Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Dono de lan house paga R$ 5 por dia e libera um mês inteiro de videogame de graça para quem chegar com boletim de boas notas, e ainda troca 10 minutos de leitura por 20 de jogo

Dono de lan house paga R$ 5 por dia e libera um mês inteiro de videogame de graça para quem chegar com boletim de boas notas, e ainda troca 10 minutos de leitura por 20 de jogo

8 min de leitura

Dono de lan house paga R$ 5 por dia e libera um mês inteiro de videogame de graça para quem chegar com boletim de boas notas, e ainda troca 10 minutos de leitura por 20 de jogo

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 28/07/2026 às 20:45

Curiosidades

Dono de lan house dá um mês de videogame grátis para quem levar boletim de boas notas e troca 10 minutos de leitura por 20 de jogo

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Na cidade de Itatiaia, no interior do Rio de Janeiro, a moeda que abre o console não é dinheiro. É boletim escolar e livro na mão. Quem tira boas notas ganha um mês de jogo grátis e ainda recebe R$ 5 por dia do dono da lan house.

O empresário William Santos, dono da WD Game House, uma lan house instalada em Itatiaia, no sul do estado do Rio de Janeiro, criou um sistema de recompensas em que estudantes que apresentam boletim escolar com boas notas ganham um mês inteiro de videogame liberado no estabelecimento. Além das horas gratuitas para jogar qualquer título disponível, ele promete pagar R$ 5 por dia aos alunos que atingirem o desempenho exigido.

A iniciativa, divulgada pelo portal NSC Total, corre em paralelo a outra já conhecida da casa: a troca de tempo de leitura por tempo de jogo. A cada 10 minutos dedicados à leitura, a criança ou o adolescente ganha 20 minutos de videogame sem pagar nada. O próximo passo anunciado pelo empresário é montar um clube de leitura dentro do próprio espaço.

O boletim que vale um mês de console liberado

Lan house no Rio de Janeiro dá horas de videogame de graça para estudantes dedicados (Foto: Reprodução, Redes sociais)

A regra principal é simples de entender e difícil de cumprir: chegar com boletim de boas notas. Quem consegue leva um mês inteiro de acesso liberado aos jogos disponíveis na lan house, sem restrição de título, e ainda entra na promessa de R$ 5 diários feita pelo dono do estabelecimento.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Vale registrar o que a divulgação não detalha. Não há informação pública sobre qual média define o que são boas notas, se existe limite de horas por dia dentro do mês liberado, por quanto tempo o pagamento diário se mantém ou quantos alunos já foram premiados. São regras anunciadas por um empresário no próprio comércio, e não um programa formal com regulamento publicado. Quem pretende participar precisa combinar as condições diretamente no local.

A troca que ficou famosa: dez minutos de leitura por vinte de jogo

video: redes sociais/instagram

O sistema que colocou a lan house no radar das redes sociais é o da leitura. A proporção é de um para dois: cada 10 minutos com o livro aberto valem 20 minutos de jogo gratuito. Em meia hora de leitura, o frequentador acumula uma hora inteira de console.

A lógica por trás disso é o que William repete em suas falas: mostrar que estudar e se divertir podem caminhar juntos, e não em lados opostos da rotina. A criança não precisa esperar a mesada nem pedir dinheiro em casa para jogar, ela precisa ler. Vídeos publicados pelo empresário mostrando as crianças lendo e depois comemorando o tempo de jogo conquistado viralizaram nas redes em fevereiro de 2026, segundo o registro de veículos que cobriram o caso.

O cuidado vai além da regra. Registros sobre o projeto mostram o dono se preocupando também com o lanche das crianças enquanto elas estão no espaço, e cenas de fila na porta antes da abertura, com a molecada esperando o horário de funcionamento começar. O estabelecimento abre todos os dias para o uso normal, com clientes pagantes, e atende no mesmo período quem está ali pelo tempo conquistado com leitura.

Quanto custa a hora naquela lan house

video: redes sociais/instagram

Para dimensionar o benefício, ajuda saber o preço praticado. A hora de jogo online no local custa em torno de R$ 4, valor citado em outras reportagens sobre o projeto. É um preço baixo para padrões de cidade grande, mas alto o suficiente para excluir parte das crianças do bairro.

Foi exatamente essa percepção que originou a regra da leitura. O empresário notou que muitas crianças frequentavam o espaço sem ter dinheiro para pagar a hora e, em vez de mandá las embora, criou uma forma de elas conquistarem o acesso. Dentro daquela lan house, a moeda de troca virou o esforço, e não a mesada. Nesse contexto, os R$ 5 diários prometidos a quem tira boas notas superam o valor de uma hora de jogo.

Por que o dono faz isso

A motivação declarada por William tem origem pessoal. Segundo ele, a decisão vem da própria infância, marcada pela falta de dinheiro para conseguir o que queria, e é essa lembrança que o move a oferecer aos frequentadores o que ele não teve.

A frase que ele usa resume o argumento: já esteve do outro lado, sabe como é ruim ser criança e passar vontade, querer alguma coisa e não poder comprar. Em outra entrevista sobre o projeto, ele associou o videogame a uma porta de oportunidade, defendendo que o setor pode abrir caminhos profissionais para quem cresce sem perspectiva. É um discurso de quem trata o console como ferramenta, não como distração.

Essa visão aparece também fora do balcão. Em uma das ações registradas sobre o projeto, ele levou dez crianças para assistir a uma competição profissional de Counter Strike, tirando a molecada da rotina do bairro para mostrar de perto que existe carreira dentro daquele universo. Para quem cresce sem referência, ver o jogo virar profissão muda a percepção do que é possível. É a mesma lógica aplicada na lan house, só que fora dela.

Uma lan house que funciona na garagem de casa

O tamanho do negócio contrasta com o alcance da ideia. A WD Game House fica no Jardim Manchete, bairro de Itatiaia, e funciona em um espaço adaptado na garagem da própria residência do empresário, conforme reportagem especializada em locadoras de games.

A trajetória do estabelecimento também não foi linear. A casa aparece como inaugurada em 2019 na divulgação do projeto, e relatos publicados sobre a história do negócio indicam que ele precisou fechar durante a pandemia de covid 19 e só voltou a funcionar em 2023, com apoio de uma campanha solidária que arrecadou cerca de R$ 8 mil. A lan house que hoje distribui horas grátis já dependeu de ajuda para reabrir as portas.

Itatiaia, a 180 quilômetros da capital

A cidade onde tudo acontece fica a cerca de 180 quilômetros do centro do Rio de Janeiro, no trecho do estado que faz divisa com Minas Gerais e São Paulo. É um município de porte pequeno, longe dos grandes centros de tecnologia e de lazer pago.

Esse detalhe geográfico explica parte do impacto local da lan house. Em cidades desse tamanho, opções organizadas de lazer para criança e adolescente são escassas, e o espaço de jogos costuma concentrar a molecada do bairro. Quando o único ponto de encontro da vizinhança passa a exigir livro para liberar o controle, a mudança de hábito ganha escala rápido.

O prêmio anual para quem mais lê no ano

O sistema não se limita à troca imediata de minutos. O empresário mantém uma premiação anual que reconhece a criança que mais leu ao longo do ano, o que transforma a leitura de um evento pontual em uma disputa que atravessa meses.

Na última edição registrada pela imprensa, o prêmio foi um videogame Xbox entregue a um menino, cena que rendeu repercussão nas redes sociais. O prêmio para quem mais lê é justamente o aparelho que a criança ia até a lan house para usar, o que fecha o ciclo da proposta: quem mais leu leva o console para casa.

Das redes sociais para a repercussão nacional

Boa parte do alcance do projeto vem da internet. William publica o dia a dia do estabelecimento em plataformas como TikTok, Kwai, Instagram e YouTube, mostrando o movimento da casa, campeonatos, promoções e os momentos de leitura das crianças. O perfil principal do negócio reúne centenas de milhares de seguidores.

Foi por esse caminho que a história da lan house saiu de Itatiaia e chegou a portais de notícia. Os vídeos com crianças lendo, esperando a abertura da porta e comemorando as horas conquistadas circularam bastante e transformaram uma regra de comércio de bairro em pauta nacional. O que era combinação entre dono e clientes virou modelo replicável e discutido em outras cidades.

O clube de leitura que ainda vai sair do papel

O plano seguinte anunciado pelo empresário é criar um clube de leitura dentro da própria lan house, transformando o espaço em ambiente de convivência voltado ao hábito de ler, e não apenas em ponto de troca de minutos.

Até aqui, trata se de intenção divulgada, sem data de início nem formato definido publicamente. Um clube de leitura exige acervo, organização e alguém para conduzir os encontros, três coisas que dependem de estrutura e de tempo em um negócio que funciona em uma garagem adaptada. É o tipo de projeto que costuma nascer pequeno e crescer conforme a demanda das próprias crianças.

O que a iniciativa mostra e o que ela não resolve

A leitura mais honesta do caso reconhece as duas pontas. De um lado, existe um mecanismo simples e eficaz: uma recompensa concreta e imediata para um comportamento que costuma ser cobrado das crianças sem contrapartida nenhuma. Funciona porque a moeda oferecida é exatamente aquilo que elas querem.

De outro lado, é uma iniciativa individual, mantida por um pequeno comerciante, dependente da renda da própria casa e sem estrutura pública por trás. Uma lan house de bairro não substitui biblioteca, escola nem política de incentivo à leitura, e o próprio caso deixa isso evidente ao mostrar que o acesso das crianças ao lazer dependia de um preço de R$ 4 a hora que muitas não conseguiam pagar.

E aí, o que você acha desse método

A história dessa lan house de Itatiaia coloca uma discussão que rende conversa em qualquer mesa de família. De um lado, quem defende que recompensar nota e leitura ensina a criança a se esforçar por objetivos e cria hábito onde antes não havia nenhum. De outro, quem acha que estudar não deveria depender de prêmio e que a motivação precisa vir de outro lugar.

Agora queremos ler você. Você acha certo trocar boletim e leitura por horas de videogame, ou isso ensina a criança a estudar apenas por recompensa? E na sua infância, o que teria feito você pegar um livro por vontade própria: prêmio, cobrança em casa ou nada disso? Comenta aqui embaixo o que você faria se tivesse um comércio no seu bairro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

Sair da versão mobile