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Como as tarifas chegam ao supermercado e encarecem a cesta básica

Como as tarifas chegam ao supermercado e encarecem a cesta básica

Foto: REUTERS/Carlos Barria

A aplicação das tarifas de até 37,5% imposto pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros acendeu o alerta nos corredores dos supermercados. Embora as taxas atinjam diretamente as exportações, a pressão sobre o dólar e o custo de insumos importados ameaçam encarecer o carrinho de compras dentro do Brasil.

Diante desse cenário, fica a dúvida: em que medida o protecionismo dos EUA consegue influenciar o preço dos alimentos essenciais no supermercado?

Sobre o tarifaço

A economista Petra Duque explica que uma das consequências do tarifaço é que ele tende a pressionar a valorização do dólar frente ao real por meio de dois canais principais. O primeiro é que, ao dificultar as exportações brasileiras, entram menos dólares no país, o que deixa a moeda mais cara.

O segundo é que a guerra comercial assusta os investidores globais, fazendo com que eles tirem seu dinheiro do Brasil para buscar investimentos mais seguros.

Petra explica que esse efeito do aumento da moeda americana sobre a inflação, chamado de pass-through cambial, nos produtos não é imediato e que ainda existe uma “rigidez de preço”.

“Você tem tanto os estoques dos varejistas quanto contratos futuros a preços pré-estabelecidos que dão uma certa maleabilidade nos preços. É sempre um cabo de guerra entre o produtor e o varejista, e o varejista tende a resistir a reajustes imediatos, utilizando os estoques para ter essa flexibilidade. Por isso, esse efeito do câmbio na inflação não é imediato”, explica.

A especialista também cita o “efeito tesoura”, cenário em que os custos de produção sobem pela alta dos insumos dolarizados enquanto o consumidor, sem ganho de renda, restringe a demanda. Para evitar a paralisação das atividades e a transmissão imediata do repasse para a inflação, as empresas optam por reduzir suas margens de lucro.

“Você tem, nessa situação, tanto o sacrifício da rentabilidade quanto a inflação invisível — que é a redução das embalagens, com a indústria disfarçando a inflação ao colocar o mesmo produto em menor quantidade sem que as pessoas prestem tanta atenção. Além disso, há o aumento de linhas mais populares e a substituição por marcas mais econômicas”.

Impacto na cesta básica

Uma outra questão a ser levantada é: até que ponto o protecionismo dos EUA consegue influenciar o preço dos itens essenciais da cesta básica no Brasil?

O economista Aurelio Trancoso explica que as tarifas reduzem as exportações do Brasil e fazem o dólar subir, encarecendo insumos e alimentos importados e aumentando o preço da cesta básica.

“Como dependemos da importação de trigo (para o pão, macarrão, biscoitos) e os produtores compram fertilizantes em dólar, esse custo cambial sobe rapidamente e é repassado direto para o preço dos alimentos no supermercado, afetando também a cesta básica”, explica Aurelio.

O especialista destaca que as tarifas encarecem os insumos e reduz a produção, e “cria um cenário de alta generalizada na cesta básica”, comprometendo grande parte do salário do cidadão com alimentação.

A curto prazo, segundo Trancoso, toneladas de soja, milho e carne podem baixar os preços temporariamente. No entanto, sem os mercados americano e chinês, os produtores plantarão menos e criarão menos gado na safra seguinte.

“Com menos grãos no mercado, a ração animal fica mais cara. Consequentemente, o preço de todas as proteínas (carne bovina, suína, frango, ovos e leite) além dos derivados de soja (complexo soja que vai em quase todos os produtos) disparam para o consumidor final”, destaca o economista.

Fonte: Metrópoles


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por Metrópoles.

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