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Depois de acompanhar a mãe na luta contra o câncer e vê-la sofrer durante a quimioterapia, designer de 24 anos juntou a mala antiga dela, uma bateria de avião do pai, uma bomba e peças de computador para criar uma touca portátil que resfria o couro cabeludo longe das máquinas do hospital e conquistou prêmio médico global
Escrito por Ana Alice
Publicado em 28/07/2026 às 15:28
Ciência e Tecnologia
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Uma invenção nascida de objetos improváveis e de uma experiência familiar transformou o resfriamento do couro cabeludo em um projeto portátil, acessível e premiado, que continua despertando interesse na tecnologia médica.
Uma mala antiga, uma bateria usada em avião, uma pequena bomba e peças retiradas de um sistema de refrigeração de computador dificilmente seriam associadas a um equipamento médico.
Nas mãos da designer irlandesa Olivia Humphreys, porém, esses objetos formaram o primeiro protótipo de uma tecnologia pensada para reduzir um dos efeitos mais visíveis e emocionalmente delicados da quimioterapia: a queda dos cabelos.
Athena venceu a categoria médica do James Dyson Award
O projeto recebeu o nome de Athena e transformou Olivia, então com 24 anos, na vencedora global da categoria médica do James Dyson Award de 2024.
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A invenção foi apresentada como um sistema portátil de resfriamento do couro cabeludo, alimentado por bateria e projetado para ser utilizado antes, durante e depois das sessões de quimioterapia.
A história não terminou com a entrega do prêmio.
Em março de 2025, Olivia foi escolhida como Personalidade do Ano de Limerick, cidade da Irlanda onde cresceu, e voltou à Universidade de Limerick para contar como um projeto acadêmico iniciado a partir da experiência da própria família alcançou reconhecimento internacional.
Em entrevista publicada em abril de 2025, Olivia afirmou que havia passado a integrar a Luminate Medical, empresa que desenvolve a Lily, uma tecnologia diferente, mas voltada ao mesmo problema da queda de cabelo durante a quimioterapia.
A Lily utiliza compressão do couro cabeludo, enquanto a Athena foi projetada para trabalhar com resfriamento.
O site da Luminate informa, em 2026, que os dispositivos de seu portfólio ainda estão em fases pré-clínicas ou clínicas e não foram aprovados pela agência reguladora dos Estados Unidos.
A experiência da mãe durante a quimioterapia
O ponto de partida da Athena ocorreu em 2019, quando Vicky, mãe de Olivia, recebeu o diagnóstico de câncer de mama e iniciou a quimioterapia.
A jovem acompanhou parte das sessões e observou a importância que a possibilidade de preservar os cabelos tinha para a mãe.
Também percebeu as limitações dos aparelhos disponíveis.
Os sistemas convencionais eram grandes, permaneciam ligados à tomada e obrigavam o paciente a ficar conectado ao equipamento por um período que começava antes da aplicação dos medicamentos e continuava após o término da infusão.
Em muitos tratamentos, o resfriamento precisa começar cerca de 30 minutos antes da quimioterapia e continuar por aproximadamente 90 minutos depois.
Isso prolonga a permanência no hospital e reduz a mobilidade do paciente durante uma rotina que já pode ser cansativa.
Olivia decidiu investigar se o mesmo princípio poderia ser colocado dentro de uma estrutura pequena, leve e alimentada por bateria.
Antes de desenhar o equipamento, conversou com enfermeiros do hospital onde a mãe havia sido atendida e estudou o funcionamento dos chamados semicondutores Peltier.
Como funciona o resfriamento com componentes Peltier
Esses componentes conseguem transferir calor quando recebem eletricidade.
Em equipamentos comuns, podem ser encontrados em pequenos refrigeradores portáteis e sistemas de resfriamento de computadores.
No projeto de Olivia, os componentes Peltier foram usados para reduzir a temperatura da água armazenada em um pequeno reservatório.
Uma bomba faz essa água circular por uma peça colocada sobre a cabeça, mantendo o couro cabeludo resfriado.
Mala antiga e bateria de avião formaram o protótipo
O primeiro teste estava longe da aparência de um aparelho hospitalar.
Olivia instalou um sistema de ventilação e refrigeração de computador, uma bomba de diafragma, o reservatório e outros componentes dentro de uma mala antiga da mãe.
Para fornecer energia, utilizou uma bateria de avião pertencente ao pai.
“Usando um sistema de refrigeração de computador com Peltier, uma bomba de diafragma, a mala antiga da minha mãe e a bateria de avião do meu pai, consegui criar uma prova de conceito”, relatou a designer, em tradução livre.
A montagem improvisada não era o produto final.
Ela serviu para verificar se a ideia conseguia resfriar e movimentar a água de maneira controlada.
Depois desse teste inicial, Olivia produziu modelos de papelão e espuma, estudou diferentes formatos para a peça usada na cabeça e reorganizou os componentes para diminuir o tamanho do conjunto.
A versão apresentada ao James Dyson Award pesava aproximadamente três quilos e era formada por uma maleta portátil conectada à touca.
Assista o vídeo
Sistema portátil poderia funcionar por três horas e meia
Com a bateria completamente carregada, o protótipo foi projetado para funcionar por até três horas e meia.
A proposta era permitir que o usuário começasse o resfriamento em casa, continuasse o processo durante o trajeto ao hospital e terminasse a etapa posterior à quimioterapia fora da unidade médica.
Durante a aplicação dos medicamentos, a bateria também permitiria que a pessoa se movimentasse sem permanecer presa a uma máquina ligada à tomada.
Essas possibilidades faziam parte do conceito apresentado no prêmio e ainda dependeriam de desenvolvimento técnico, testes clínicos e aprovação regulatória antes de uma eventual utilização por pacientes.
Custo estimado seria uma fração dos sistemas convencionais
A Athena também chamou atenção pelo custo estimado.
Olivia calculou que o equipamento poderia custar aproximadamente € 1 mil.
A organização do James Dyson Award afirmou que o valor representaria cerca de 5% do preço de tecnologias existentes, ou aproximadamente um vigésimo do custo de alguns sistemas convencionais.
Essa comparação, no entanto, se referia a uma estimativa de desenvolvimento, e não ao preço de um produto já fabricado e comercializado.
Custos relacionados a testes, certificações, produção em escala, manutenção e distribuição ainda poderiam alterar o valor final.
Por que o couro cabeludo é resfriado
O resfriamento do couro cabeludo não impede a queda de cabelo em todos os pacientes.
O método diminui a temperatura da região, contrai os vasos sanguíneos e reduz a quantidade de medicamento quimioterápico que alcança os folículos capilares.
A baixa temperatura também reduz temporariamente a atividade dos folículos, o que pode diminuir os danos provocados por alguns medicamentos.
A eficácia varia conforme o tipo de câncer, o protocolo de quimioterapia e as características de cada paciente.
Por isso, a indicação precisa ser avaliada pela equipe responsável pelo tratamento.
Desconforto ainda é um desafio da tecnologia
O método também pode provocar desconforto.
Vicky contou à filha que sentia dor durante o resfriamento, mas suportava o processo por acreditar que ele poderia minimizar a queda dos cabelos.
Olivia afirmou que passou a pesquisar maneiras de tornar a experiência mais confortável.
Uma das possibilidades discutidas com um oncologista foi o uso de creme anestésico ao redor do couro cabeludo, embora nenhuma solução desse tipo tenha sido apresentada como parte aprovada ou validada da Athena.
Cores e nome foram escolhidos para os pacientes
Até as cores foram pensadas para afastar o equipamento da aparência normalmente associada a produtos hospitalares.
Em vez de branco, cinza ou azul-claro, a Athena recebeu tons vivos e opções de personalização.
Segundo Olivia, a intenção era oferecer ao paciente alguma possibilidade de escolha durante um período no qual muitas decisões passam a depender da doença e do tratamento.
O nome também nasceu dessa ideia.
Na mitologia grega, Atena é associada à sabedoria, à estratégia e à guerra.
Para a designer, a personagem representava a resistência das pessoas submetidas à quimioterapia e o esforço necessário para enfrentar o desconforto do resfriamento.
“Minha mãe inspirou esta jornada, e é muito emocionante e gratificante ver o projeto chegar a esse nível”, declarou Olivia ao comentar a conquista do prêmio, em tradução livre.
Assista o vídeo
Prêmio destinou recursos ao desenvolvimento da Athena
A invenção recebeu £ 30 mil do James Dyson Award para apoiar seu desenvolvimento.
O reconhecimento também fez de Olivia a primeira representante da Irlanda a conquistar a categoria médica global da premiação.
A Athena permanece como um protótipo premiado e uma demonstração de como objetos comuns, pesquisa técnica e uma experiência familiar podem se encontrar na criação de uma tecnologia médica.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

