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Com uma ideia que não saía da cabeça e duas bicicletas usadas dadas pelos amigos, estudante de Engenharia que nunca havia soldado empilhou os quadros, aprendeu a usar a máquina durante o próprio projeto e, em menos de seis semanas, passou a ir para a universidade pedalando numa “bike de dois andares”
Escrito por Ana Alice
Publicado em 25/07/2026 às 23:18
Curiosidades
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Dois quadros de bicicleta, cálculos estruturais e uma máquina de solda emprestada deram origem a um veículo alto usado no campus, transformando um projeto pessoal em experiência prática de Engenharia Mecânica.
Uma bicicleta alta o suficiente para colocar o ciclista acima da maioria dos pedestres passou a circular pelo campus da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, nos Estados Unidos.
O veículo foi construído pelo estudante de Engenharia Mecânica Wynn Grame a partir de dois quadros usados, unidos verticalmente para formar uma estrutura de dois níveis.
Grame não tinha experiência anterior com soldagem quando começou a montagem.
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Usando uma máquina emprestada por um amigo, ele cortou os quadros, fez as primeiras soldas e aplicou conhecimentos do curso para avaliar se a estrutura suportaria os esforços gerados durante o uso.
Da preparação das peças ao primeiro passeio, o trabalho levou menos de seis semanas e foi realizado durante o verão de 2025.
Depois de concluir a construção, o estudante passou a utilizar a bicicleta para ir às aulas e atravessar a área do campus conhecida como EMS Quad, próxima aos prédios de Engenharia e Ciências Matemáticas.
Embora seja chamada informalmente de “bike de dois andares”, a criação não possui dois assentos ocupados simultaneamente.
O nome descreve a maneira como os dois quadros foram empilhados, deixando o ciclista no nível superior e elevando também o guidão, os pedais e o conjunto usado para conduzir o veículo.
Ideia da bicicleta de dois andares começou com uma imagem
O estudante não afirma ter inventado o conceito.
A construção começou depois que ele viu uma fotografia de outra bicicleta de dois níveis e continuou pensando em como poderia produzir sua própria versão.
“Vi uma imagem de uma bicicleta de dois andares como esta e ela ficou na minha cabeça”, declarou Grame à universidade.
A ideia ganhou condições para sair do papel quando amigos doaram duas bicicletas.
Com os quadros disponíveis, ele decidiu iniciar a montagem, ainda sem dominar uma das etapas centrais do processo: a soldagem.
“Usei a máquina de solda emprestada de um amigo para aprender uma nova habilidade e cometer alguns erros”, contou.
A declaração resume uma característica do projeto.
Grame não começou com todas as respostas nem seguiu apenas uma atividade preparada em sala de aula.
A construção avançou por meio de cortes, testes, correções e aplicação gradual dos conhecimentos necessários para transformar duas bicicletas separadas em um único veículo.
Construção da bicicleta levou menos de seis semanas
O trabalho ocorreu nos horários disponíveis depois do estágio profissional e durante os fins de semana.
Grame fazia estágio na HellermannTyton, fabricante de abraçadeiras e componentes para organização de cabos, onde atuava com desenhos solicitados por clientes e atividades relacionadas ao desenvolvimento de peças.
Fora do estágio, ele dividia o tempo entre a universidade, a prática de escalada e o trabalho como assistente do programa Outdoor Pursuits, ligado à oficina de bicicletas do campus.
A experiência anterior com manutenção ajudava no entendimento dos componentes, mas a parte estrutural exigiu um aprendizado novo.
Soldar dois quadros não significava apenas prendê-los um ao outro; era necessário considerar como o peso do ciclista e as irregularidades do caminho atuariam sobre tubos, junções e pontos de apoio.
Segundo a UWM, o período entre o corte das bicicletas e o primeiro passeio ficou abaixo de seis semanas.
A publicação institucional não informa as datas exatas, as dimensões finais do veículo, seu peso ou a quantidade de horas dedicadas à montagem.
Estrutura da bicicleta foi feita com aço de baixo carbono
O quadro completo foi feito de aço de baixo carbono, material frequentemente encontrado em bicicletas mais antigas.
Em comparação com o alumínio usado em muitos modelos modernos, o aço costuma ser mais pesado, mas pode ser trabalhado com técnicas de soldagem mais acessíveis a quem está começando.
A escolha não ocorreu apenas pela disponibilidade das bicicletas doadas.
Conforme a explicação publicada pela universidade, o aço era mais tolerante durante o aprendizado da soldagem, além de apresentar resistência e durabilidade adequadas à proposta do estudante.
Essa facilidade relativa não elimina a necessidade de controlar a qualidade das junções.
Em uma bicicleta convencional, uma falha no quadro já pode provocar uma queda.
No modelo elevado, a altura do assento amplia a distância entre o ciclista e o chão, tornando a integridade da estrutura ainda mais relevante.
A reportagem da universidade não apresentou resultados de ensaios físicos de carga, inspeções independentes das soldas ou certificações de segurança.
O que foi divulgado é que Grame usou cálculos de Engenharia Mecânica e uma análise computacional antes de utilizar a bicicleta.
Cálculos estruturais ajudaram a definir os tubos
Entre os conhecimentos aplicados estava a análise de flexão.
Esse tipo de cálculo procura estimar como uma peça reage quando uma força tenta curvá-la, situação que ocorre nos tubos de uma bicicleta enquanto eles sustentam o ciclista e absorvem movimentos durante o trajeto.
Grame analisou a flexão e a deflexão, termo usado para descrever o quanto uma estrutura se desloca ou se deforma quando recebe uma carga.
As verificações ajudaram na escolha da espessura dos tubos e na avaliação do comportamento do quadro empilhado.
O estudante também realizou uma análise por elementos finitos.
Nesse método, um modelo digital é dividido em muitas partes pequenas para que o computador estime como forças e deformações se distribuem pela estrutura.
Em vez de observar o quadro apenas como uma única peça, o programa ajuda a localizar regiões sujeitas a maior esforço.
A simulação pode indicar pontos que exigem reforço ou mudanças no desenho antes da construção definitiva.
Segundo a UWM, Grame utilizou essa ferramenta para verificar se o projeto apresentava uma configuração estrutural considerada adequada.
A instituição, contudo, não publicou o modelo, os valores adotados, os resultados numéricos nem os limites de carga analisados.
Subir na bicicleta exige movimento e equilíbrio
A altura modifica até mesmo a maneira de começar o percurso.
Grame não consegue simplesmente colocar um pé no chão enquanto permanece sentado, como faria em uma bicicleta comum.
Para subir, ele começa empurrando o veículo para a frente.
Em seguida, pisa em uma pequena plataforma de madeira instalada na parte inferior, segura a estrutura e escala o conjunto enquanto a bicicleta continua se movimentando lentamente.
O processo depende de equilíbrio e coordenação, pois o ciclista precisa alcançar o assento superior antes de assumir completamente o controle.
A publicação da universidade mostra que a subida faz parte da utilização cotidiana do veículo, mas não detalha como ocorre a descida nem quais procedimentos são adotados em uma parada repentina.
A altura também altera a percepção do trânsito ao redor.
Do assento superior, Grame consegue enxergar por cima de obstáculos menores e afirma ser notado com facilidade pelos motoristas.
“Ela também oferece excelente visibilidade na estrada, porque os carros conseguem ver você imediatamente e, por isso, são muito cautelosos ao seu redor”, disse o estudante.
Essa avaliação corresponde à experiência relatada por ele.
Não foram apresentados estudos que comparem a segurança da bicicleta alta com a de modelos convencionais, nem dados sobre frenagem, estabilidade ou risco de queda.
Altura altera o equilíbrio da bicicleta
Empilhar dois quadros eleva o ciclista e modifica a distribuição de massa do conjunto.
Com uma parte maior do peso distante do chão, movimentos do corpo e alterações na direção podem produzir efeitos mais perceptíveis no equilíbrio.
Isso não significa que a bicicleta seja incapaz de se manter estável.
Quando está em movimento, ela segue os mesmos princípios gerais de direção e equilíbrio usados por outras bicicletas, mas a altura pode tornar largadas, paradas e manobras lentas mais exigentes.
O comprimento vertical da estrutura também faz com que as forças aplicadas pelo ciclista percorram uma distância maior até as rodas.
Por esse motivo, as conexões entre os dois quadros ocupam uma função importante no projeto.
A UWM não informou se a bicicleta possui sistema de marchas, qual tipo de freio foi instalado, o tamanho das rodas ou a altura exata do assento.
Também não divulgou testes comparativos de manobrabilidade ou distância de frenagem.
Essas lacunas impedem uma avaliação técnica completa do desempenho.
O caso documenta principalmente um projeto pessoal de aprendizagem, e não o desenvolvimento de um modelo destinado à fabricação comercial.
Bicicletas altas já circulavam em Milwaukee
Grame informou conhecer pelo menos outras quatro bicicletas altas em Milwaukee.
A dele, de acordo com o relato publicado, era a única que circulava regularmente pelo campus da UWM naquele período.
Veículos desse tipo não são apresentados como substitutos diretos das bicicletas convencionais.
A altura dificulta determinadas etapas de uso e exige uma forma específica de subir e descer, enquanto o peso adicional do aço pode influenciar a condução.
No caso do estudante, a função prática se combinou ao caráter experimental.
A bicicleta passou a servir como meio de transporte para as aulas, mas também demonstrava como conceitos estudados no curso podiam ser aplicados a um objeto construído fora das disciplinas formais.
A publicação original do College of Engineering & Applied Science ocorreu em 16 de dezembro de 2025.
A história foi republicada pelo canal geral de notícias da UWM em 6 de fevereiro de 2026, com fotografias e um vídeo do estudante utilizando o veículo.
Projeto levou a Engenharia para fora da sala de aula
A bicicleta reuniu decisões sobre material, espessura dos tubos, distribuição de forças e desenho estrutural.
Ao mesmo tempo, obrigou o estudante a desenvolver uma habilidade manual que ainda não possuía.
Nesse processo, os erros de soldagem deixaram de ser apenas exercícios.
Uma junção mal executada precisava ser identificada e corrigida para que o quadro pudesse funcionar como uma estrutura única.
O projeto também mostra a diferença entre simular e construir.
A análise computacional ajuda a prever o comportamento de um desenho, mas a fabricação acrescenta variações relacionadas ao corte, ao alinhamento das peças e à qualidade das soldas.
Não foi encontrada uma atualização oficial posterior que informe se Grame continuou usando a bicicleta, realizou modificações ou submeteu o projeto a novos testes.
Os registros disponíveis se concentram na montagem realizada em 2025 e na divulgação feita pela universidade entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.
Para o estudante, o veículo tornou-se ao mesmo tempo transporte e demonstração prática do aprendizado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

