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Ela chegou à universidade só para fazer aulas de espanhol, foi convencida a experimentar literatura americana e acabou passando vinte anos escolhendo disciplinas por puro gosto, até receber o diploma aos 86 anos sob uma ovação de pé

Ela chegou à universidade só para fazer aulas de espanhol, foi convencida a experimentar literatura americana e acabou passando vinte anos escolhendo disciplinas por puro gosto, até receber o diploma aos 86 anos sob uma ovação de pé

5 min de leitura

Ela chegou à universidade só para fazer aulas de espanhol, foi convencida a experimentar literatura americana e acabou passando vinte anos escolhendo disciplinas por puro gosto, até receber o diploma aos 86 anos sob uma ovação de pé

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 31/07/2026 às 15:36

Curiosidades

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Ela nunca teve pressa de concluir o curso, montou a grade em torno de autores e temas que queria conhecer, e virou uma das formandas mais velhas da história da instituição na cerimônia deste ano.

Jocelyn Davis procurou a Winthrop University, em Rock Hill, na Carolina do Sul, com um objetivo modesto: queria fazer aulas de espanhol.

Acabou sendo convencida a experimentar disciplinas de inglês, gostou, e ficou. Vinte anos depois, em 9 de maio de 2026, recebeu o diploma na área, aos 86 anos, segundo reportagem do jornal The Post and Courier.

Conforme o mesmo veículo, ela é uma das formandas mais velhas da história da instituição, e a plateia da cerimônia matinal se levantou para aplaudi-la.

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Ela entrou como aluna transferida, já com curso concluído

Davis não começou do zero. De acordo com o Post and Courier, ela chegou à Winthrop em 2006, transferida do York Technical College, onde havia concluído um curso técnico de nível superior curto na área de administração.

Os créditos acumulados foram suficientes para que ela ingressasse já como aluna de terceiro ano, o que encurtava bastante o caminho até o diploma, ainda segundo o jornal.

Mesmo assim, a conclusão levou duas décadas. A data da formatura, informa a reportagem, marca também os 20 anos desde que ela passou a frequentar as aulas da universidade.

A grade foi montada por curiosidade, não por obrigação

O que explica o tempo é a forma como ela escolhia as disciplinas. O objetivo, segundo o Post and Courier, sempre foi mais aprender do que obter o título.

Nas aulas de literatura americana, conta a reportagem, ela leu Walt Whitman, Ralph Waldo Emerson e Louisa May Alcott.

O jornal também registra que ela aproveitou disciplinas curtas, de uma hora, sobre assuntos bem específicos: uma sobre o escritor Truman Capote, outra sobre o autor de comida e viagem Anthony Bourdain, e a última sobre a detetive adolescente Nancy Drew.

A última matéria foi sobre uma detetive de livro juvenil

O detalhe da disciplina final diz muito sobre o critério dela. Nancy Drew é uma personagem de literatura juvenil americana, criada nos anos 1930, protagonista de uma longa série de mistérios.

Não é o tipo de matéria que alguém cursa para compor um currículo profissional. É o tipo de matéria que se cursa porque desperta interesse.

Disciplinas curtas como essas existem justamente para permitir esse tipo de escolha, funcionando como complemento leve dentro de uma grade maior, e costumam atrair tanto calouros quanto estudantes mais velhos.

Essa lógica atravessa toda a trajetória descrita pelo jornal, de alguém que usou a universidade como espaço de leitura orientada em vez de trampolim de carreira.

É um contraste direto com o perfil mais comum de quem volta a estudar tarde, que costuma buscar o diploma como ferramenta de trabalho. Este portal já noticiou o caso de um homem que concluiu o ensino médio pela EJA aos 51 anos e entrou em Engenharia Civil, depois de ter deixado a escola na infância para trabalhar na roça.

Vida em York County desde 1987

A reportagem do Post and Courier informa que Davis cresceu na região de Washington, capital dos Estados Unidos, e mora no condado de York desde 1987, ao lado do marido, Lyman Davis.

Foi já instalada nessa região, portanto, que ela procurou a universidade local, primeiro pelo curso técnico e depois pela graduação.

Rock Hill fica no norte da Carolina do Sul, perto da divisa com a Carolina do Norte, e a Winthrop é uma universidade pública estadual de porte médio, com forte presença na formação de professores da região.

A plateia se levantou quando ela cruzou o palco

O momento mais comentado foi a reação do público. Segundo o jornal, a plateia da cerimônia matinal do dia 9 de maio ofereceu uma ovação de pé quando ela apareceu no palco.

Cerimônias de colação nos Estados Unidos costumam separar as turmas em sessões ao longo do dia, e a dela ocorreu na sessão da manhã.

A reação da plateia costuma se repetir sempre que a idade contraria a expectativa. Em caso já publicado por este portal, um homem de 75 anos aprovado no Sisu para cursar Ciências Biológicas teve trajetória semelhante de retorno tardio ao ensino formal.

Também já foi registrada aqui a história de uma mulher de 51 anos que passou no mesmo vestibular que o filho adolescente e foi estudar na mesma turma que ele.

Estudante idoso é exceção dentro da universidade

O perfil dela destoa do corpo discente típico. Universidades americanas concentram a maior parte das matrículas em jovens recém-saídos do ensino médio, e alunos acima de 50 anos formam uma fatia pequena do total.

Essa presença rara é o que explica a reação da plateia. Numa cerimônia com centenas de formandos na casa dos vinte anos, alguém com mais de oitenta atravessando o palco quebra a expectativa visual do evento.

Também explica por que instituições costumam registrar publicamente esses casos, como fez a própria Winthrop ao divulgar a conclusão do curso dela.

Aprender sem prazo é um caminho diferente do usual

A trajetória contraria a lógica que organiza a maior parte dos cursos superiores, pensada em torno de um prazo fixo para a conclusão e de uma grade obrigatória.

No caso dela, a ordem foi invertida: primeiro veio o interesse por um autor ou por um tema, e só depois a disciplina correspondente, sem preocupação com o calendário.

Vale lembrar que nem todo retorno aos estudos parte de uma escolha livre. Este portal já publicou o caso de uma mulher proibida pelo marido de estudar durante 22 anos de casamento, que deixou um bilhete na sala dos professores da escola onde limpava e acabou virando professora na mesma escola.

São dois pontos de partida opostos. Um parte da curiosidade de quem já tinha estrutura, o outro parte da falta de permissão, e ambos terminam na mesma cena de colação de grau.

O resultado é que o diploma em inglês, entregue em 9 de maio de 2026, chegou como consequência de vinte anos de aulas escolhidas uma a uma, e não como meta perseguida desde o início, conforme a apuração do The Post and Courier.

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Fonte

The Post and Courier


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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