundial, passou a construir carrocerias com estrutura totalmente em aço, e em 1953 abandonou o trabalho sobre chassis de terceiros para fabricar seus próprios veículos, com design monocoque parcial e estrutura tubular de aço.

A empresa acumulou pioneirismos técnicos. Em 1957, foi apontada como a primeira fabricante de ônibus a oferecer suspensão a ar e suspensão independente nas rodas dianteiras como equipamento de série. A lista de inovações atribuídas à marca inclui ainda um precursor dos atuais ônibus urbanos de piso baixo, modelos com motor traseiro e o primeiro veículo do gênero com bicos de ar reguláveis pelo passageiro, solução hoje comum em aviões e rodoviários.

O ancestral direto do modelo convertido apareceu em 1967. O NH 22 Skyliner é apresentado pela fabricante como o primeiro ônibus rodoviário de dois andares projetado para longas distâncias. Veículos de dois andares existem há mais de um século, mas a montagem de um exemplar viável para viagens longas só se tornou possível naquele ano, segundo a versão da própria empresa.

Do Jumbocruiser aos recordes do Skyliner

Em 1975, a fabricante foi além e lançou o Jumbocruiser, um articulado de dois andares com capacidade para 170 pessoas, que por um período deteve o recorde de maior ônibus do mundo. O modelo não teve vida longa no mercado.

O Skyliner, ao contrário, virou caso de sucesso e permanece em linha até hoje como carro chefe da marca. A família rendeu recordes nas duas pontas: uma versão de 8,8 metros usada no Japão ficou conhecida como o ônibus de dois andares mais curto do mundo, enquanto uma unidade de quatro eixos e 14,5 metros, empregada pelo Centro Espacial Kennedy da NASA, ocupou o posto de mais longa. Nos Estados Unidos, os Skyliners chegaram a ser vendidos e montados com motores e transmissões de fabricação local, embora nem o modelo nem a marca estejam mais presentes no mercado norte americano.

Encontrar um exemplar à venda é a maior barreira para quem quer repetir o feito, já que a distribuição fora da Europa foi limitada. O veículo de Ron e Byrke, por sinal, não está à venda, e o casal documenta as viagens pela Europa em site próprio e em canal de vídeo.

Um trabalho de duas pessoas com cara de obra profissional

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O que impressiona no projeto não é um item isolado, e sim a coerência entre todos eles. Água, esgoto, gás, energia, layout e circulação foram pensados como sistema, e não como soma de improvisos. A separação dos circuitos elétricos, a válvula de esvaziamento igual à de trailer e a ordem de execução dos cômodos apontam para planejamento anterior ao primeiro parafuso.

Cinco anos de obra explicam boa parte disso. É tempo suficiente para errar, refazer e testar, e o resultado é um veículo de mais de três décadas e 800 mil quilômetros que hoje cumpre função de casa sem parecer adaptação improvisada.

E aí, você encararia cinco anos de obra para morar dentro de um ônibus de dois andares? O que faria diferente nesse projeto, mais isolamento térmico ou mais espaço de armazenamento? Conta nos comentários se trocaria seu apartamento por uma casa que anda.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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