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Confeiteira abriu mão dos valores que receberia no divórcio para recuperar a guarda da filha, fugiu do país como refugiada e hoje tem confeitaria própria em Londres com a filha estudando em Oxford

Confeiteira abriu mão dos valores que receberia no divórcio para recuperar a guarda da filha, fugiu do país como refugiada e hoje tem confeitaria própria em Londres com a filha estudando em Oxford

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Confeiteira abriu mão dos valores que receberia no divórcio para recuperar a guarda da filha, fugiu do país como refugiada e hoje tem confeitaria própria em Londres com a filha estudando em Oxford

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 31/07/2026 às 18:43

Atualizado em 31/07/2026 às 18:45

Curiosidades

Ela abriu mão do que receberia no divórcio para reaver a guarda da filha, saiu do Irã como refugiada e hoje é confeiteira com casa própria no norte de Londres.

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Sana Pishgoo tinha um café na cidade de Shiraz, no Irã, quando o divórcio, em 2013, entregou a guarda da filha ao ex-marido. Ela ficou seis meses sem poder ver a menina. Em 2015 deixou o país como refugiada e recomeçou do zero no Reino Unido.

Ela já tinha construído algo raro antes de perder tudo. Na cidade de Shiraz, no sul do Irã, a confeiteira Sana Pishgoo foi a primeira mulher a conseguir licença para abrir um café, atividade até então autorizada apenas a homens. Em 2013, um divórcio derrubou essa vida inteira, conforme reportagem de MaryLou Costa publicada pelo portal Reasons to be Cheerful em junho de 2026 e repercutida pelo ND Mais em 27 de julho, com texto de Leandra da Luz.

Pela legislação iraniana, a guarda da filha foi automaticamente concedida ao ex-marido, que não permitiu contato entre mãe e filha durante seis meses. Para reverter a decisão, ela travou uma disputa judicial longa e aceitou abrir mão dos valores que receberia na separação. Recuperou a guarda, mas o medo de que a situação se repetisse a levou a sair do país em 2015, com destino ao Reino Unido, na condição de refugiada.

O que a lei determinava

O ponto de partida dessa história não é uma escolha pessoal, é uma regra jurídica. A concessão automática da guarda ao pai colocou Sana em uma posição em que negociar dinheiro pela convivência com a própria filha se tornou o caminho disponível.

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Foram seis meses sem contato nenhum. Sobre esse período, ela descreve o estado como devastação, somado ao pânico de que tudo pudesse acontecer outra vez. Foi esse cálculo, e não a busca por oportunidade, que definiu a saída do país. Ela mesma resume a decisão dizendo que deixaram tudo para trás.

Recomeçar aos 34 anos em outro idioma

Ela abriu mão do que receberia no divórcio para reaver a guarda da filha, saiu do Irã como refugiada e hoje é confeiteira com casa própria no norte de Londres.

A chegada ao Reino Unido em 2015 significou reconstruir carreira do início. A condição de refugiada deu a ela acesso a programas de formação gratuita, e Sana aproveitou o que estava disponível: qualificações de cozinheira, confeitaria, decoração de bolos e panificação com fermentação natural.

O acúmulo de cursos não era colecionismo. Cada certificação abria uma porta específica no mercado britânico de alimentação, que trabalha com exigência formal de qualificação para funções de cozinha. A confeiteira passou a trabalhar em padaria em Londres, empregada, com a experiência iraniana convertida em ponto de partida em vez de currículo perdido.

A demissão que virou a virada

Em 2020, com a pandemia de covid, ela perdeu o emprego na padaria londrina. Foi nesse momento, sem trabalho e sem plano imediato, que um antigo chefe fez uma sugestão que mudou o rumo: participar de um curso gratuito da Well Grounded, organização que prepara pessoas desempregadas para atuar no setor de cafés.

O detalhe importante é o que o curso oferecia além da técnica. Ele ensinava a preparar café de qualidade, sim, mas também explicava o funcionamento do mercado e trabalhava a capacidade de administrar um negócio próprio. Para alguém que já tinha sido dona de um café no Irã, isso significava reconectar uma competência antiga a um contexto completamente novo.

A confeitaria que juntou duas coisas

Em 2021, um ano depois da formação, Sana abriu a Shiraz Patisserie, no norte de Londres. A decisão foi unir os doces tradicionais persas ao café de especialidade, dois repertórios que raramente aparecem no mesmo balcão.

O cardápio explica o diferencial melhor do que qualquer descrição de marca. Há biscoitos nokodchi, feitos com farinha de grão de bico, e bolos preparados com açafrão, frutas secas e água de rosas, ingredientes que definem a confeitaria iraniana e que não fazem parte do padrão britânico. O nome do estabelecimento é o da cidade que ela deixou para trás.

Do bairro para a comunidade iraniana

A casa se firmou em duas frentes ao mesmo tempo. Virou ponto de referência para moradores da região e, simultaneamente, endereço procurado pela comunidade iraniana de Londres, que encontra ali sabores que não estão disponíveis em qualquer lugar da cidade.

Essa dupla clientela é o que sustenta o negócio. Vender apenas nostalgia limitaria o público a um grupo específico, e vender apenas café de especialidade colocaria a confeiteira em concorrência direta com centenas de casas londrinas. A combinação dos dois resolveu a equação. A própria Sana descreve a operação como uma forma de trazer Shiraz para Londres e oferecer esse lugar a quem entra.

O que ela diz ter aprendido de verdade

Perguntada sobre o maior ganho do curso de café, a resposta dela não é técnica. Sana afirma que aprendeu a fazer café da maneira correta, mas que aprendeu principalmente a ter confiança como dona de um negócio.

A distinção importa porque descreve o que costuma faltar a quem recomeça em outro país. Habilidade profissional ela já tinha, e em nível alto, tanto que havia conquistado uma licença inédita para mulheres na cidade natal. O que o deslocamento forçado tirou foi a segurança de se colocar como empresária em um mercado desconhecido, e foi esse ponto específico que a formação devolveu.

A filha por quem ela abriu mão de tudo

A parte final da história diz respeito à pessoa que motivou cada uma dessas decisões. A filha de Sana, aquela por quem ela renunciou aos valores do divórcio e deixou o país, estuda hoje na Universidade de Oxford.

Para a confeiteira, ver a filha na universidade enquanto o próprio negócio prospera é o retorno de uma escolha feita em condições muito piores. Ela segue à frente da cozinha da Shiraz Patisserie, desenvolvendo combinações que misturam referências iranianas e britânicas, e continua estudando e trocando experiência com outros profissionais do setor.

E você, já teve que recomeçar do zero em algum momento da vida? Conta aqui nos comentários o que foi mais difícil nessa fase, e diga também se você acha que cursos gratuitos de qualificação profissional funcionam de verdade para quem precisa de uma virada.

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mae


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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