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Colhendo frutos silvestres numa floresta polonesa, um homem achou destroços de um bombardeiro aliado da Segunda Guerra, e o museu agora pede que a área seja tratada como local de acidente porque os corpos do piloto e da tripulação podem continuar enterrados ali

Colhendo frutos silvestres numa floresta polonesa, um homem achou destroços de um bombardeiro aliado da Segunda Guerra, e o museu agora pede que a área seja tratada como local de acidente porque os corpos do piloto e da tripulação podem continuar enterrados ali

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Colhendo frutos silvestres numa floresta polonesa, um homem achou destroços de um bombardeiro aliado da Segunda Guerra, e o museu agora pede que a área seja tratada como local de acidente porque os corpos do piloto e da tripulação podem continuar enterrados ali

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 25/07/2026 às 14:37

Ciência e Tecnologia

Colhendo frutos silvestres numa floresta na Polônia, um homem achou destroços de um avião aliado da Segunda Guerra, e a área pode esconder a tripulação. (imagem: IA/ILUSTRATIVA)

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Um morador saiu para colher frutos silvestres numa floresta perto de Świnoujście, no norte da Polônia, e voltou com muito mais que frutas. No meio das árvores havia uma cova cheia de destroços de metal e munição queimada, restos de um avião aliado da Segunda Guerra, num terreno que pode esconder os corpos da tripulação.

O passeio para colher frutos silvestres numa floresta ao longo da fronteira norte entre a Polônia e a Alemanha terminou com a descoberta de fragmentos de metal espalhados no chão, perto da cidade de Świnoujście. Ao inspecionar as peças, historiadores concluíram que a área pode esconder os vestígios da queda de um avião aliado da Segunda Guerra Mundial, conforme reportagem da Euronews, com base em informações do Museu de Defesa Costeira da Polônia e na apuração da emissora pública TVP World. O caso veio a público em julho de 2026.

O caminhante encontrou uma depressão incomum no solo, cercada de pedaços de estrutura metálica que não pareciam sucata qualquer, e levou um dos fragmentos aos especialistas do museu, cujas instalações ficam nas proximidades. Foi esse único pedaço de metal entregue a técnicos que abriu uma investigação sobre uma aeronave possivelmente abatida há mais de 80 anos. As autoridades passaram a tratar o ponto como um provável local de acidente, e o museu agora pede providências, porque os restos mortais da tripulação podem seguir enterrados ali.

Uma cova no meio da mata cheia de destroços

Um número de identificação sugere que o avião possuía um dos icônicos motores Rolls-Royce Merlin. Crédito: 
Staś Kaleta / Forte Gerharda, Muzeum Obrony Wybrzeża

O que chamou a atenção do morador não foi a floresta em si, e sim o buraco fundo que apareceu entre as árvores, cercado de estilhaços. Ao redor da depressão havia dezenas de fragmentos de chapa de alumínio, pedaços de estrutura e restos de munição queimada, um conjunto que destoava demais do que se esperaria encontrar no chão de uma mata.

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Desconfiado de que aquilo tinha origem incomum, ele recolheu uma peça e a levou até o Museu de Defesa Costeira, que fica perto do local, junto ao Forte Gerharda. A investigação inteira começou a partir desse gesto simples, de alguém que percebeu que o metal enferrujado no chão não era lixo comum. A partir daí, quem assumiu a análise foram os especialistas da instituição.

Não era sucata qualquer

As autoridades estão tratando a área como um local potencial de acidente. Crédito: 
Forte Gerharda, Muzeum Obrony Wybrzeża

A primeira avaliação do museu foi rápida e categórica. Segundo Wiktor Czeszewski, do Museu de Defesa Costeira, a inspeção inicial já indicou que não se tratava de um pedaço de sucata qualquer, e que a natureza da chapa metálica, os rebites, os vestígios da estrutura da aeronave e a munição deflagrada apontavam para fragmentos de um avião.

Convencida da relevância, a equipe se deslocou ao local indicado pelo caminhante e encontrou ainda mais destroços. No terreno apareceu munição deflagrada identificada como do tipo usado em metralhadoras de aviões britânicos, uma pista importante para determinar a origem da aeronave. Cada peça recolhida passou a ser examinada em busca de marcações que ajudassem a montar o quebra cabeça.

A pista do motor Rolls-Royce Merlin

Entre os artefatos, um pequeno tubo se destacou. A peça trazia um número de identificação que possivelmente a liga a um motor Rolls-Royce Merlin, e apresentava ainda um encaixe do tipo Avimo, uma conexão de alta pressão usada em aviões britânicos equipados justamente com esse motor. Registros técnicos da Força Aérea Real britânica associam esse tipo de tubulação a sistemas de combustível, óleo, gás e partida do motor a bordo.

O nome Rolls-Royce Merlin não é qualquer detalhe na história da aviação de guerra. Desenvolvido pela fabricante britânica no início da década de 1930, o motor aeronáutico de pistão V12 de 27 litros, refrigerado a líquido, tornou se sinônimo de caças aliados como o Hawker Hurricane e o Supermarine Spitfire, além de equipar o bombardeiro pesado Avro Lancaster. É o coração mecânico de alguns dos aviões mais conhecidos que voaram pelos céus da Europa na Segunda Guerra.

Lancaster, Mosquito ou outro avião

Apesar das pistas, o museu está sendo cauteloso quanto a cravar o modelo exato da aeronave. As evidências apontam para um avião britânico equipado com motor Merlin, mas isso ainda não permite identificar com certeza qual aparelho caiu ali.

Entre os candidatos estão o bombardeiro pesado Avro Lancaster, o de Havilland Mosquito e outras aeronaves que usavam o mesmo motor e os mesmos encaixes técnicos. Por enquanto, não há certeza absoluta sobre se o que foi encontrado é um Lancaster, um Mosquito ou outro modelo com soluções técnicas parecidas. A definição depende de análise mais aprofundada dos fragmentos e do que ainda estiver enterrado no local.

A asa de Lancaster pescada do Báltico em 2009

Existe uma coincidência geográfica que torna o caso ainda mais intrigante. O Museu de Defesa Costeira já guarda uma seção grande de asa de um bombardeiro Lancaster, com cerca de cinco metros, que foi retirada do mar Báltico por pescadores em 2009.

O detalhe que chama atenção é a distância. O local da descoberta atual fica a apenas cerca de um quilômetro, em linha reta, do ponto onde aquela asa foi encontrada anos antes. Dois vestígios ligados a bombardeiros britânicos, separados por pouco mais de um quilômetro, transformam a região num possível cenário de queda de aeronave aliada. É esse tipo de conexão que os pesquisadores vão precisar investigar para saber se há relação entre os achados.

Swinemünde, alvo dos aliados na reta final da guerra

O contexto histórico do lugar reforça a hipótese de um acidente aéreo. Conhecida como Swinemünde durante a ocupação alemã, Świnoujście se tornou um ponto crucial de combate nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, quando aviões aliados cruzavam a região em missões contra alvos sob controle alemão.

As forças aliadas atacaram portos, estaleiros, fábricas e centros industriais espalhados pela Pomerânia durante diversas missões aéreas, o que resultou em baixas dos dois lados. A região era protegida por pesadas defesas antiaéreas. Com base no estado dos destroços, os historiadores acreditam que a aeronave foi provavelmente abatida por baterias antiaéreas costeiras, o tipo de artilharia que defendia justamente aquela faixa de litoral.

Um sítio arqueológico que também é uma sepultura de guerra

Mais do que uma curiosidade histórica, o local carrega uma responsabilidade delicada. Como os destroços não foram escavados e parte da aeronave pode seguir soterrada, existe a possibilidade de que os restos mortais da tripulação ainda estejam ali, o que faz do ponto ao mesmo tempo um sítio arqueológico e uma possível sepultura de guerra.

Por isso o museu está instando as autoridades locais a tratarem a área como um provável local de acidente, e os responsáveis já comunicaram órgãos como o Conservador Provincial de Monumentos, o Distrito Florestal de Międzyzdroje e as agências encarregadas de sepultamentos militares. Qualquer trabalho futuro vai exigir escavação arqueológica e forense cuidadosa. Segundo Milan Litwinowicz, funcionário do museu, ainda há muitas perguntas e provavelmente mais de uma surpresa pela frente, e um tubo de cobre aparentemente insignificante pode ser a primeira pista para desvendar a história completa.

Uma cesta de frutas que virou um mistério de 80 anos

O que começou como uma caminhada comum para colher frutos silvestres terminou apontando para a queda de um avião aliado que pode ter permanecido escondido na floresta polonesa por mais de 80 anos. Os destroços de alumínio, a munição de metralhadora britânica e o tubo ligado a um motor Rolls-Royce Merlin desenham o retrato de uma aeronave da Segunda Guerra abatida perto da costa, com uma tripulação que talvez nunca tenha deixado o local.

E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você já imaginou encontrar algo assim, um pedaço inteiro da história enterrado no chão de uma mata comum, enquanto fazia algo banal como colher frutas ou caminhar? Comenta aqui embaixo o que você faria ao topar com destroços desses, e conta se já achou algum objeto antigo ou inesperado em algum lugar por onde passou.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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