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Ele começou a juntar sucata aos 7 anos para ajudar a avó e seus primos, retomou os estudos quando adulto pela EJA, concluiu gratuitamente a graduação em gestão de cooperativas e, aos 54 anos, tornou-se um exemplo para os filhos

Ele começou a juntar sucata aos 7 anos para ajudar a avó e seus primos, retomou os estudos quando adulto pela EJA, concluiu gratuitamente a graduação em gestão de cooperativas e, aos 54 anos, tornou-se um exemplo para os filhos

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Ele começou a juntar sucata aos 7 anos para ajudar a avó e seus primos, retomou os estudos quando adulto pela EJA, concluiu gratuitamente a graduação em gestão de cooperativas e, aos 54 anos, tornou-se um exemplo para os filhos

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 31/07/2026 às 09:45

Atualizado em 31/07/2026 às 09:46

Curiosidades

Sinomar trabalhou com reciclagem desde os 7 anos, concluiu a EJA e conquistou uma graduação gratuita em gestão de cooperativas aos 54. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

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Sinomar trabalhou com reciclagem desde os 7 anos, concluiu a EJA e conquistou uma graduação gratuita em gestão de cooperativas aos 54.

Aos 54 anos, Sinomar transformou uma necessidade percebida dentro de uma cooperativa de reciclagem em uma conquista que durante décadas pareceu distante: o diploma de nível superior. Natural de Uruaçu, em Goiás, ele concluiu gratuitamente a graduação em gestão de cooperativas depois de retomar os estudos pela Educação de Jovens e Adultos, ampliando sua preparação para atuar na administração do setor e tornando-se referência para os próprios filhos.

A decisão de voltar à sala de aula surgiu quando Sinomar já participava da gestão financeira de uma cooperativa criada após o encerramento do lixão da Estrutural, em Brasília. Ao lidar com contas, organização e responsabilidades administrativas, percebeu que a experiência acumulada no trabalho precisava ser acompanhada por novos conhecimentos para que pudesse aproveitar melhor as oportunidades profissionais.

Sinomar encontrou na cooperativa a razão para voltar a estudar

A reciclagem esteve presente em praticamente todas as fases de sua vida, mas foi a atuação administrativa que mudou sua relação com a educação. Diante das exigências da função, Sinomar reconheceu que havia uma lacuna em sua formação e resumiu aquela percepção de maneira direta: “Eu vi que faltava alguma coisa mais: o ensino”.

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O primeiro passo foi concluir a educação básica pela EJA, caminho criado para jovens e adultos que não conseguiram permanecer na escola durante a idade regular. Depois do ensino médio, surgiu a possibilidade de cursar gestão de cooperativas sem custos, em uma formação oferecida especialmente aos trabalhadores da reciclagem.

A graduação permitiu que Sinomar reunisse dois tipos de conhecimento: a vivência construída durante décadas no setor e a preparação acadêmica para compreender seus desafios administrativos. O diploma, portanto, não representa uma ruptura com sua história profissional, mas uma ferramenta para ocupar novas funções dentro de uma atividade que conhece desde a infância.

O percurso educacional reuniu etapas que, durante muitos anos, pareciam distantes:

Diploma de Sinomar também virou exemplo dentro de casa

A escolha pelo curso não esteve ligada apenas ao desejo de crescimento pessoal. Sinomar pensou nos filhos e na mensagem que poderia transmitir ao demonstrar que a formação pode ser retomada mesmo após muitos anos de interrupções, responsabilidades familiares e trabalho contínuo.

“Eu fiz esse curso pensando neles. Se eu estiver preparado e a oportunidade chegar, eu consigo pegar ela. Se eu estiver despreparado, ela passa e eu fico no mesmo lugar”, afirmou. A frase traduz a mudança construída ao longo da trajetória: em vez de esperar pelas oportunidades sem ter condições de aproveitá-las, ele decidiu se preparar para quando elas aparecessem.

Sinomar trabalhou com reciclagem desde os 7 anos, concluiu a EJA e conquistou uma graduação gratuita em gestão de cooperativas aos 54. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

O resultado também alterou seus planos para os próximos anos. Sinomar pretende permanecer nos estudos e buscar conhecimentos relacionados ao meio ambiente e à sustentabilidade, áreas diretamente conectadas ao trabalho com materiais recicláveis e à experiência adquirida na cooperativa.

Sinomar começou a recolher sucata aos 7 anos

Muito antes de participar de uma graduação, Sinomar já percorria as ruas recolhendo materiais que pudessem ajudar no orçamento doméstico. Ele calcula que começou a trabalhar com reciclagem por volta dos 7 anos, quando carregava pequenos objetos em um balde de tinta.

“Eu juntava parafuso, sucata, essas coisas. Era em balde pequeno de tinta mesmo”, recordou. Naquela época, a atividade não era uma escolha profissional planejada, mas uma forma de contribuir para a sobrevivência de uma família que enfrentava limitações financeiras.

Sinomar foi criado pela avó, responsável por sete netos e sustentada apenas pela aposentadoria. Nesse ambiente, aprendeu ainda menino que cada contribuição tinha importância, enquanto o trabalho ocupava um espaço que normalmente seria destinado apenas às brincadeiras e à escola.

Sinomar trabalhou com reciclagem desde os 7 anos, concluiu a EJA e conquistou uma graduação gratuita em gestão de cooperativas aos 54. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

Mudanças afastaram Sinomar da sala de aula

Aos 11 anos, ele deixou Goiás e se mudou para Brasília. A mudança, somada às dificuldades econômicas e às transformações familiares, provocou sucessivas interrupções nos estudos e fez com que a conclusão da educação básica fosse adiada por muitos anos.

Na infância, Sinomar imaginava um futuro distante da reciclagem: desejava ser piloto e mecânico de aeronaves. O sonho, porém, não encontrou condições para avançar, pois a necessidade de trabalhar e ajudar no sustento familiar colocou a escola em segundo plano.

O retorno ocorreu somente na vida adulta, quando a experiência na cooperativa mostrou que estudar poderia trazer efeitos concretos para sua rotina profissional. A EJA abriu a porta para a conclusão do ensino médio, enquanto o curso superior demonstrou que a trajetória escolar ainda poderia continuar.

Sinomar transforma passado difícil em motivo de orgulho

Ao olhar para a própria história, Sinomar destaca não apenas o diploma, mas também as escolhas feitas enquanto enfrentava a ausência dos pais e a falta de recursos. “Eu fui criado sem pai e sem mãe e não precisei fazer nada errado para vencer. Isso já é uma vitória muito grande”, declarou.

A formação em gestão de cooperativas encerra uma etapa e inaugura outra, agora marcada pelo interesse em assuntos ambientais e pela intenção de continuar aprendendo. Para Sinomar, a reciclagem deixou de ser somente uma atividade iniciada por necessidade na infância e passou a representar um campo no qual pretende se especializar.

Sua trajetória mostra como a qualificação pode nascer de uma demanda prática do trabalho e alcançar um significado maior dentro da família. Depois de recolher sucata para ajudar a avó, interromper a escola e retornar décadas mais tarde, Sinomar chegou aos 54 anos com um diploma, novos projetos e a certeza de que estar preparado pode mudar o rumo de uma oportunidade.

Com informações do Correio Braziliense

Fonte

Correio Braziliense


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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