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Ele carregou 300 toneladas de aço e concreto retiradas da maior obra viária em sua cidade, reaproveitou vigas de túneis e placas de rodovia e transformou os resíduos em uma casa de aproximadamente 400 m² com jardim sobre o teto

Ele carregou 300 toneladas de aço e concreto retiradas da maior obra viária em sua cidade, reaproveitou vigas de túneis e placas de rodovia e transformou os resíduos em uma casa de aproximadamente 400 m² com jardim sobre o teto

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Ele carregou 300 toneladas de aço e concreto retiradas da maior obra viária em sua cidade, reaproveitou vigas de túneis e placas de rodovia e transformou os resíduos em uma casa de aproximadamente 400 m² com jardim sobre o teto

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 29/07/2026 às 14:36

Atualizado em 29/07/2026 às 14:37

Curiosidades

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Casa de 400 m² em Lexington é construída com 300 toneladas de aço e concreto reaproveitadas do projeto viário Big Dig de Boston.

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Concluída em 2006, a Big Dig House foi construída com peças que antes sustentavam pistas, rampas provisórias e estruturas subterrâneas de Boston. O engenheiro Paul Pedini reaproveitou vigas e placas de concreto do megaprojeto viário para erguer uma residência de 399 m² com grandes vãos, dois pavimentos e um jardim instalado sobre a garagem.

O engenheiro estrutural Paul Pedini não começou a planejar sua casa escolhendo paredes, janelas ou acabamentos. O ponto de partida foi um pátio onde estavam armazenadas enormes vigas de aço e placas de concreto retiradas das obras do Big Dig, projeto que substituiu parte das vias elevadas de Boston por túneis subterrâneos.

Em vez de aceitar que componentes ainda resistentes fossem triturados ou enviados para descarte, Pedini decidiu transformá-los na estrutura de uma residência. A proposta resultou na Big Dig House, construída em Lexington, cidade localizada a cerca de 18 quilômetros de Boston, no estado norte-americano de Massachusetts.

A casa ficou pronta em 2006 e possui 4.300 pés quadrados, o equivalente a aproximadamente 399,5 m². Sua estrutura principal recebeu cerca de 600 mil libras de aço e concreto reaproveitados, quantidade apresentada pela reportagem original como 300 toneladas no sistema norte-americano, aproximadamente 272 toneladas métricas.

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De acordo com a revista The New Yorker, os materiais estruturais foram obtidos sem custo, enquanto Pedini executou pessoalmente parte significativa da construção. Mesmo usando componentes retirados de uma rodovia, o resultado não se parece com um depósito industrial ou uma pista desmontada.

A ideia começou com uma mensagem enviada a um pequeno escritório de arquitetura

No inverno de 2003, Pedini entrou em contato com os arquitetos John Hong e Jinhee Park, responsáveis pelo escritório Single Speed Design, em Cambridge. Na mensagem, explicou que havia trabalhado durante anos em uma empreiteira envolvida no Big Dig e pretendia usar materiais descartados pela obra para construir um imóvel.

Os arquitetos inicialmente desconfiaram da proposta. A situação mudou quando visitaram um pátio ao norte de Boston e encontraram grandes seções de rodovia armazenadas, incluindo vigas, placas de concreto armado e peças que exigiam equipamentos pesados para serem transportadas.

O desafio não era simplesmente levar os materiais até o terreno. Como as peças haviam sido fabricadas para obras viárias, o projeto da casa precisou ser adaptado às dimensões, aos pontos de apoio e à capacidade de carga de cada componente disponível.

Cerca de 300 toneladas de materiais do Big Dig formaram a estrutura da residência

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O Big Dig, oficialmente chamado de Central Artery/Tunnel Project, foi criado para reduzir os congestionamentos e reorganizar o sistema viário de Boston. Entre as intervenções, o projeto colocou parte da Interstate 93 em túneis e ampliou a ligação da Interstate 90 com o Aeroporto Internacional Logan.

Durante a construção, rampas provisórias, segmentos de pistas e estruturas temporárias foram instalados para manter o trânsito funcionando. Quando determinadas etapas terminaram, parte dessas peças perdeu sua função, embora continuasse em boas condições estruturais.

Pedini percebeu que as placas de concreto e as vigas poderiam suportar cargas muito maiores do que aquelas normalmente encontradas em uma casa. Materiais projetados para receber caminhões, ônibus e milhares de automóveis por dia passaram a sustentar quartos, salas, corredores e áreas externas.

O reaproveitamento reduziu a necessidade de fabricar uma nova estrutura com aço e concreto. Também evitou o descarte de centenas de toneladas de componentes que já haviam consumido energia, matéria-prima e mão de obra durante a produção original.

Os arquitetos mantiveram parte das vigas exposta dentro da casa

A residência foi construída em Six Moon Hill, conjunto conhecido por suas casas modernistas em Lexington. Para integrar a construção ao local, os arquitetos combinaram a estrutura industrial com grandes painéis de vidro, revestimento de cedro e áreas abertas.

Do lado de fora, a origem rodoviária dos materiais não é imediatamente perceptível. O uso da madeira e das superfícies envidraçadas suavizou a aparência das placas de concreto e aproximou o projeto das demais casas existentes na área.

Engenheiro reaproveita 300 toneladas de aço e concreto retiradas do Big Dig e constrói casa de 400 m² com jardim sobre a garagem. (Foto: Big Dig House)

Dentro da residência, algumas vigas permanecem visíveis. Uma janela com altura equivalente a dois pavimentos permite observar o pé-direito duplo, a escada metálica aberta e os elementos de aço usados para sustentar a construção.

Placas feitas para suportar veículos sustentam o jardim sobre a garagem

Uma das partes mais incomuns da Big Dig House é o jardim construído sobre a cobertura da garagem. As placas de concreto armado usadas no local haviam sido fabricadas para suportar o peso e o movimento de veículos em estruturas viárias.

A resistência desses componentes permitiu colocar sobre a cobertura uma camada de aproximadamente três pés de terra, pouco mais de 91 centímetros, além das plantas e da água acumulada durante as chuvas. O jardim também utiliza água pluvial reaproveitada.

Material gratuito reduziu gastos, mas não eliminou o custo da construção

Apesar de as vigas e placas terem sido obtidas sem pagamento, a casa não foi construída gratuitamente. As peças eram extremamente pesadas e precisaram ser transportadas em caminhões, movimentadas com guindastes e instaladas por profissionais capazes de trabalhar com estruturas de grande porte.

Segundo a reportagem publicada em 2007, a residência custou aproximadamente US$ 175 por pé quadrado. O valor foi considerado baixo para uma casa contemporânea daquela dimensão na região de Boston, principalmente por causa do preço dos terrenos, dos materiais e da mão de obra local.

A participação direta de Pedini também ajudou a reduzir as despesas. Como engenheiro estrutural e profissional ligado à construção pesada, ele conseguiu acompanhar etapas que normalmente exigiriam a contratação de empresas adicionais.

A Big Dig House mostrou uma alternativa ao descarte de estruturas públicas

O projeto recebeu reconhecimento de entidades ligadas à arquitetura e ajudou a divulgar o trabalho dos arquitetos John Hong e Jinhee Park. Para o escritório Single Speed Design, a casa demonstrou que materiais produzidos para grandes obras de infraestrutura podem assumir novas funções quando existe planejamento técnico.

O modelo, porém, não pode ser repetido de forma simples em qualquer terreno. O reaproveitamento de vigas e placas exige inspeções, cálculos estruturais, espaço para armazenamento e acesso para caminhões e guindastes.

Também é necessário saber com antecedência quais peças estarão disponíveis. Diferentemente de uma construção convencional, na qual os componentes são fabricados de acordo com o desenho, a Big Dig House precisou ser planejada em torno de materiais que já tinham medidas, formatos e pontos de conexão definidos.

Quase duas décadas após sua conclusão, a casa continua sendo um exemplo de reutilização de resíduos pesados da construção civil. Em Lexington, vigas e placas criadas para sustentar uma das maiores obras viárias dos Estados Unidos passaram a formar uma residência com salas amplas, dois pavimentos e um jardim sobre o teto.

Você moraria em uma casa construída com vigas de túneis e placas retiradas de uma rodovia? Deixe sua opinião nos comentários e conte se grandes obras públicas deveriam prever o reaproveitamento das estruturas antes mesmo do início da demolição.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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