Mais de 90 equipes de corredores fantasiados celebraram os 60 anos da Grande Corrida de Camas de Knaresborough em 14 de junho de 2026, na região de Yorkshire, no Reino Unido. Organizado pelo clube de serviços Knaresborough Lions com o objetivo de arrecadar fundos para a comunidade, o evento exigiu que grupos compostos por seis atletas empurrassem camas com um passageiro deitada ao longo de um circuito de paralelepípedos e ladeiras medievais.
O ápice do percurso, considerado o mais desafiador de toda a prova, ocorreu na travessia a nado das águas geladas e de correnteza forte do rio Nidd.
O que você precisa saber
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Origem histórica: o evento nasceu em 1966 com apenas quatro equipes de forças armadas britânicas e americanas e uso de rainhas da beleza como passageiras.
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Dupla dinâmica: a festividade divide-se entre um desfile matinal de camas decoradas — com o tema “anos 1960” em 2026 — e uma competição atlética severa à tarde.
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Regras rígidas: as equipes usam propulsão 100% humana, as camas devem seguir dimensões exatas e o passageiro é obrigado a vestir capacete e colete salva-vidas.
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Obstáculo natural: o percurso inclui gramados, ladeiras, trechos urbanos e exige cruzar o leito do rio Nidd a nado antes da linha de chegada.
A histórica edição de 2026 consagrou-se como um marco esportivo com a quebra de recordes históricos da chamada “era moderna” do circuito. A equipe Knaresborough Striders Men conquistou o título principal ao cravar o tempo de 12 minutos e 50,1 segundos, superando por menos de um segundo a marca que já durava 12 anos.
No cenário feminino, a equipe Squashed Hearts também fez história ao cravar 15 minutos e 33,6 segundos, estabelecendo o novo recorde mundial de velocidade para mulheres na modalidade de corrida de camas.
Da folia de Carnaval ao teste de resistência
O “grande espetáculo” começa com contornos puramente festivos antes de se transformar em uma disputa severa de resistência. Pela manhã, as equipes se reúnem no Castelo de Knaresborough para exibir suas alegorias de acordo com o tema anual, que neste ano celebrou os “anos 1960 vibrantes” em homenagem ao ano de fundação da prova.
“O tema homenageará um evento comunitário espetacular, a estrela mais brilhante do calendário de Knaresborough, e que coloca a cidade firmemente no mapa internacional”, contextualiza Jatinder Singh Kalsi, presidente da Corrida de Camas dos Lions.
Após os desfiles e as premiações de melhor fantasia, o clima de brincadeira dá lugar à seriedade: os adornos são removidos das estruturas metálicas e de madeira, as fantasias pesadas são deixadas de lado e os atletas se preparam para o esforço físico intenso.
“Os corredores têm de estar em boa forma física, serem fanáticos e, francamente, um pouco malucos”, define Nigel Perry, membro dos Lions e responsável pela compilação histórica do evento. Segundo ele, a função do passageiro também é estratégica, exigindo leveza, agilidade e boa aptidão técnica para nadar enquanto segura a estrutura da cama na água.
O brutal campo de jogo de Yorkshire
As regras da competição são minuciosas para evitar trapaças e garantir a segurança, limitando o tamanho das rodas a até 260 mm e proibindo terminantemente motores e o consumo de álcool. Cumpridas as exigências, o traçado da cidade medieval revela-se um adversário impiedoso até mesmo para os corredores mais experientes de Yorkshire.
As equipes enfrentam taludes íngremes, a Praça do Mercado e a High Street antes de despencarem em direção ao desfiladeiro do rio Nidd, onde o cansaço acumulado testa o limite de equilíbrio do grupo.
Tamanha exigência física justifica o prestígio dos tempos conquistados pelas equipes de ponta. Embora o recorde histórico absoluto de 11 minutos e 35 segundos pertença à equipe Record Breakers desde 1998 — conquistado em um ano de cheia que forçou um desvio terrestre —, os resultados obtidos em 2026 provam que o nível técnico do evento segue evoluindo após seis décadas.

