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Com 14 cavernas escavadas por mais de 25 anos e apenas ferramentas manuais, homem transforma paredões de arenito em enormes salões subterrâneos com arcos, claraboias e esculturas feitas na própria rocha

Com 14 cavernas escavadas por mais de 25 anos e apenas ferramentas manuais, homem transforma paredões de arenito em enormes salões subterrâneos com arcos, claraboias e esculturas feitas na própria rocha

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Com 14 cavernas escavadas por mais de 25 anos e apenas ferramentas manuais, homem transforma paredões de arenito em enormes salões subterrâneos com arcos, claraboias e esculturas feitas na própria rocha

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 29/07/2026 às 17:17

Atualizado em 29/07/2026 às 17:18

Curiosidades

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Escavadas manualmente durante mais de 25 anos, 14 cavernas transformaram paredões de arenito do Novo México em salões subterrâneos com arcos, claraboias, nichos e esculturas integradas à rocha, revelando um processo solitário que combina esforço físico, arquitetura intuitiva e arte ambiental.

Ra Paulette transformou paredões de arenito do Novo México, nos Estados Unidos, em uma sequência de espaços subterrâneos monumentais, abertos e esculpidos manualmente ao longo de décadas, sem depender de máquinas pesadas para criar passagens, câmaras, relevos e áreas de contemplação.

Segundo o arquivo internacional SPACES, dedicado à preservação e ao estudo de ambientes artísticos construídos por criadores independentes, o conjunto reúne 14 cavernas conhecidas atribuídas a Paulette, desenvolvidas durante mais de 25 anos em formações rochosas de características variadas.

Cavernas escavadas diretamente no paredão

Em vez de erguer paredes, pilares e coberturas sobre o terreno, Paulette avança para dentro da formação rochosa, retirando o arenito gradualmente até definir a geometria dos ambientes e criar superfícies onduladas, passagens estreitas e câmaras de grandes proporções.

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Ao redor das cavidades, a massa de rocha permanece como estrutura principal, enquanto o interior recebe cortes sucessivos que transformam o paredão em teto, parede, piso e acabamento, reunindo funções que normalmente dependeriam de diferentes materiais e sistemas construtivos.

A iluminação também nasce da própria escavação, porque aberturas superiores são abertas conforme os espaços avançam, permitindo que a luz natural atravesse claraboias e destaque sulcos, relevos e desenhos trabalhados diretamente no arenito ao longo das paredes.

Integrados à estrutura, bancos surgem das laterais, nichos são retirados da espessura das paredes e formas curvas ocupam áreas que, em uma construção convencional, exigiriam peças separadas, revestimentos adicionais e etapas distintas de montagem e acabamento.

Método manual orienta cada espaço subterrâneo

Sem partir de um projeto arquitetônico fechado, Paulette inicia cada caverna sem uma planta detalhada e adapta o trabalho às características encontradas no local, ajustando a direção dos túneis, o tamanho das câmaras e a posição das aberturas durante a execução.

Nesse processo, a resistência, a textura e o formato do arenito orientam decisões práticas, enquanto movimentos repetidos de raspagem, corte e remoção permitem que o artista avance de maneira gradual, preservando as áreas que darão forma aos relevos e passagens internas.

O próprio Paulette descreve o trabalho manual como a base de sua expressão e organiza os movimentos do corpo para tornar a escavação mais eficiente, reduzindo esforços desnecessários em uma atividade fisicamente exigente, solitária e realizada durante longos períodos.

Embora não tenha formação acadêmica em escultura, arquitetura ou engenharia, o artista aperfeiçoou suas técnicas pela experiência, modificando ao longo das décadas a maneira de abrir, ampliar e ornamentar os espaços por meio de observação, tentativa e prática direta.

Essa evolução aparece na diversidade das cavernas, que não repetem um único desenho e apresentam soluções diferentes para iluminação, circulação e acabamento, mantendo em comum a integração entre o espaço escavado, a superfície artística e a estrutura natural do paredão.

Origem das cavernas de Ra Paulette

O interesse por esse tipo de ambiente surgiu depois que Paulette observou uma abertura escavada por jovens no arenito de Ojo Caliente, região do norte do Novo México conhecida por formações rochosas relativamente macias e favoráveis ao trabalho manual.

A partir desse contato, ele decidiu abrir sua própria caverna e passou a desenvolver ambientes que combinavam abrigo, isolamento e intervenção artística, transformando a retirada de rocha em um processo contínuo de criação espacial e ornamentação.

Uma de suas primeiras obras conhecidas recebeu o nome de Heart Chamber e foi concebida como espaço de retiro, passando depois a ser visitada por pessoas que conheciam sua localização e buscavam um ambiente associado à contemplação e ao silêncio.

A experiência ajudou a consolidar uma característica recorrente no trabalho de Paulette: as cavernas não são tratadas apenas como escavações, mas como ambientes capazes de alterar a percepção de quem entra, tanto pela escala quanto pela atmosfera subterrânea.

Arenito funciona como estrutura e obra de arte

Dependendo da forma como são observados, esses espaços podem ser compreendidos como santuários, obras de arte ambiental ou ambientes de meditação, já que a sensação produzida combina silêncio, dimensões amplas e iluminação natural vinda das aberturas superiores e laterais.

Os paredões funcionam ao mesmo tempo como matéria-prima, estrutura e superfície artística, porque o mesmo arenito que sustenta cada espaço também recebe desenhos, curvas, assentos, nichos e passagens, sem ser substituído por uma construção independente.

Diferentemente de uma obra convencional, a transformação não ocorre pela adição de grandes volumes, mas pela retirada controlada da rocha, de modo que cada corredor depende do material removido e cada relevo exige a preservação cuidadosa de uma parte específica da parede.

Por esse motivo, qualquer corte excessivo se torna difícil de corrigir, já que o material retirado não pode ser simplesmente recolocado, exigindo atenção constante durante a escavação e domínio progressivo sobre a resistência, a espessura e o comportamento do arenito.

Obras subterrâneas permanecem em áreas privadas

Parte das cavernas foi aberta por encomenda em propriedades privadas, enquanto outras surgiram como projetos pessoais, circunstância que limita o acesso público e contribui para preservar tanto as obras quanto os terrenos onde esses ambientes foram criados.

Como muitas localizações permanecem reservadas, fotografias e registros documentais se tornaram a principal forma de conhecer a dimensão e o nível de detalhamento do conjunto, especialmente nos espaços que não funcionam como atrações abertas à visitação.

Mesmo quando alcançam proporções comparáveis às de salões construídos, as cavernas mantêm uma ligação direta com a paisagem externa, pois teto, paredes e piso pertencem ao mesmo paredão, enquanto as claraboias conectam o interior ao deserto acima.

A intervenção modifica profundamente o interior da formação rochosa sem substituir o arenito por uma estrutura independente, preservando a identidade natural do paredão ao mesmo tempo que transforma seu interior em ambiente de circulação, contemplação e expressão artística.

Você entraria em um salão subterrâneo escavado e esculpido à mão durante décadas, sabendo que cada arco, claraboia, banco e relevo foi criado diretamente no arenito, sem máquinas pesadas e sem uma planta arquitetônica fechada?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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