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Depois de faturar R$ 43,5 bilhões, o Grupo Mateus tomou uma decisão que poucos esperavam; o fechamento de 28 lojas revela um cenário maior do que parece
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 28/07/2026 às 00:54
Economia
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Grupo Mateus fechou 28 lojas, reduziu mais de 6,6 mil postos de trabalho e reorganizou sua operação em seis estados após mudanças no cenário econômico e no desempenho do varejo alimentar.
O Grupo Mateus, terceira maior rede de supermercados do Brasil, promoveu uma ampla reestruturação operacional durante o primeiro semestre de 2026. A empresa encerrou as atividades de 28 lojas distribuídas entre Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, além de reduzir seu quadro de funcionários em 6.673 colaboradores.
Segundo a companhia, a decisão foi tomada para ampliar a eficiência operacional e reforçar o controle das despesas. Ao mesmo tempo, o grupo manteve sua estratégia de expansão ao inaugurar quatro novas unidades no mesmo período.
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Caio Aviz
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Reestruturação reduziu milhares de empregos em apenas três meses
Os impactos da reorganização apareceram já no primeiro trimestre de 2026.
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O número de funcionários passou de 47,9 mil para 41,2 mil colaboradores, representando uma redução de 13,9% em relação ao quadro anterior.
Enquanto isso, o fechamento das unidades ocorreu nos estados onde o Grupo Mateus mantém parte de sua operação comercial, concentrada nas regiões Norte e Nordeste.
De acordo com a empresa, a reorganização buscou tornar a operação mais eficiente diante das condições enfrentadas pelo setor.
Receita continuou crescendo, mas lucro caiu no primeiro trimestre de 2026
Embora tenha reduzido sua estrutura física, o Grupo Mateus continuou ampliando o faturamento.
Segundo os resultados financeiros divulgados pela companhia, a receita líquida alcançou R$ 9,4 bilhões entre janeiro e março de 2026, registrando crescimento de 12,9% na comparação com o mesmo período de 2025.
Entretanto, o lucro líquido caiu para R$ 212,9 milhões, recuo de aproximadamente 22% na comparação anual.
Além disso, as vendas nas mesmas lojas diminuíram 7,3%, refletindo um ambiente considerado mais desafiador para o varejo alimentar.
Empresa atribui resultado à deflação dos alimentos e ao crédito mais restrito
Segundo o Grupo Mateus, parte da redução do desempenho foi provocada pela deflação das commodities alimentares.
Com a queda dos preços nominais dos produtos, o valor das vendas também foi impactado.
Além disso, a companhia destacou que o mercado enfrentou condições de crédito mais restritivas, influenciando o comportamento do consumo.
Ainda conforme a empresa, a redução dos preços ocorreu após boas safras agrícolas e pela diminuição dos custos de frete, favorecida pela redução dos preços dos combustíveis.
Grupo também reorganizou suas bandeiras comerciais
Paralelamente ao fechamento das lojas, o Grupo Mateus deu continuidade às mudanças iniciadas em 2025.
Naquele ano, foi concluída a substituição da bandeira Mix Mateus pela marca Novo Atacarejo nas unidades localizadas em Pernambuco, Paraíba e Alagoas.
A alteração integrou uma parceria iniciada em julho de 2025, com o objetivo de unificar as operações dessas redes.
Atualmente, o Grupo Mateus atua nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba e Tocantins, operando nos segmentos de supermercados, atacarejo, móveis, eletrodomésticos e comércio eletrônico.
Mesmo após fechar lojas, Grupo Mateus permaneceu entre os maiores do país
Apesar da reestruturação, o Grupo Mateus continuou ocupando posição de destaque no varejo brasileiro.
Segundo o Ranking ABRAS 2026, elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) em parceria com a NielsenIQ, a companhia faturou aproximadamente R$ 43,5 bilhões em 2025.
Com esse resultado, permaneceu como a terceira maior rede supermercadista do Brasil, atrás apenas de Carrefour e Assaí.
Foi justamente após alcançar esse faturamento bilionário que a empresa iniciou a reorganização operacional que chamou a atenção do mercado.
Deflação dos alimentos marcou o cenário econômico em 2025
Os resultados do Grupo Mateus também refletem o comportamento da economia brasileira.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria de alimentos registrou deflação de 10,47% em 2025.
Além disso, o IPCA de setembro de 2025 foi o menor desde 1998, impulsionado principalmente pela redução de 0,70% nos preços da alimentação no domicílio.
Entre os produtos que ficaram mais baratos estiveram cebola, batata, óleo de soja, filé mignon, frango, feijão, café moído e algumas frutas.
Ainda conforme o IBGE, 2025 registrou a maior deflação da economia brasileira em três anos, com queda de 0,46% nos preços dos alimentos e redução de 4,21% na conta de energia elétrica.
Varejo alimentar movimentou mais de R$ 1 trilhão no Brasil
Mesmo diante desse cenário, o varejo alimentar brasileiro continuou representando um dos principais setores da economia.
De acordo com o Ranking ABRAS 2026, o segmento movimentou R$ 1,145 trilhão em 2025, valor equivalente a aproximadamente 9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Assim, a reestruturação promovida pelo Grupo Mateus ocorreu em um momento de mudanças importantes para o setor, marcado por crescimento da receita, pressão sobre os lucros e ajustes estratégicos nas operações.
Você acredita que outras redes de supermercados podem seguir o mesmo caminho?
Fonte
MSN
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

