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El Niño pode virar o mercado global de cacau de cabeça para baixo: StoneX reduz drasticamente a previsão de superávit para 2026/27, alerta para risco climático na África Ocidental e revisa as perspectivas dos maiores produtores mundiais

El Niño pode virar o mercado global de cacau de cabeça para baixo: StoneX reduz drasticamente a previsão de superávit para 2026/27, alerta para risco climático na África Ocidental e revisa as perspectivas dos maiores produtores mundiais

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El Niño pode virar o mercado global de cacau de cabeça para baixo: StoneX reduz drasticamente a previsão de superávit para 2026/27, alerta para risco climático na África Ocidental e revisa as perspectivas dos maiores produtores mundiais

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 29/07/2026 às 13:44

Agronegócio

Plantação de cacau com frutos em diferentes estágios de maturação. A imagem ilustra os desafios enfrentados pelos principais produtores diante do risco de um El Niño forte e da revisão da StoneX para o mercado global de cacau.

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StoneX revisa as projeções para o mercado global de cacau após elevar a estimativa da safra 2025/26 e reduzir fortemente o superávit esperado para 2026/27 diante do aumento do risco de um El Niño intenso e da piora das condições das lavouras na África Ocidental.

O mercado global de cacau voltou a concentrar atenções após a StoneX revisar suas projeções para as próximas safras. Embora a consultoria tenha elevado a estimativa de superávit para 2025/26, a expectativa para 2026/27 foi reduzida drasticamente por causa do aumento do risco de um El Niño forte.

Além disso, estudos da própria StoneX indicam que episódios de El Niño reduzem, em média, 1,7% da produção mundial de cacau, mantendo o fenômeno como um dos principais fatores de risco para a oferta global da commodity.

Safra atual ganha fôlego, mas cenário muda para os próximos anos

Na quarta revisão do balanço global da safra 2025/26, divulgada pela StoneX, a projeção de superávit passou de 247 mil para 422 mil toneladas.

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Segundo a consultoria, a revisão foi motivada pela atualização das estatísticas oficiais da Costa do Marfim, divulgadas durante o acompanhamento da safra, que passaram a indicar maior disponibilidade de cacau.

Ainda assim, apenas parte desse ajuste foi considerada. Conforme explicou Lucca Bezzon, em relatório da StoneX, os dados de comércio exterior e os fluxos de exportação ainda não confirmam integralmente o volume informado pelas estatísticas oficiais.

Com isso, a consultoria passou a estimar uma recomposição mais acelerada dos estoques globais, após o período de maior aperto observado entre as safras 2021/22 e 2023/24.

El Niño faz StoneX reduzir quase todo o superávit previsto para 2026/27

Apesar da melhora observada na safra atual, o cenário muda quando a análise avança para 2026/27.

A StoneX reduziu a projeção de superávit de 149 mil para apenas 25 mil toneladas, adotando uma postura mais cautelosa diante das novas perspectivas climáticas.

Segundo a consultoria, essa revisão considera principalmente a maior probabilidade de um El Niño de forte intensidade e os relatos de menor contagem de vagens nas principais regiões produtoras da África Ocidental.

Além disso, as chuvas registradas durante junho de 2026 agravaram as preocupações com a próxima safra.

De acordo com a StoneX, o excesso de umidade provocou encharcamento dos solos, favoreceu o aumento da incidência de doenças e reduziu o número de frutos em importantes áreas produtoras.

Como consequência, a produção regional prevista para 2026/27 foi revisada para baixo.

Além do clima, a consultoria destacou que a suspensão temporária de novas vendas antecipadas da safra 2026/27 pela Costa do Marfim também aumentou as incertezas sobre o potencial produtivo da próxima temporada.

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Caio Aviz

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Costa do Marfim lidera mudanças nas projeções da África Ocidental

A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, teve sua estimativa para a safra 2025/26 elevada em aproximadamente 160 mil toneladas, alcançando cerca de 2 milhões de toneladas.

Entretanto, para 2026/27, a projeção foi reduzida para 1,775 milhão de toneladas, refletindo o aumento das preocupações com o desenvolvimento das lavouras diante do risco climático.

Enquanto isso, em Gana, a expectativa de recuperação para 2025/26 foi mantida.

Por outro lado, para 2026/27, a estimativa caiu para 595 mil toneladas, incorporando condições climáticas menos favoráveis associadas ao possível El Niño.

Além disso, Nigéria e Camarões também tiveram pequenas reduções em suas projeções, acompanhando a deterioração das perspectivas climáticas na região.

Brasil segue em trajetória positiva mesmo diante dos riscos climáticos

Enquanto a África Ocidental enfrenta um cenário de maior cautela, o Brasil mantém perspectivas consideradas favoráveis.

Segundo Lucca Bezzon, a safra 2025/26 caminha para registrar um dos melhores desempenhos dos últimos anos.

Esse resultado é atribuído às condições climáticas mais favoráveis e ao aumento dos investimentos realizados desde 2024, período marcado pelo ciclo de preços elevados do cacau.

Para a safra 2026/27, a StoneX projeta uma produção entre 210 mil e 215 mil toneladas.

Segundo a consultoria, parte dos riscos climáticos poderá ser compensada pela expansão da área cultivada e pelo maior nível tecnológico adotado pelos produtores brasileiros.

No Equador, a expectativa permanece acima de 600 mil toneladas em 2025/26.

Já o Peru continua apresentando perspectiva de crescimento, sem histórico consistente de perdas relacionadas ao El Niño.

Projeções climáticas reforçam atenção para o fim de 2026 e início de 2027

As projeções do Climate Prediction Center (CPC), dos Estados Unidos, reforçam a preocupação apresentada pela StoneX.

Segundo o CPC, existe 81% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.

Além disso, há 97% de chance de o fenômeno permanecer ativo no início de 2027, mantendo elevado o risco para as principais regiões produtoras.

Frutos de cacau abertos e fechados ilustram o cenário de incerteza para a produção mundial diante do aumento do risco de um El Niño forte apontado pela StoneX.

Demanda segue em recuperação gradual, aponta StoneX

Do lado da demanda, a StoneX manteve a expectativa de estabilidade da moagem global durante a safra 2025/26.

Para 2026/27, entretanto, a consultoria reduziu levemente a previsão de crescimento para aproximadamente 2%, estimando moagem próxima de 4,75 milhões de toneladas.

Segundo a análise, a recuperação recente da atividade industrial foi impulsionada principalmente pela recomposição dos estoques.

Ao mesmo tempo, o consumo mundial permanece abaixo do potencial histórico, embora continue apresentando uma recuperação gradual, conforme as projeções atualizadas da StoneX.

E você, acredita que um El Niño de forte intensidade poderá impactar os preços do cacau e de produtos como o chocolate nos próximos anos? Compartilhe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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