Belo Horizonte — Em meio às articulações para a disputa pelo governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) afirmou ter recebido oferta de dinheiro para desistir de eventual candidatura ao Palácio Tiradentes. A declaração foi feita durante discurso no Senado, no qual também atacou mineradoras e políticos, mas não apresentou provas da acusação nem revelou quem teria feito a proposta.
Segundo Cleitinho, um político de Divinópolis o procurou na última quinta-feira (2/7) para transmitir um recado enviado por terceiros. O senador disse que a conversa ocorreu dentro de um carro, com o som alto, porque o interlocutor estaria com medo de falar sobre o assunto.
“Eles estão te oferecendo dinheiro para ver se você desiste”, teria dito o político ao senador.
Cleitinho disse que a suposta tentativa de convencê-lo não mudará seus planos e afirmou que não está “à venda”. “O jogo só está começando. Não adianta vir com conversa, ameaça ou achar que eu estou à venda. Eu nunca estive à venda”, declarou.
Ataques às mineradoras
Durante o discurso, o senador também voltou a defender possível candidatura ao governo mineiro e afirmou que, se eleito, pretende reduzir a alíquota do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Segundo ele, a perda de arrecadação seria compensada por maior cobrança sobre mineradoras.
“Eu vou fazer uma compensação nas mineradoras. Vocês já ganharam demais, já exploraram demais Minas Gerais”, disse.
Cleitinho ainda acusou empresas do setor de influenciarem políticos por meio de propinas, sem citar nomes ou apresentar evidências. “Em vez de pagar propina para político, vocês vão pagar mais para ajudar o povo”, afirmou.
Pré-candidatura ganha força
As declarações ocorreram no mesmo dia em que o irmão do senador, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), afirmou ao Metrópoles que Cleitinho “quer” e “já decidiu” disputar o governo de Minas, restando apenas definições relacionadas às articulações partidárias.
Segundo Eduardo, o senador aguarda o período das convenções, entre 20 de julho e 5 de agosto, para oficializar a decisão. Enquanto isso, lideranças do PL pressionam por um anúncio, já que parte da legenda defende o lançamento de uma candidatura própria caso Cleitinho demore a confirmar sua participação na corrida eleitoral.

