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Com quatro filhos para levar à escola e dois carros quebrados, pintor de 68 anos transforma uma cama beliche em chassi, junta motor, câmbio, portas e teto de ferro-velho e constrói veículo próprio, mas falta de licença coloca criação sob risco de apreensão
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 23/07/2026 às 16:18
Curiosidades
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Sem formação como mecânico, sul-africano desenhou o próprio carro, cortou a estrutura metálica da cama dos filhos e aproveitou peças descartadas para montar um veículo funcional, mas ainda enfrenta exigências técnicas e legais para circular pelas ruas
Um problema familiar levou o pintor automotivo Mnqweno Nomgca a realizar um projeto que parecia improvável. Morador de Mthatha, na província do Cabo Oriental, na África do Sul, ele decidiu construir o próprio carro depois que dois veículos que possuía foram emprestados a amigos e voltaram quebrados.
Nomgca vivia em Joanesburgo e precisava acompanhar os quatro filhos até escolas diferentes. Sem os carros, a rotina ficou mais difícil e o pintor começou a pensar em uma alternativa que não dependesse da compra de outro automóvel.
A solução começou com uma cama beliche de metal, transformada na estrutura principal do veículo. Motor, câmbio, portas, cabos, painéis e partes da carroceria foram obtidos com amigos, encontrados em ferros-velhos ou comprados por valores reduzidos.
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Quando a história foi publicada pelo Mthatha Express, em 25 de abril de 2024, Nomgca tinha 68 anos e afirmou que dirigia o carro artesanal por Mthatha e também fazia viagens até Tsolo. O pintor reconheceu, porém, que o veículo não estava licenciado e que agentes de trânsito ameaçavam apreendê-lo.
A dificuldade para transportar os filhos virou o ponto de partida
O filho mais velho estudava na Willowmead Senior Secondary School, enquanto outros dois frequentavam a Buyani Primary School. A criança mais nova estava matriculada em uma pré-escola próxima da residência da família.
Como os horários e os destinos eram diferentes, Nomgca precisava acompanhar cada filho. Ele contou que a falta de um veículo confiável transformou o deslocamento diário em uma tarefa pesada, especialmente durante o período em que ainda vivia em Joanesburgo.
A ideia do carro caseiro foi compartilhada com um amigo encanador. Esse conhecido conseguiu um motor antigo, um câmbio e portas retiradas de outros automóveis, embora várias peças precisassem de reparos antes de serem utilizadas.
A cama foi cortada e virou a base de um carro feito com sucata
Nomgca desenhou um esboço antes de iniciar a montagem. Em seguida, desmontou a beliche e cortou os tubos metálicos para formar uma espécie de chassi, sobre o qual seriam instalados motor, suspensão, carroceria e cabine.
Os filhos tiveram de dormir temporariamente em colchões depois que a estrutura da cama foi destinada ao projeto. Outras peças vieram de carros desmontados, objetos descartados e materiais encontrados em depósitos de sucata.
O teto teve papel decisivo no formato final. Nomgca encontrou uma pessoa que pretendia vender a peça a um ferro-velho e pagou 150 rands para ficar com ela. O desenho da carroceria foi adaptado às dimensões do teto disponível.
Segundo informações publicadas pelo TimesLIVE, o carro foi concluído entre novembro e dezembro de 2017. A mesma reportagem informou que o veículo recebeu um motor Renault modificado, rodas esportivas e luzes instaladas gradualmente, conforme o construtor conseguia peças e dinheiro.
O automóvel recebeu o nome de Zwane, ligado ao nome do clã da família. Nomgca disse que pretendia preservar a criação como um legado para os filhos e afirmou ter rejeitado milhares de manifestações de pessoas interessadas em comprar o veículo.
Portas, fios e recipientes plásticos ganharam novas funções
A construção não seguiu uma plataforma industrial nem um projeto fornecido por uma montadora. O pintor adaptou cada componente à estrutura disponível, reaproveitando tubos de aço, fios elétricos, recipientes plásticos, painéis e partes retiradas de carros antigos.
Esse processo exigiu alterações nas posições do motor, da cabine e dos componentes internos. O veículo precisou ser montado de acordo com as medidas das peças encontradas, e não a partir de um conjunto fabricado especificamente para aquele modelo.
Nomgca não é mecânico profissional. Sua formação está ligada à pintura automotiva, atividade que aprendeu na Technical High School de Mthatha, embora tenha acumulado experiência prática fazendo reparos e trabalhando com veículos.
A Scrolla Africa relatou que a estrutura da cama dos filhos foi cortada em várias partes e combinada com componentes recolhidos em ferros-velhos. O resultado foi um carro capaz de se movimentar, mas sem documentação que comprovasse sua aprovação para uso em vias públicas.
Uma pequena peça ainda impedia o funcionamento completo das setas
Mesmo depois de colocar o carro em movimento, Nomgca ainda procurava um interruptor compatível para acionar os indicadores de direção. Sem esse comando, as setas não funcionavam como deveriam.
A ausência do componente mostra a diferença entre fazer um veículo andar e cumprir todas as condições técnicas exigidas para circular. Freios, iluminação, direção, pneus, identificação do motor e resistência estrutural também precisam ser avaliados durante uma inspeção de segurança.
Uma reportagem da revista YOU registrou que o carro funcionava, mas permanecia sem registro e sem licença. A publicação também confirmou que a estrutura havia sido montada com a antiga beliche das crianças e peças automotivas reaproveitadas.
Carro artesanal pode ser registrado, mas precisa passar por várias etapas
A legislação sul-africana prevê o registro de um veículo construído a partir de peças, categoria que pode abranger carros artesanais como o de Nomgca. Isso significa que o problema não está simplesmente no fato de o automóvel ter sido feito por uma pessoa fora de uma fábrica.
O proprietário precisa apresentar documentos de identidade e endereço, declaração informando a origem das peças, comprovantes de propriedade, certificado de pesagem e pedidos de identificação e liberação policial. O veículo também deve ser incluído no sistema nacional e submetido a um teste de aptidão para circulação, conforme as orientações do governo da África do Sul.
A comprovação da origem do motor, do câmbio e de outras peças é necessária para verificar se os componentes não vieram de veículos roubados ou adulterados. No caso de uma construção feita ao longo de vários anos, reunir notas, recibos e registros de cada item pode se tornar uma das maiores dificuldades.
Veículos construídos ou modificados também podem precisar de uma carta de autorização emitida pelo National Regulator for Compulsory Specifications. O órgão verifica a conformidade com as especificações obrigatórias e com as regras estabelecidas pela legislação nacional de trânsito.
Sem certificado, o carro pode ser retirado das ruas
Para obter o certificado de segurança viária, o automóvel precisa ser levado a uma estação pública ou privada de testes. Caso seja aprovado, o proprietário recebe o documento necessário para avançar no registro e no licenciamento.
As autoridades examinam condições capazes de afetar diretamente a segurança, incluindo sistemas de direção e frenagem, pneus, iluminação e demais componentes obrigatórios. O governo sul-africano informa que a responsabilidade de apresentar o veículo e solicitar a avaliação pertence ao proprietário.
Sem o registro, a licença e a aprovação técnica, Nomgca corre o risco de ter o carro impedido de circular ou apreendido durante uma fiscalização. As reportagens consultadas não confirmam que ele tenha concluído posteriormente o processo de regularização.
Pintor quer uma oficina para ensinar e construir novos veículos
Antes de retornar a Mthatha, Nomgca era convidado por algumas escolas de Joanesburgo para mostrar aos alunos como um carro poderia ser projetado e montado do zero. A experiência transformou a criação doméstica em uma demonstração prática de reaproveitamento de materiais e conhecimentos técnicos.
O pintor afirma que precisa de um espaço próprio, ferramentas adequadas e financiamento para abrir uma oficina. Seu plano seria desenvolver pequenos veículos e ensinar outras pessoas, mas qualquer produção destinada às ruas dependeria de projeto técnico, testes, rastreabilidade das peças e aprovação das autoridades.
Você considera que projetos artesanais como o carro de Mnqweno Nomgca deveriam receber apoio para cumprir as exigências de segurança e licenciamento? Deixe sua opinião nos comentários e conte se uma criação como essa poderia se transformar em oportunidade de trabalho e formação profissional.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

