6 min de leitura
Depois que uma condição neurológica tirou grande parte dos movimentos de seus braços, menino de 5 anos recebeu exoesqueleto criado em 10 semanas por quatro estudantes, com motores, sensores e controle levado em uma mochila
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 23/07/2026 às 21:18
Ciência e Tecnologia
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Criado na Universidade da Califórnia em San Diego, o exoesqueleto infantil transformava movimentos dos pulsos em comandos para motores, ajudando Max Ng a levantar os braços, levar comida à boca, brincar e abraçar a família com maior participação.
Depois que uma condição neurológica comprometeu grande parte dos movimentos de seus ombros e cotovelos, Max Ng, então com 5 anos, passou a usar um exoesqueleto infantil construído por quatro estudantes de engenharia mecânica. O equipamento aproveitava os movimentos preservados das mãos e dos pulsos para comandar braços motorizados.
As informações foram divulgadas por UC San Diego Jacobs School of Engineering, escola de engenharia da Universidade da Califórnia em San Diego. A publicação institucional, feita em 25 de junho de 2019, mostrou que o protótipo foi desenvolvido em apenas 10 semanas como um projeto de conclusão de curso.
O sistema não recuperava os músculos afetados nem reproduzia os movimentos naturais dos braços. Ele oferecia assistência mecânica controlada por Max, permitindo que um pequeno gesto do pulso acionasse a estrutura necessária para erguer ou abaixar os membros.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Um movimento do pulso acionava os braços motorizados
Max desenvolveu mielite flácida aguda aos 2 anos. A condição afetou os nervos da medula espinhal e deixou seus braços sem força suficiente para subir ou descer, embora suas mãos e seus pulsos continuassem funcionando de maneira próxima ao normal.
Essa capacidade preservada deu origem ao sistema de controle. Os estudantes instalaram sensores de flexão nas luvas usadas pelo menino. Quando ele dobrava os pulsos para cima, os sensores enviavam um sinal para levantar os braços.
Ao dobrar os pulsos para baixo, o comando era invertido e a estrutura abaixava os membros. O movimento residual de uma parte do corpo passou, assim, a controlar os motores responsáveis por auxiliar outra parte que já não respondia da mesma forma.
Max continuava escolhendo quando iniciar cada ação. Os braços motorizados forneciam força e sustentação, mas o comando dependia dos gestos realizados pelo próprio menino.
Quatro estudantes passaram 10 semanas ajustando o exoesqueleto
A construção ficou a cargo de quatro estudantes de engenharia mecânica da Universidade da Califórnia em San Diego. O grupo testou diferentes formatos antes de chegar ao protótipo usado por Max.
Durante as 10 semanas de desenvolvimento, os estudantes se encontraram semanalmente com o menino e com Andrew Skalsky, chefe da divisão de Medicina de Reabilitação do Rady Children’s Hospital San Diego. Cada encontro permitia observar dificuldades que não apareciam durante os testes feitos sobre uma mesa.
O contato frequente mostrou onde as peças precisavam ficar, quanto apoio os braços exigiam e como os comandos deveriam responder. Os ajustes eram feitos a partir do uso real, e não apenas por cálculos ou simulações.
O objetivo era construir um equipamento leve que acompanhasse o corpo da criança. Além de movimentar os braços, a estrutura precisava distribuir o peso sem sobrecarregar os membros que já tinham pouca força.
Sensores e motores trabalhavam dentro de limites de segurança
Braçadeiras macias envolviam os braços de Max e eram ligadas a um suporte colocado ao redor do tronco. Essa estrutura evitava que o peso dos componentes ficasse concentrado diretamente nos braços.
Cada lado possuía uma peça motorizada ligada a uma articulação mecânica. Quando acionado, o conjunto dobrava ou estendia o braço de maneira parecida com o movimento realizado pelo cotovelo.
O equipamento trabalhava apenas entre 30 e 180 graus. Esse limite impedia que os motores levassem os braços além da posição prevista, reduzindo o risco de uma extensão excessiva durante o uso.
A UC San Diego Jacobs School of Engineering, escola de engenharia da Universidade da Califórnia em San Diego, detalhou que os sensores instalados nas luvas ativavam os motores a partir da flexão dos pulsos. O mecanismo não se movimentava sem uma ação voluntária de Max.
Mochila reunia bateria e controle eletrônico
Os comandos eram processados por uma placa eletrônica chamada Arduino. Em linguagem simples, essa placa recebia as informações enviadas pelos sensores e determinava qual motor deveria ser acionado.
O Arduino e a bateria que alimentava o exoesqueleto ficavam em uma pequena bolsa semelhante a uma mochila, levada nas costas de Max. A solução permitia que ele se movimentasse sem permanecer ligado a uma estrutura montada sobre uma mesa.
A mochila reunia a parte eletrônica, enquanto o suporte no tronco sustentava as peças mecânicas. Dessa forma, sensores, controle, bateria e motores podiam acompanhar a criança durante diferentes atividades.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu quando Max pegou uma barra de cereal e conseguiu levá la à boca. O equipamento também permitiu que ele brincasse com os pais, simulasse golpes durante as brincadeiras e abraçasse a família usando os braços assistidos.
Comer e brincar passaram a depender da escolha de Max
O principal resultado não estava apenas na força produzida pelos motores. O exoesqueleto devolvia a Max a possibilidade de decidir quando queria levantar os braços para pegar um objeto, aproximar um alimento ou participar de uma brincadeira.
Suas mãos continuavam funcionais, mas antes permaneciam limitadas pela posição dos braços ao lado do corpo. Ao auxiliar os cotovelos, o sistema permitia aproveitar melhor os movimentos que ainda estavam preservados.
O protótipo também foi desenvolvido para receber alterações à medida que Max crescesse. Os estudantes trabalharam com a ABI Prosthetics and Orthotics para facilitar futuras mudanças no tamanho e na posição dos componentes.
Isso não transformava o projeto em uma solução definitiva para qualquer criança. O equipamento foi criado para as condições específicas de Max, considerando seus movimentos preservados, seu tamanho e suas necessidades durante as atividades diárias.
Assistência mecânica não significava recuperar os músculos
O exoesqueleto infantil não curou a mielite flácida aguda e não restaurou a força natural dos braços. Os motores realizavam a parte do movimento que os músculos não conseguiam completar, enquanto Max usava os pulsos para indicar a direção desejada.
Essa diferença é importante porque evita tratar o equipamento como uma recuperação do corpo. A criança continuava precisando da estrutura mecânica para levantar e abaixar os braços.
Ao mesmo tempo, o sistema não executava todas as ações sozinho. A participação de Max permanecia no centro do funcionamento, pois cada movimento começava com uma decisão e um gesto feito por ele.
Em 10 semanas, quatro estudantes combinaram sensores, motores, suporte corporal, bateria e uma placa eletrônica para transformar pequenos movimentos dos pulsos em ações maiores. O resultado ajudou um menino de 5 anos a usar melhor as mãos que continuavam funcionais.
Mais do que reproduzir um movimento, o projeto criou uma forma de assistência adaptada ao usuário. Comer, brincar e abraçar passaram a envolver novamente a escolha de Max, ainda que os braços dependessem da força fornecida pelo exoesqueleto.
Se um projeto universitário conseguiu produzir esse resultado em apenas 10 semanas, quantas crianças poderiam ganhar mais autonomia com investimentos permanentes em engenharia assistiva? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.
Fonte
UCSD
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

