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Ela passou 44 anos trabalhando no setor administrativo da própria universidade, começando e parando os estudos sempre que a vida apertava, até atravessar o palco aos 75 anos como a formanda mais velha de uma turma com mais de 8 mil pessoas

Ela passou 44 anos trabalhando no setor administrativo da própria universidade, começando e parando os estudos sempre que a vida apertava, até atravessar o palco aos 75 anos como a formanda mais velha de uma turma com mais de 8 mil pessoas

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Ela passou 44 anos trabalhando no setor administrativo da própria universidade, começando e parando os estudos sempre que a vida apertava, até atravessar o palco aos 75 anos como a formanda mais velha de uma turma com mais de 8 mil pessoas

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 31/07/2026 às 15:22

Cursos

A 139ª cerimônia de colação da Temple University reuniu mais de 8 mil formandos, segundo a universidade.

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Funcionária da instituição há mais de quatro décadas, ela dividiu o tempo entre o emprego, a criação de dois filhos e o cuidado com a mãe idosa, e concluiu a graduação na 139ª cerimônia de colação de grau da universidade.

Peggy Moore entrou na Temple University, na Filadélfia, para trabalhar. Segundo a emissora 6abc Philadelphia, ela ficou 44 anos no emprego, como especialista administrativa, e nesse intervalo começou e parou os estudos mais de uma vez.

Em 13 de maio de 2026, uma quarta-feira, ela atravessou o palco da 139ª cerimônia de colação de grau da instituição. Aos 75 anos, era a formanda mais velha de toda a turma, segundo a emissora 6abc Philadelphia, que acompanhou o evento.

A cerimônia reuniu mais de 8 mil formandos, conforme informou à emissora Jodi Bailey, vice-presidente de Assuntos Estudantis da universidade.

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O emprego veio primeiro e durou quatro décadas

A relação dela com a Temple começou pelo crachá, não pela matrícula. Como especialista administrativa, passou mais de quarenta anos dentro da estrutura da universidade, acompanhando de perto turmas inteiras entrarem e saírem.

É um detalhe que muda o significado da cerimônia. Ela não voltou a um lugar que tinha frequentado no passado, ela se formou no lugar onde construiu a vida profissional inteira.

Instituições de ensino nos Estados Unidos costumam oferecer benefício de estudo a funcionários, o que abre a possibilidade de cursar disciplinas ao longo dos anos enquanto se mantém o vínculo de trabalho.

O arranjo aparece também no Brasil, em versões próprias. Este portal já noticiou o caso de uma faxineira que limpava os corredores de uma universidade paulista e foi aprovada no vestibular da própria instituição aos 54 anos, depois de aceitar um cursinho oferecido à equipe de limpeza.

Em outro caso já publicado aqui, uma trabalhadora que limpava os laboratórios de uma faculdade da Paraíba hoje ensina Anatomia aos alunos de Medicina da mesma instituição, depois de emendar técnico, graduação, mestrado e doutorado.

Ela começava e parava sempre que a vida apertava

O percurso não foi contínuo, e ela mesma explicou o motivo. Em declaração à 6abc, Moore contou que começava e interrompia as aulas quando se sentia sobrecarregada, e que outras coisas foram acontecendo pelo caminho.

Ainda segundo o relato dela à emissora, houve dois filhos para criar e uma mãe idosa para cuidar, além de uma série de obstáculos ao longo do período.

Esse padrão de interrupção é comum entre estudantes adultos que estudam enquanto trabalham em tempo integral, porque a matrícula acaba sendo a primeira coisa a ceder quando o resto da rotina aperta.

A retomada tardia costuma vir acompanhada de um receio específico, o de não dar mais conta de aprender. Um caso já publicado por este portal descreve exatamente isso: um homem que venceu aos 51 anos o medo de não conseguir aprender, concluiu o ensino médio pela EJA e entrou em Engenharia Civil numa universidade federal.

Há ainda quem retome ao lado da própria família. Outro caso registrado aqui mostra uma mulher de 51 anos aprovada no mesmo vestibular que o filho de 17, os dois na mesma turma de Engenharia Elétrica, mais de vinte anos depois de ela ter deixado a escola.

O recado que ela deixou aos colegas de turma

Na cerimônia, Moore resumiu o que sentia. Segundo a 6abc, ela afirmou que agora sente que conseguiu, e que nunca desistiu.

A mesma reportagem registra o recado que ela quis deixar aos demais formandos, no sentido de continuarem perseverando e simplesmente seguirem em frente.

Ela também disse ter superado todos os obstáculos que apareceram no caminho, conforme a declaração reproduzida pela emissora.

Oito mil pessoas no mesmo dia

A dimensão da turma ajuda a entender o destaque. Foram mais de 8 mil formandos passando pela mesma cerimônia, de acordo com a vice-presidente de Assuntos Estudantis ouvida pela 6abc.

Na declaração à emissora, Jodi Bailey afirmou que os formandos agora fazem parte da família Temple e que a universidade tem orgulho do trabalho que eles fizeram para chegar até ali.

Numa multidão desse tamanho, o dado que separa uma pessoa das outras costuma ser justamente o tempo que ela levou para chegar.

Por que a formatura tardia vira notícia

Cerimônias de colação nos Estados Unidos costumam identificar o formando mais velho e o mais novo da turma, e é um momento que a plateia reconhece com facilidade.

O apelo não está apenas na idade. Está no contraste entre o tempo que a pessoa levou e o fato de ela ter chegado ao fim mesmo assim, depois de anos de idas e vindas.

No Brasil, o equivalente mais próximo já noticiado por este portal é o de um homem de 75 anos aprovado pela segunda vez no Sisu para cursar Ciências Biológicas numa universidade federal do Piauí, depois de enfrentar distância, limitação física e anos longe da escola.

A idade coincide com a da formanda americana, e o padrão também: em ambos os casos, o diploma aparece depois de um intervalo longo, e não como continuação natural da juventude.

O crachá abre uma porta que a mensalidade fecharia

Existe um detalhe prático que costuma passar despercebido nesse tipo de história. O custo de uma graduação nos Estados Unidos é um dos maiores obstáculos para quem tenta estudar depois de adulto, e o benefício oferecido a funcionários muda essa conta.

Quem trabalha na instituição consegue cursar disciplinas sem arcar com o valor cheio, o que torna viável avançar devagar, uma matéria por vez, ao longo de muitos anos.

É o que permite um percurso como o dela, feito de pausas e retomadas, sem que cada interrupção signifique perder dinheiro investido ou recomeçar do zero.

Um diploma que demorou o tempo de uma carreira inteira

O caso de Moore junta as duas coisas em uma só cena. O intervalo entre o começo do vínculo com a universidade e a entrega do diploma é praticamente o tamanho de uma vida profissional completa.

Enquanto a maioria dos mais de 8 mil formandos daquela quarta-feira passou de três a cinco anos na instituição, ela estava ali havia 44, primeiro como funcionária e só no fim como diplomada, segundo o registro da 6abc Philadelphia.

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Fonte

6abc Philadelphia


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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