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Décadas antes de celulares e aulas pela internet, brasileiros ligavam a televisão para concluir os estudos, resolviam exercícios em apostilas e encontravam orientação dentro de fábricas e comunidades

Décadas antes de celulares e aulas pela internet, brasileiros ligavam a televisão para concluir os estudos, resolviam exercícios em apostilas e encontravam orientação dentro de fábricas e comunidades

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Décadas antes de celulares e aulas pela internet, brasileiros ligavam a televisão para concluir os estudos, resolviam exercícios em apostilas e encontravam orientação dentro de fábricas e comunidades

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 31/07/2026 às 21:06

Indústria

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Em 1978, o Telecurso começou a levar ensino médio pela televisão a adultos que não haviam terminado os estudos.

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Em 1978, o Telecurso começou a levar ensino médio pela televisão a adultos que não haviam terminado os estudos. As teleaulas eram acompanhadas por apostilas, exercícios e orientação presencial em telessalas instaladas dentro de empresas, comunidades e outros espaços adaptados.

Uma televisão de tubo ligada cedo, uma apostila aberta sobre a mesa e um trabalhador estudando antes ou depois do expediente formavam uma cena comum para quem acompanhava o Telecurso. Muito antes dos celulares e das aulas pela internet, brasileiros usavam a televisão para retomar os estudos.

O programa começou em 1978 com a missão de levar ensino médio pela televisão a adultos que não haviam concluído essa etapa. O conteúdo chegava por meio das teleaulas, mas o processo também envolvia leitura, exercícios e orientação presencial.

A Fundação Roberto Marinho, instituição sem fins lucrativos que realiza projetos na área educacional, registra que o Telecurso 2º Grau foi lançado em parceria com a Fundação Padre Anchieta. As aulas eram transmitidas diariamente pela Globo e por outras emissoras.

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Quando a televisão de tubo começou a funcionar como sala de aula

O Telecurso 2º Grau nasceu como uma alternativa de educação supletiva e a distância. A educação supletiva atendia pessoas que não haviam terminado os estudos no período esperado e precisavam recuperar essa etapa.

A televisão ampliava o alcance das aulas porque permitia levar o mesmo conteúdo a diferentes regiões. O aluno não precisava estar diante do professor no momento da explicação, pois acompanhava as matérias pela tela.

Quando a televisão de tubo começou a funcionar como sala de aula

Para muitos adultos, essa possibilidade ajudava a conciliar trabalho, família e estudo. A teleaula podia ser acompanhada em casa ou em uma sala preparada para receber estudantes.

A televisão, entretanto, não fazia todo o trabalho. O aluno precisava manter uma rotina de leitura, acompanhar as explicações e resolver os exercícios apresentados nos materiais.

Apostilas e exercícios completavam as explicações transmitidas pela televisão

As teleaulas eram apenas uma parte do sistema educacional. As apostilas do Telecurso organizavam as matérias e permitiam que o estudante retomasse os conteúdos depois da transmissão.

Os exercícios ajudavam a praticar o que havia sido apresentado na tela. Em vez de apenas assistir ao programa, o aluno precisava ler, escrever e responder às atividades.

Essa combinação aproximava o Telecurso de uma experiência escolar completa. A televisão apresentava a explicação, enquanto o material impresso permitia revisar a matéria no ritmo disponível para cada estudante.

O funcionamento mostra que o ensino não dependia somente do aparelho. Televisão, apostilas, exercícios e acompanhamento trabalhavam juntos para manter o aluno envolvido com os estudos.

Telessalas transformaram fábricas e comunidades em espaços educacionais

As telessalas eram ambientes preparados para receber grupos de estudantes. Elas podiam funcionar em empresas, comunidades e outros locais adaptados, sem depender da estrutura de uma escola tradicional.

Dentro das fábricas, o modelo aproximava o ensino da rotina dos trabalhadores. Uma televisão, os materiais didáticos e a presença de um orientador permitiam organizar os encontros no próprio ambiente empresarial.

Imagem: Aula de 1978 do Telecurso com apresentação de Marco Nanini

Em comunidades e regiões distantes, as telessalas levavam conteúdo escolar a pessoas que enfrentavam dificuldades para frequentar aulas presenciais. Uma sala comum podia ganhar função educacional com uma estrutura relativamente simples.

A orientação presencial também evitava que o estudante ficasse limitado à transmissão televisiva. O orientador ajudava a conduzir as atividades e a manter uma rotina organizada de aprendizagem.

Telecurso 2000 reuniu experiências anteriores e ampliou o modelo

A experiência ganhou uma nova frente em 1981, quando foi lançado o Telecurso 1º Grau. O programa passou a atender conteúdos ligados ao ensino fundamental e combinava televisão, rádio e material impresso.

Em 1995, as experiências anteriores deram origem ao Telecurso 2000. Apesar do nome, o programa começou cinco anos antes da chegada do ano 2000 e foi criado para atender pessoas que ainda precisavam concluir a educação básica.

A Fundação Roberto Marinho, instituição sem fins lucrativos que realiza projetos na área educacional, situa o lançamento do Telecurso 2000 em 1995 e relaciona sua criação às experiências dos programas anteriores.

A nova fase manteve a televisão como ferramenta de grande alcance e reforçou a combinação com materiais pedagógicos. O Telecurso 2000 reuniu conteúdos do ensino fundamental e do ensino médio em uma estrutura voltada a diferentes espaços de aprendizagem.

Educação de jovens e adultos encontrou outra forma de chegar aos alunos

O modelo foi utilizado em programas de Educação de Jovens e Adultos, conhecida pela sigla EJA. Essa modalidade atende pessoas que não conseguiram concluir a educação básica no período esperado.

O Telecurso também esteve presente em ações destinadas a corrigir a defasagem entre idade e série. Essa situação ocorre quando o estudante está em uma etapa escolar abaixo daquela normalmente esperada para sua idade.

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Adultos trabalhadores, jovens com atraso na trajetória escolar e moradores de comunidades remotas estavam entre os públicos que podiam ser alcançados pelo formato. Na prática, as teleaulas abriam outro caminho para retornar aos estudos.

O método também possuía limites. A necessidade de apostilas, atividades e orientação mostrava que assistir à televisão não era suficiente para garantir o aprendizado. O estudante precisava participar e manter contato com os materiais.

Conteúdo saiu da programação aberta e chegou ao ambiente digital

A expansão da internet mudou a forma de acessar as teleaulas. O conteúdo deixou de depender exclusivamente do horário da televisão aberta e passou a ocupar também o ambiente digital.

Teleaulas, materiais didáticos e orientações de estudo ficaram disponíveis em novas telas. Computadores e celulares assumiram parte da função que antes pertencia à televisão de tubo.

A tecnologia mudou, mas o princípio permaneceu semelhante: usar meios de comunicação para aproximar o conteúdo escolar de quem encontra dificuldades para frequentar o ensino convencional.

A passagem da televisão para o ambiente digital também facilitou a consulta ao material em horários diferentes. O estudante ganhou mais liberdade para acessar conteúdos e organizar a própria rotina.

A história do Telecurso revela como o Brasil construiu uma infraestrutura educacional antes da internet. Televisões, apostilas, orientadores e salas adaptadas ajudaram a levar o ensino para locais que estavam fora do modelo escolar tradicional.

Desde 1978, o programa mostrou que uma tecnologia popular pode ampliar o acesso à educação quando existe material organizado e apoio humano. A televisão abriu o caminho, mas as apostilas e as telessalas transformaram a transmissão em uma experiência de estudo.

Se a internet ainda não existisse em sua rotina, você conseguiria manter os estudos apenas com televisão, apostilas e encontros presenciais, como fizeram tantos brasileiros?

Fonte

Fundação Roberto Marinho


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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