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Dois brasileiros desafiaram ordens secretas de Getúlio Vargas e usaram vistos, passaportes e a diplomacia para salvar judeus perseguidos durante o Holocausto
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 24/07/2026 às 01:21
Curiosidades
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Luiz Martins de Souza Dantas e Aracy de Carvalho contrariaram restrições brasileiras e ajudaram refugiados judeus a escapar da perseguição nazista na Europa.
Dois brasileiros utilizaram seus cargos diplomáticos para ajudar judeus perseguidos pelo regime nazista durante o Holocausto.
Luiz Martins de Souza Dantas atuava como embaixador do Brasil na França. Já Aracy de Carvalho trabalhava no consulado brasileiro em Hamburgo.
Naquele período, o governo de Getúlio Vargas restringia oficialmente a concessão de vistos para judeus interessados em entrar no Brasil.
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Mesmo diante dessas determinações, os dois adotaram estratégias independentes para facilitar a fuga de refugiados ameaçados na Europa.
Circular secreta restringia a entrada de judeus no Brasil
Em 1937, durante o início do Estado Novo, o governo brasileiro expediu a Circular Secreta nº 1.127.
O documento orientava embaixadas e consulados a limitarem a entrada de judeus e de outros grupos considerados “indesejáveis”.
Essa política migratória permaneceu ativa durante parte do período entre 1937 e 1945.
Somente em 1940, após pressões diplomáticas internacionais, o governo brasileiro começou a flexibilizar algumas dessas restrições.
Embaixador brasileiro acelerou a emissão de vistos na França
Luiz Martins de Souza Dantas construiu uma longa carreira e permaneceu cerca de 25 anos como embaixador brasileiro na França.
Em 1940, após a ocupação alemã, a representação diplomática brasileira foi transferida de Paris para Vichy.
A cidade abrigava o governo francês colaboracionista instalado depois do armistício com a Alemanha nazista.
Antes da transferência, Souza Dantas intensificou a concessão de vistos para judeus e outros refugiados que tentavam deixar a França.
Muitos documentos foram registrados em Passaportes Nansen, emitidos pela Liga das Nações para refugiados sem nacionalidade reconhecida.
Dessa maneira, centenas de famílias conseguiram autorização para viajar ao Brasil durante o avanço da perseguição nazista.
Relatos históricos indicam que o diplomata assinava vistos rapidamente para atender ao maior número possível de pessoas.
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Viviane Alves
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Gestapo realizou buscas contra o diplomata brasileiro
A movimentação chamou a atenção da Gestapo, polícia secreta do regime nazista.
Agentes alemães realizaram buscas na embaixada brasileira e na residência oficial de Souza Dantas.
Essas ações desrespeitaram a imunidade diplomática garantida por convenções internacionais.
Durante a guerra, o embaixador também foi detido pelas autoridades alemãs.
Uma versão afirma que ele permaneceu aproximadamente 14 meses preso antes de participar de uma troca de prisioneiros.
Outra interpretação aponta que o Itamaraty abriu um processo administrativo devido ao descumprimento das regras brasileiras.
Pesquisadores, no entanto, ainda discutem as circunstâncias exatas envolvendo esses episódios.
Aracy de Carvalho retirava identificação dos documentos
Enquanto isso, Aracy de Carvalho trabalhava na Seção de Passaportes do consulado brasileiro em Hamburgo.
Fluente em alemão desde a infância, ela passou a comandar o setor em 1938.
Na época, os pedidos apresentados por judeus deveriam receber a letra “J”.
Essa identificação praticamente impedia a aprovação dos vistos de entrada no Brasil.
Segundo relatos históricos, Aracy deixava de inserir a marca em parte dos documentos encaminhados ao cônsul-geral.
Consequentemente, diversos pedidos foram aprovados, permitindo que refugiados deixassem a Alemanha e viajassem ao Brasil.
Guimarães Rosa colaborou com o resgate de refugiados
Aracy conheceu o diplomata e escritor João Guimarães Rosa durante o trabalho em Hamburgo.
Os dois atuaram juntos entre 1938 e 1942 e iniciaram um relacionamento que posteriormente resultou em casamento.
Guimarães Rosa não possuía autoridade para conceder vistos. Ainda assim, ele ajudava refugiados e protegia as ações realizadas por Aracy.
Pesquisadores também atribuem ao escritor o transporte de objetos, a guarda de valores e a produção de informações para proteger famílias.
Brasileiros receberam reconhecimento internacional
Em 1942, após o rompimento diplomático entre Brasil e Alemanha, Aracy e Guimarães Rosa ficaram retidos durante aproximadamente quatro meses.
Posteriormente, ambos deixaram o país em uma operação de troca de diplomatas.
Souza Dantas morreu em 1954 e recebeu reconhecimento internacional por sua atuação humanitária.
O Yad Vashem, em Israel, incluiu seu nome no grupo dos Justos entre as Nações.
Aracy também recebeu a homenagem e tornou-se a única mulher brasileira reconhecida pela instituição.
Sua trajetória ficou conhecida pelo apelido “Anjo de Hamburgo” e inspirou a minissérie Passaporte para Liberdade.
As histórias de Aracy, Souza Dantas e Guimarães Rosa permanecem entre os principais exemplos brasileiros de auxílio às vítimas do nazismo.
Na sua opinião, você teria coragem de desafiar ordens oficiais para salvar pessoas perseguidas durante uma guerra? Deixe seu comentário!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

