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Décadas antes de o GPS chegar aos celulares, filha de uma família que trabalhava numa fazenda programou um supercomputador gigante, calculou as deformações da Terra e ajudou satélites a localizar pontos com precisão

Décadas antes de o GPS chegar aos celulares, filha de uma família que trabalhava numa fazenda programou um supercomputador gigante, calculou as deformações da Terra e ajudou satélites a localizar pontos com precisão

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Décadas antes de o GPS chegar aos celulares, filha de uma família que trabalhava numa fazenda programou um supercomputador gigante, calculou as deformações da Terra e ajudou satélites a localizar pontos com precisão

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 28/07/2026 às 21:48

Ciência e Tecnologia

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Gladys West programava um supercomputador gigante para transformar o formato irregular da Terra em cálculos precisos

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Gladys West saiu de uma fazenda na Virgínia, estudou matemática e programou o IBM 7030 para criar modelos precisos do formato da Terra. Seus cálculos sobre gravidade, marés e órbitas contribuíram para a base científica que permite ao GPS localizar pontos com precisão por meio de satélites.

Décadas antes de o GPS chegar aos celulares, Gladys West programava um supercomputador gigante para transformar o formato irregular da Terra em cálculos precisos. O trabalho ajudou a aperfeiçoar a localização de pontos por meio de satélites.

A trajetória foi publicada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, órgão federal responsável pela defesa nacional. West foi contratada como matemática em 1956 e trabalhou com programação, astronomia, órbitas e modelos geodésicos.

Esses modelos representam matematicamente o tamanho e o formato do planeta. Sem essa referência, um satélite poderia calcular sua posição no espaço, mas teria dificuldade para relacioná la com precisão a um ponto específico da superfície terrestre.

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Da fazenda na Virgínia para a universidade

Gladys Mae Brown nasceu em Sutherland, no estado da Virgínia, em 27 de outubro de 1930. Ela passou grande parte da infância trabalhando na fazenda da família e decidiu buscar na educação um caminho diferente daquele disponível ao seu redor.

Gladys Mae Brown nasceu em Sutherland, no estado da Virgínia

Sua mãe trabalhava em uma fábrica de tabaco, enquanto seu pai atuava na ferrovia. A fazenda, porém, fazia parte da rotina familiar e mostrava a West as limitações profissionais que ela desejava superar.

A jovem estudou com dedicação e conquistou uma bolsa integral no Virginia State College, instituição pública historicamente ligada à formação da população negra. Ela concluiu a graduação em matemática em 1952 e obteve uma pós-graduação na mesma área em 1955.

A formação universitária abriu uma oportunidade rara para uma mulher negra que cresceu durante a segregação racial nos Estados Unidos. No ano seguinte, West ingressou em uma instalação da Marinha e começou uma carreira científica que duraria décadas.

A Marinha contratou Gladys West como matemática em 1956

Em 1956, Gladys West foi contratada pelo Campo de Testes Navais de Dahlgren, na Virgínia. Sua função envolvia programação e processamento de cálculos para projetos científicos e militares.

Computadores naquela época eram máquinas grandes, caras e difíceis de operar. Em vez de telas simples e programas prontos, os profissionais precisavam criar instruções detalhadas para que o equipamento realizasse cada sequência de cálculos.

A Marinha contratou Gladys West como matemática em 1956

No começo da década de 1960, West participou de um estudo astronômico que comprovou a regularidade do movimento de Plutão em relação a Netuno. O trabalho recebeu reconhecimento dentro do centro de pesquisa.

Essa experiência com astronomia e processamento numérico ajudou a preparar a matemática para uma tarefa ainda mais complexa: representar o planeta com precisão suficiente para calcular órbitas.

O IBM 7030 transformava informações em modelos da Terra

Entre os equipamentos programados por Gladys West estava o IBM 7030, supercomputador também conhecido como Stretch. A máquina processava grandes quantidades de informações por meio de algoritmos preparados pelos matemáticos.

Algoritmo é uma sequência organizada de instruções. West criava essas instruções para que o computador comparasse dados, corrigisse variações e produzisse modelos cada vez mais detalhados da Terra.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos, órgão federal responsável pela defesa nacional, registrou que o IBM 7030 foi programado por West para refinar os cálculos usados na representação do planeta.

Da metade da década de 1970 até a década de 1980, ela trabalhou com algoritmos capazes de considerar gravidade, marés e outras forças. Esses fatores alteram o formato ideal da Terra e interferem nos cálculos feitos a partir do espaço.

A Terra não é uma esfera perfeita

A Terra parece uma esfera quando é observada de longe, mas seu formato real apresenta irregularidades. O planeta é levemente achatado nos polos e mais largo na região próxima à linha do Equador.

Também existem variações provocadas pela distribuição da massa, pela gravidade, pelas marés e por outras forças. Embora muitas dessas diferenças não sejam percebidas no cotidiano, elas importam quando a localização precisa ser calculada por satélites.

A ciência usada para medir e representar essas características recebe o nome de geodesia. Em termos simples, ela cria um modelo matemático que funciona como uma referência para localizar cada ponto do planeta.

Os satélites de posicionamento enviam sinais que permitem calcular onde um aparelho está localizado.

Se o modelo adotado tratasse a Terra como uma esfera completamente regular, pequenas diferenças poderiam comprometer a posição calculada. Por isso, medir as deformações do planeta era uma etapa essencial para melhorar a precisão dos sistemas de localização.

Como os cálculos ajudaram satélites a localizar pontos

Os satélites de posicionamento enviam sinais que permitem calcular onde um aparelho está localizado. Para que esse cálculo funcione, é necessário conhecer com precisão a órbita de cada satélite e o formato da superfície usada como referência.

O modelo desenvolvido com a participação de Gladys West foi preparado para a órbita que posteriormente seria usada pelos satélites do Sistema de Posicionamento Global, conhecido pela sigla GPS.

Esse trabalho não criou sozinho o GPS, mas o trabalho de Gladys foi fundamental para tanto.

A contribuição de West esteve na base matemática e geodésica do sistema. Seus cálculos ajudaram a ligar a posição de um satélite no espaço a um ponto correspondente na Terra, etapa necessária para produzir localizações precisas.

Uma contribuição realizada décadas antes dos mapas digitais

Gladys West, fundamental para o sistema GPS, permaneceu trabalhando em Dahlgren durante 42 anos e se aposentou em 1998. Depois da aposentadoria, concluiu um doutorado em administração pública na Virginia Tech.

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Em 2018, ela entrou para o Hall da Fama dos Pioneiros Espaciais e de Mísseis da Força Aérea dos Estados Unidos. O reconhecimento destacou uma carreira que permaneceu pouco conhecida pelo público durante grande parte de sua vida.

West também recebeu o Prêmio Webby pelo conjunto da obra e a Medalha Príncipe Philip em 2021. As homenagens aproximaram sua história de uma geração acostumada a consultar mapas digitais, GPS, sem conhecer os cálculos que sustentam essa tecnologia.

A história de Gladys West mostra que a localização exibida em uma tela depende de décadas de pesquisa. Muito antes dos celulares, ela já programava máquinas gigantes para entender o formato da Terra e calcular órbitas com maior precisão.

Quanto da tecnologia usada diariamente ainda esconde contribuições decisivas como a de Gladys West? Comente e compartilhe esta história.

Fonte

WAR


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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