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Criado numa praia do Sul de Santa Catarina, ele encarou um paredão de Nazaré na remada, sem moto aquática, e a onda virou a sexta indicação dele ao Oscar das Ondas Gigantes

Criado numa praia do Sul de Santa Catarina, ele encarou um paredão de Nazaré na remada, sem moto aquática, e a onda virou a sexta indicação dele ao Oscar das Ondas Gigantes

5 min de leitura

Criado numa praia do Sul de Santa Catarina, ele encarou um paredão de Nazaré na remada, sem moto aquática, e a onda virou a sexta indicação dele ao Oscar das Ondas Gigantes

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 31/07/2026 às 21:10

Atualizado em 31/07/2026 às 21:28

Curiosidades

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Catarinense encarou o paredão de Nazaré na remada, sem moto aquática, e a onda rendeu a sexta indicação dele ao Big Wave Challenge.

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Vini dos Santos entrou sozinho, só com a força dos braços, numa das ondas mais temidas do planeta. O feito aconteceu em março de 2026 na Praia do Norte, em Portugal, e rendeu ao surfista catarinense mais uma indicação ao Big Wave Challenge, premiação criada em 2000 e apelidada de Oscar das Ondas Gigantes.

Existe uma diferença enorme entre ser rebocado por uma moto aquática e entrar remando. Foi pela segunda via que Vini dos Santos encarou o paredão de Nazaré, em Portugal, em março de 2026, e essa onda rendeu a ele a sexta indicação ao Big Wave Challenge, conhecido no meio como Oscar das Ondas Gigantes, conforme reportagem de Lutheska Fogaça publicada pelo ND Mais em 31 de julho de 2026.

O anúncio saiu em 29 de julho, nas redes sociais da organização da premiação, com um vídeo do momento em que ele desce a montanha de água. O surfista descreveu a descida como a melhor de toda a temporada. Natural de Florianópolis e criado em Imbituba, no Sul catarinense, ele acumula agora seis indicações à premiação.

O que significa entrar na remada em Nazaré

Catarinense encarou o paredão de Nazaré na remada, sem moto aquática, e a onda rendeu a sexta indicação dele ao Big Wave Challenge.

Nazaré ganhou notoriedade mundial pelas imagens de surfistas puxados por motos aquáticas na modalidade tow in. O reboque resolve um problema físico específico: a onda se forma rápido demais e com massa de água grande demais para que alguém consiga acompanhar a velocidade dela só com braçadas.

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A remada dispensa esse auxílio. O atleta precisa gerar velocidade suficiente apenas com a força dos braços, posicionado dentro de um mar que Vini classifica como extremamente bravo. Segundo ele, é uma categoria muito mais robusta justamente porque a exposição ao oceano é total, sem embarcação por perto para resgate imediato. A escolha pela remada é a característica que define a carreira dele.

A onda que veio depois das quedas

O caminho até aquela descida não foi limpo. O surfista relata meses intensos de treinamento e uma sequência de episódios duros dentro d’água antes de conseguir a onda que agora concorre ao prêmio.

Ele menciona ter tomado onda na cabeça e sofrido grandes wipeouts, termo do esporte para as quedas em que o surfista perde o controle da prancha e é arremessado ou puxado pela força da massa de água. Em Nazaré, um wipeout pode significar minutos submerso e dezenas de metros de deslocamento involuntário. Foi depois dessa sequência que a onda apareceu na direção dele, e ele estava, nas próprias palavras, no lugar certo e na hora certa.

Ver as imagens mudou a percepção do próprio feito

Existe um detalhe curioso no relato de quem surfa ondas desse porte: o surfista não enxerga a dimensão do que fez enquanto está dentro dela. Vini terminou a descida comemorando, mas foi ao assistir ao registro em vídeo que a escala apareceu.

Ele descreveu a sensação diante das imagens como algo surreal, e afirmou nunca ter visto uma onda sua daquela forma. Para o atleta, o vídeo funcionou como a materialização de tudo o que treinou e se dedicou ao longo da temporada. Meses depois veio a validação externa, com a indicação à premiação.

Do guarda vidas em Florianópolis ao circuito mundial

A trajetória começou muito antes de Nazaré. Ele surfa desde os três anos, no verão de 1994, e desceu a primeira onda grande aos 10 anos na Praia da Vila, em Imbituba, usando a prancha do pai. As referências que o levaram a mirar ondas gigantes foram surfistas brasileiros da geração anterior, entre eles Danilo Couto, Márcio Freire e Yuri Soledade.

Antes de viver de surfe, trabalhou como guarda vidas na Praia da Joaquina, em Florianópolis, e frequentou a universidade. Juntou dinheiro e passou a viajar para os destinos conhecidos por ondas grandes, chegou a morar no Havaí e ouviu falar de Nazaré por meio do surfista Garrett McNamara, que popularizou o local no circuito internacional. O currículo inclui Jaws, Mavericks e Punta de Lobos, além de finais em competições na Espanha e no Chile.

O prêmio que virou referência do surfe de ondas grandes

O Big Wave Challenge foi criado em 2000 por Bill Sharp e circulou por anos sob o nome XXL Big Wave Awards. A premiação reúne anualmente os principais nomes do surfe de ondas gigantes e distribui prêmios para os maiores feitos registrados ao redor do mundo, com categorias que incluem melhor onda do ano, maior onda, melhor queda e surfista do ano.

O formato dá peso tanto a quem surfa quanto a quem registra, já que uma indicação depende de imagem de qualidade suficiente para permitir a avaliação dos jurados. Vini já havia sido finalista em três categorias na edição referente à temporada 2020 e 2021, quando concorreu em maior remada, melhor onda do ano e melhor performance da temporada.

O episódio dos 100 pés e a prancha no museu

Assista o vídeo

A relação dele com Nazaré rendeu um capítulo que atravessou o noticiário internacional. Em fevereiro de 2022, ele surfou uma onda que chegou a ser apontada como possível recorde mundial de tamanho, com medições submetidas à avaliação da World Surf League e de especialistas do Guinness.

Naquela ocasião, ao contrário do habitual, ele foi rebocado por Lucas Chumbo. Sobre o assunto, na época, disse não viver obcecado por recordes e considerar uma nova indicação ao Big Wave Awards já um grande resultado. A maior onda que surfou na remada em Nazaré rendeu outro reconhecimento: a prancha usada por ele está exposta no Museu Forte de São Miguel Arcanjo, na própria cidade portuguesa. Em novembro de 2025, o surfista foi homenageado em Florianópolis.

O que vem pela frente

Enquanto o resultado da premiação não sai, a preparação já recomeçou. Ele mantém a rotina física em Santa Catarina, com treinos em Florianópolis e Imbituba, além de sessões de fisioterapia.

O calendário determina o ritmo. A temporada europeia de ondas gigantes recomeça em outubro em Nazaré, e o objetivo declarado é chegar pronto para ela. Quem surfa na remada depende de condicionamento cardiorrespiratório e de capacidade de apneia em nível que não se improvisa em poucas semanas.

E você, entraria numa água dessas sem moto aquática para te puxar? Conta aqui nos comentários se você já surfou alguma vez, e diga também qual praia de Santa Catarina você acha que forma os melhores surfistas.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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