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Conservadores retiram duas camadas de papel de parede de depósito em palácio e encontram 11 mapas dos anos 1930 com vulcão em erupção, criatura mítica e cenas de viagens preservadas após 1.600 horas de trabalho
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 23/07/2026 às 08:18
Curiosidades
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Um depósito aparentemente comum escondia uma sala inteira coberta por 11 mapas e aquarelas dos anos 1930. Após remover duas camadas de papel de parede e décadas de tinta, conservadores revelaram vulcões, cidades, animais e uma criatura fantástica.
Durante décadas, um depósito no interior do histórico Eltham Palace, em Londres, parecia guardar apenas vestígios comuns das diferentes ocupações do edifício. Pequenos fragmentos encontrados nas paredes, porém, indicaram que alguma coisa muito maior permanecia escondida sob o acabamento. Quando conservadores começaram a remover cuidadosamente duas camadas de papel de parede e décadas de tinta, apareceram cores, linhas geográficas e ilustrações feitas à mão. O cômodo escondia uma sala inteira decorada com 11 mapas de diferentes regiões do planeta.
O trabalho revelou um ambiente criado na década de 1930 para Stephen e Virginia Courtauld, proprietários da mansão Art Déco construída ao lado das estruturas medievais de Eltham. A restauração exigiu aproximadamente 1.600 horas de trabalho especializado.
Pequenos fragmentos revelaram uma sala escondida
A descoberta começou quando conservadores identificaram pedaços de mapas nas paredes de um espaço utilizado como depósito. O cômodo havia sido originalmente o escritório da secretária de Virginia Courtauld, responsável por auxiliar na organização das atividades e viagens da família.
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A presença daqueles fragmentos levantou a possibilidade de que o papel de parede escondesse uma decoração mais extensa. A equipe iniciou então uma investigação cuidadosa, retirando gradualmente as camadas aplicadas sobre as paredes ao longo das décadas.
O que parecia ser apenas uma pequena imagem revelou-se parte de um conjunto completo. Conforme o revestimento era removido, os conservadores perceberam que praticamente todo o ambiente havia sido transformado numa representação ilustrada das viagens dos Courtauld.
Duas camadas de papel escondiam 11 mapas
As pinturas estavam cobertas por duas camadas de papel de parede, além de sucessivas aplicações de tinta. Essas intervenções esconderam as imagens durante décadas, mas também impediram que parte da decoração fosse diretamente exposta à luz e ao contato cotidiano.
Por baixo dos revestimentos, os especialistas encontraram 11 mapas representando lugares distribuídos pelo mundo. As imagens eram acompanhadas por aquarelas, personagens, monumentos, animais, meios de transporte e referências às regiões representadas.
A sala não funcionava apenas como uma composição decorativa. Ela estava ligada ao interesse de Stephen e Virginia Courtauld por viagens internacionais e ajudava a família e sua secretária a planejar deslocamentos, expedições e longos cruzeiros realizados a bordo de um iate particular.
Vulcão, criatura mítica e Papai Noel aparecem nas paredes
Entre as imagens recuperadas estava a representação de um vulcão em erupção, posicionada ao lado de um mapa geológico. Próximo ao mapa de Londres, os conservadores encontraram aviões, a Catedral de São Paulo e o brasão da cidade acompanhado pela bandeira do Reino Unido.
Outra cena mostrava o Papai Noel atravessando o céu da Islândia em seu trenó. Também foi identificada uma criatura mítica segurando elefantes com suas garras, uma das imagens mais incomuns de todo o conjunto recuperado pela equipe.
As paredes ainda apresentavam figuras associadas a diferentes culturas e regiões, incluindo templos balineses, personagens japoneses, um camelo com seu condutor, uma pagoda e elementos marinhos próximos ao mapa geológico mundial.
Mapas registravam as viagens dos Courtauld
Stephen e Virginia Courtauld eram conhecidos por viajar com frequência e documentar suas experiências em fotografias, álbuns e diários. Muitas viagens eram realizadas a bordo do iate Virginia, utilizado pelo casal em deslocamentos pela Europa e por outras regiões do mundo.
Os mapas e murais provavelmente foram concebidos para recordar os lugares visitados e auxiliar no planejamento de novas viagens. O conjunto criava uma espécie de diário geográfico permanente, no qual cartografia, memória e decoração apareciam reunidas nas paredes.
A presença de referências tão diferentes, de Londres e Islândia até Bali e Nova Guiné, demonstra a escala dos interesses geográficos da família. O ambiente também ajuda a reconstruir como famílias ricas do período utilizavam mapas, imagens e registros de viagem antes da popularização dos recursos digitais.
Conservadores trabalharam diretamente sobre papel frágil
A recuperação foi especialmente complexa porque os mapas e as ilustrações não haviam sido pintados diretamente sobre o reboco. As imagens estavam sobre um papel de revestimento aplicado à parede, material que havia se tornado extremamente frágil depois de décadas escondido.
Os especialistas utilizaram bisturis para retirar lentamente os resíduos de tinta e papel de parede. O processo precisava evitar cortes, arranhões ou a remoção acidental da camada pictórica original, exigindo controle preciso sobre cada pequena área trabalhada.
Depois da exposição das imagens, a equipe removeu uma camada amarelada de verniz que alterava as cores. Nos pontos em que o papel estava se desprendendo do reboco, os conservadores injetaram adesivo nos espaços vazios para fixar novamente o material à parede.
Restauração consumiu 1.600 horas de trabalho
A recuperação completa da Sala dos Mapas exigiu aproximadamente 1.600 horas de trabalho dos conservadores. A duração demonstra a fragilidade das pinturas e a necessidade de realizar cada etapa sem comprometer um conjunto que sobrevivera escondido por quase oito décadas.
Parte do projeto foi realizada diante dos visitantes de Eltham Palace. O público pôde acompanhar os profissionais retirando os revestimentos, limpando as imagens e estabilizando o papel, transformando a própria conservação em uma atividade educativa.
A intervenção contou com recursos provenientes de doações públicas destinadas à English Heritage. O financiamento permitiu contratar especialistas, proteger as partes deterioradas e preparar o espaço para que os mapas e murais pudessem ser apresentados aos visitantes.
Palácio medieval foi transformado em mansão Art Déco
Eltham Palace foi uma importante residência real durante a Idade Média e o período Tudor. O grande salão preservado no complexo foi construído para Eduardo IV na década de 1470 e esteve ligado à infância do futuro rei Henrique VIII.
Em 1933, Stephen e Virginia Courtauld obtiveram o direito de ocupar o terreno e contrataram os arquitetos John Seely e Paul Paget. O projeto restaurou o salão medieval e acrescentou uma residência moderna, concluída em 1936 e decorada com interiores Art Déco.
O resultado reuniu estruturas separadas por vários séculos. O conjunto passou a combinar muralhas, fosso e salão medieval com uma mansão equipada com aquecimento, sistemas de comunicação, banheiros luxuosos, bares embutidos e soluções inspiradas em navios modernos.
Cômodo perdeu sua função e virou depósito
A Sala dos Mapas era originalmente utilizada como escritório da secretária de Virginia Courtauld. Ali eram organizados compromissos e planejadas viagens internacionais, incluindo os cruzeiros realizados pela família em seu iate.
Depois que os Courtauld deixaram Eltham no fim da Segunda Guerra Mundial, o edifício passou por novas ocupações e adaptações. A antiga sala foi transformada em depósito, enquanto sua decoração acabou coberta por tinta e papel de parede.
Com o desaparecimento visual dos mapas, a função original do espaço também foi esquecida. Somente os pequenos fragmentos encontrados pelos conservadores permitiram reconhecer que aquelas paredes escondiam uma das decorações mais pessoais da mansão.
Descoberta recuperou parte da identidade de Eltham Palace
A restauração não recuperou apenas objetos decorativos. Os mapas oferecem evidências materiais sobre os interesses, as viagens e o cotidiano de Stephen e Virginia Courtauld durante o período em que transformaram Eltham Palace numa das residências mais modernas da Inglaterra.
O conjunto também demonstra como reformas realizadas ao longo do tempo podem apagar temporariamente partes importantes de um edifício. Neste caso, uma antiga sala de trabalho desapareceu sob revestimentos comuns e permaneceu desconhecida mesmo estando dentro de um palácio administrado como patrimônio histórico.
Após a conservação, a Sala dos Mapas passou a integrar o percurso aberto ao público. Os visitantes podem observar as imagens recuperadas e compreender como um depósito aparentemente comum escondia 11 mapas, aquarelas e registros de viagens preservados por décadas atrás das paredes.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

