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Dentista de Bangladesh passou anos planejando uma casa improvável, substituiu tijolos por garrafas plásticas cheias de areia e começou a erguer uma residência térrea de 140 m², selando o plástico dentro do cimento para transformar lixo em paredes de até 5,5 metros de altura

Dentista de Bangladesh passou anos planejando uma casa improvável, substituiu tijolos por garrafas plásticas cheias de areia e começou a erguer uma residência térrea de 140 m², selando o plástico dentro do cimento para transformar lixo em paredes de até 5,5 metros de altura

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Dentista de Bangladesh passou anos planejando uma casa improvável, substituiu tijolos por garrafas plásticas cheias de areia e começou a erguer uma residência térrea de 140 m², selando o plástico dentro do cimento para transformar lixo em paredes de até 5,5 metros de altura

Escrito por Ana Alice

Publicado em 26/07/2026 às 20:36

Curiosidades

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Dentista em Bangladesh constrói casa de 140 m² com garrafas cheias de areia e cimento, em projeto estimado em 600 mil takas no país. (Imagem: Ilustrativa)

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Uma casa feita com garrafas cheias de areia chama atenção por esconder milhares de embalagens sob o cimento e unir baixo custo, reaproveitamento de resíduos e uma técnica construtiva incomum em Bangladesh.

Garrafas plásticas que normalmente seriam descartadas passaram a ocupar o lugar de grande parte dos tijolos nas paredes de uma casa em Bangladesh.

Preenchidos com areia e cobertos por cimento, os recipientes desapareceriam dentro da construção, deixando do lado de fora a aparência de uma residência convencional.

A obra foi iniciada pelo dentista Palash Chadra Barai em Rajihar, localidade do distrito de Barishal, no sul do país.

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Quando o projeto foi apresentado pelo jornal The Daily Star, em 21 de julho de 2020, a casa térrea ainda estava em construção.

O imóvel teria aproximadamente 1.512 pés quadrados, equivalentes a cerca de 140,5 metros quadrados.

A altura prevista era de 18 pés, ou aproximadamente 5,5 metros, enquanto o orçamento informado por Barai chegava a 600 mil takas.

Apesar de ter ficado conhecida como uma casa de garrafas, a residência não era formada apenas por plástico.

O proprietário afirmou que também utilizou tijolos, cimento, areia, barras de ferro e outros materiais empregados em construções convencionais.

Como garrafas plásticas cheias de areia viram paredes

O método adotado por Barai começou com uma tarefa simples, mas trabalhosa: preencher as garrafas com areia até transformá-las em unidades rígidas.

Depois de fechados, os recipientes foram posicionados lado a lado na parede.

O cimento aplicado ao redor manteve as peças unidas e cobriu o plástico, de modo que as garrafas deixariam de ficar visíveis após o acabamento.

Nesse sistema, os recipientes cumprem uma função semelhante à dos blocos de uma alvenaria.

A diferença está no formato arredondado e na necessidade de preencher os espaços entre cada garrafa com argamassa.

O plástico, portanto, não ficaria exposto no interior ou na fachada.

As paredes receberiam uma camada de cimento, escondendo os recipientes e protegendo-os do contato direto com o ambiente.

Barai contou que usou principalmente garrafas cheias de areia, mas manteve alguns tijolos no projeto.

Segundo ele, o piso e a cobertura também receberam barras de ferro, formando um sistema que combinava materiais reaproveitados e componentes tradicionais.

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Ideia surgiu depois de vídeos sobre casas de garrafas

A ideia não surgiu de uma formação específica em engenharia ou arquitetura.

Dentista de profissão, Barai disse que conheceu esse tipo de construção por meio de um vídeo publicado no YouTube.

Durante vários anos, ele acompanhou outros conteúdos sobre casas feitas com garrafas antes de decidir testar o método.

A passagem da curiosidade para a obra aconteceu após uma visita a uma residência semelhante.

“Seis meses antes, uma casa desse tipo havia sido construída em Madaripur. Eu a visitei, aprendi várias coisas e comecei a construir esta casa de garrafas”, afirmou Barai, em tradução livre.

Madaripur fica em outra parte de Bangladesh e serviu como referência prática para o projeto.

A visita permitiu ao dentista observar uma construção real, em vez de depender apenas das imagens vistas pela internet.

Ao iniciar a própria residência, Barai afirmou que realizava um sonho antigo.

Também declarou que acreditava estar construindo o primeiro imóvel desse tipo em toda a região sul do país, embora não tenha sido encontrada uma base pública que confirme essa posição.

Casa teria cerca de 140 metros quadrados

A construção foi erguida em uma área de 15 decimais de terra.

Em Bangladesh, o decimal é uma unidade usada na medição de terrenos e corresponde a um centésimo de acre.

Convertida para o sistema métrico, a área do lote era de aproximadamente 607 metros quadrados.

A residência ocuparia somente parte desse espaço.

O jornal informou que o imóvel teria 43 pés de comprimento e 36 pés de largura, equivalentes a aproximadamente 13,1 metros por 11 metros.

Essas medidas, entretanto, resultam em uma área um pouco superior aos 1.512 pés quadrados também citados na reportagem.

A estrutura de um pavimento está sendo construída em um terreno de 15 *decimals*, ao custo de seis *lakhs* de takas. Foto: Titu Das

O orçamento de 600 mil takas também foi apresentado como estimativa da obra.

Resistência a terremotos e tornados não foi comprovada

Barai afirmou que a construção seria mais resistente do que uma residência feita apenas com tijolos.

Também disse acreditar que o imóvel poderia suportar terremotos e tornados.

Essas declarações, no entanto, partiram do próprio proprietário.

A reportagem não apresentou projeto estrutural, laudo de engenharia, ensaio dos materiais ou aprovação técnica que comprovasse o desempenho específico da casa diante desses eventos.

Pesquisas realizadas em Bangladesh já avaliaram garrafas PET preenchidas com areia como unidades de construção.

Um estudo de 2016 encontrou resultados elevados de resistência à compressão em alguns corpos de prova feitos com garrafas e concreto.

Os resultados de laboratório não podem ser aplicados automaticamente a qualquer casa.

A segurança de uma edificação depende da fundação, das colunas, das vigas, das ligações entre as paredes, da qualidade da argamassa e da maneira como toda a estrutura reage em conjunto.

Outro estudo, publicado em 2024, concluiu que garrafas preenchidas com areia poderiam ser usadas em paredes sem função estrutural dentro das condições analisadas, mas não atingiram os requisitos adotados pelos pesquisadores para paredes responsáveis por sustentar cargas.

Os trabalhos mostram que o comportamento varia conforme o método empregado.

Por isso, a promessa de resistência a terremotos ou tornados exige avaliação específica da construção, e não apenas a presença de areia dentro das garrafas.

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Areia deixa as garrafas mais rígidas

Uma garrafa vazia é leve e pode se deformar com facilidade.

Quando preenchida e compactada com areia, ela ganha peso e passa a resistir melhor à pressão aplicada sobre sua superfície.

O preenchimento também impede que o recipiente seja esmagado com a mesma facilidade de uma embalagem vazia.

Ainda assim, a garrafa continua sendo apenas um componente da parede.

A argamassa ao redor distribui parte dos esforços, fecha os espaços e mantém as unidades na posição.

Já as barras de ferro mencionadas por Barai teriam participação no suporte de outras partes da residência.

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A moradia…

Ana Alice

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Estudos sobre paredes com garrafas de areia também analisam o comportamento térmico desse sistema.

Pesquisadores compararam esse tipo de parede com modelos tradicionais para entender como o calor atravessa os materiais, mas o desempenho depende da espessura, do preenchimento e da composição adotada.

Não foram divulgados testes térmicos da casa de Rajihar.

Assim, não há base segura para afirmar que ela seria mais fresca, mais quente ou mais eficiente do que uma construção convencional da região.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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