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Da TV para o campo, Ratinho fechou a cadeia inteira do café, cultiva mais de 1,3 milhão de pés numa fazenda no Paraná e leva o próprio grão às prateleiras com uma marca que cresceu rápido no Sul e no Sudeste
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 31/07/2026 às 14:28
Curiosidades
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Comprada em 2004 por R$ 9 milhões, a Fazenda Ubatuba, em Apucarana, tem 1.100 hectares e está avaliada hoje em cerca de R$ 80 milhões. A propriedade já era tradicional na cafeicultura antes da aquisição e sustenta uma marca que chegou às cinco mais vendidas do país.
O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, de 70 anos, mantém em Apucarana, no norte do Paraná, uma lavoura com 1,3 milhão de pés de café, conforme reportagem publicada pela revista CARAS, que cita levantamento do portal Compre Rural. A propriedade se chama Fazenda Ubatuba e é a mais conhecida do conjunto de terras que o comunicador acumulou ao longo de décadas.
O café produzido ali não para na porteira. A produção alimenta a marca Café no Bulé, criada em parceria com o Grupo 2 Irmãos, que chegou ao posto de quinta mais vendida do Brasil. É o percurso completo, da muda ao pacote no supermercado, movimento que poucos produtores conseguem fechar e que transformou o apresentador em nome conhecido também no agronegócio.
A fazenda que já era cafeeira antes de trocar de dono
Um detalhe importante costuma se perder nas manchetes sobre o assunto. A Fazenda Ubatuba não virou produtora de café depois da compra: ela já era uma produtora relevante do grão antes de mudar de proprietário, e a lavoura atual mantém uma tradição que a área carregava.
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Isso muda a leitura do investimento. Comprar uma fazenda com vocação cafeeira consolidada é diferente de converter uma área de pasto ou de grãos para café, operação que exige anos até o primeiro ciclo produtivo relevante, já que o cafeeiro leva cerca de três anos para entrar em produção comercial.
O mérito da gestão está em manter e ampliar uma estrutura que já funcionava, não em criar um polo do zero. A propriedade tem 1.100 hectares e não vive só de café: soja e milho também são cultivados na área, diversificação comum no norte paranaense e que reduz a dependência de uma única cotação.
De R$ 9 milhões em 2004 a cerca de R$ 80 milhões
Os números da aquisição ajudam a dimensionar o negócio. A fazenda foi comprada em 2004 por R$ 9 milhões e hoje é avaliada em torno de R$ 80 milhões, valorização que combina o encarecimento das terras agrícolas no Paraná com os investimentos feitos na infraestrutura, incluindo irrigação e manejo.
Vale registrar a natureza desse número: trata se de avaliação de mercado divulgada em reportagens sobre o patrimônio rural do apresentador, não de valor de transação recente nem de laudo público. Terra agrícola é ativo que oscila conforme a região, a aptidão do solo e o momento do mercado de commodities.
Ainda assim, a ordem de grandeza é consistente com o que aconteceu no setor. Quem comprou terra produtiva no Paraná há duas décadas viu o ativo multiplicar de valor, independentemente de quem seja o proprietário, e a Ubatuba se beneficiou dessa curva junto com o restante da região.
O que significa uma lavoura com 1,3 milhão de pés
O número de 1,3 milhão de cafeeiros é o dado que mais impressiona quem não conhece a escala do setor. Em plantios adensados, comuns em áreas mecanizadas, a densidade pode passar de quatro mil plantas por hectare, o que coloca a lavoura na faixa das grandes produtoras da região.
A operação conta com sistemas de irrigação e colheita mecanizada, combinação que muda completamente a equação de custo. Colheita manual de café é uma das etapas mais caras e mais dependentes de mão de obra sazonal do calendário agrícola, e mecanizar essa fase é o que viabiliza produzir em larga escala com margem apertada.
Escala e custo baixo são justamente a marca da gestão que o apresentador aplica no campo, característica apontada em reportagens sobre o grupo. É a mesma lógica de quem trabalha com volume: ganhar pouco por unidade e muito no total.
Café no Bulé, da lavoura para a prateleira
O passo que diferencia o negócio de tantas outras fazendas de grande porte foi verticalizar. Em vez de vender apenas o grão cru para cooperativas e traders, Ratinho entrou no mercado consumidor com marca própria, o Café no Bulé, desenvolvido em parceria com o Grupo 2 Irmãos.
A estratégia deu resultado rápido. O produto cresceu em volume de vendas nas regiões Sul e Sudeste e alcançou a posição de quinta marca de café mais vendida do país, patamar que exige capilaridade de distribuição e presença consistente em rede de supermercados.
A exposição na televisão pesou nessa trajetória, e não faz sentido fingir o contrário. Um comunicador com décadas de programa em rede nacional tem um ativo de reconhecimento que empresa nenhuma compra em poucos anos. Isso encurta a fase mais cara de qualquer marca nova, que é fazer o consumidor saber que ela existe.
Um grupo com 19 propriedades entre o Paraná e o Acre
A Fazenda Ubatuba é a mais conhecida, mas não é a única. O conjunto de terras reunido pelo apresentador soma 19 propriedades, segundo informações do Compre Rural, com maior concentração no Paraná e no Acre, formando o braço rural do Grupo Massa.
A atuação vai além do café. As áreas incluem gado de corte, soja, milho e outros grãos, distribuição que dilui risco entre culturas com ciclos e mercados diferentes. Quebra de safra em uma lavoura ou queda de preço em uma commodity não derruba a operação inteira.
Essa arquitetura é mais parecida com um grupo empresarial do que com uma fazenda de celebridade, e ajuda a explicar por que o nome dele aparece com frequência em listas do agronegócio brasileiro, e não apenas em pautas de televisão.
A rotina de quem grava em São Paulo e administra lavoura no Paraná
Conciliar gravação diária em estúdio com a gestão de quase duas dezenas de propriedades exige método. A rotina descrita pelo próprio apresentador envolve contato telefônico diário com todas as fazendas durante a semana, mantendo o acompanhamento à distância enquanto cumpre a agenda de televisão.
Nos fins de semana, o modelo muda. Ele se desloca de avião, um King Air B200, de São Paulo para as propriedades, e confere pessoalmente o que foi relatado ao longo dos dias anteriores. A lógica é simples e conhecida de quem administra qualquer operação distante: relatório é útil, mas não substitui olhar a lavoura.
Esse acompanhamento presencial inclui vistoriar o andamento da colheita e avaliar maquinário, além do convívio com a família no campo. A gestão do grupo conta ainda com agrônomos e com a participação dos filhos nas empresas.
Do jornalismo policial ao auditório, e o dinheiro que virou terra
A origem do capital investido no campo está na trajetória pública e televisiva do apresentador. Ele entrou cedo na vida política, chegou a vereador aos 18 anos e foi eleito deputado federal em 1991, período em que também começava a carreira na comunicação como repórter policial.
A consolidação veio com os programas de auditório de grande audiência, formato que ele comandou por décadas e que o tornou um dos rostos mais reconhecidos da televisão brasileira, hoje no SBT. A renda obtida ao longo dos anos 1990 e 2000 foi direcionada principalmente à compra de propriedades rurais.
A escolha por terra em vez de aplicação financeira ou imóvel urbano é o que explica o tamanho atual do grupo. Foi uma aposta de longo prazo em um ativo que, no período em questão, valorizou de forma expressiva no Brasil.
O movimento mais recente: terras no Paraguai
O capítulo mais novo dessa trajetória não está mais no Paraná. Em vídeo publicado nas próprias redes sociais, o apresentador anunciou que se tornou residente permanente do Paraguai, decisão que ele mesmo vinculou ao objetivo de comprar terras.
A justificativa apresentada foi econômica: segundo ele, as condições para aquisição de área agrícola no país vizinho estão mais vantajosas do que no Brasil. O movimento acompanha uma tendência conhecida no setor, com produtores brasileiros comprando terra em países vizinhos onde o hectare custa menos.
Não há informação pública consolidada sobre o tamanho ou a localização das áreas eventualmente adquiridas, nem sobre quais culturas seriam exploradas. O que está confirmado é a mudança de status de residência e a motivação declarada por ele.
Uma trajetória construída com dinheiro de TV e decisões de fazendeiro
O que o caso mostra é menos uma história de celebridade com hobby no campo e mais uma operação rural de porte, com escala, verticalização e diversificação. A televisão financiou a compra e emprestou reconhecimento à marca, mas os números da lavoura seguem a lógica do agronegócio, não a do entretenimento.
O ponto de virada foi a decisão de não parar na porteira. Vender grão cru é ser fornecedor de commodity, com preço definido por cotação internacional. Colocar o próprio café na prateleira é disputar espaço com marcas centenárias e capturar a margem do varejo, terreno bem mais difícil e bem mais rentável.
E você, já comprou café de marca de celebridade sem saber quem estava por trás? Acha que a fama abre porta no supermercado ou que o produto tem que se sustentar sozinho na prateleira? Conta nos comentários se você toparia trocar a sua marca de sempre pela do Ratinho.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

