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Ele começou vendendo batata de bar em bar às cinco da manhã e hoje dirige uma companhia que faturou R$ 24 milhões no ano passado, num caminho que agora inclui a compra de uma plataforma de WhatsApp para tentar somar mais R$ 8 milhões à receita

Ele começou vendendo batata de bar em bar às cinco da manhã e hoje dirige uma companhia que faturou R$ 24 milhões no ano passado, num caminho que agora inclui a compra de uma plataforma de WhatsApp para tentar somar mais R$ 8 milhões à receita

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Ele começou vendendo batata de bar em bar às cinco da manhã e hoje dirige uma companhia que faturou R$ 24 milhões no ano passado, num caminho que agora inclui a compra de uma plataforma de WhatsApp para tentar somar mais R$ 8 milhões à receita

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 25/07/2026 às 11:51

Economia

Ele começou vendendo batata de bar em bar às cinco da manhã e hoje comanda a Dinamize, que faturou R$ 24 milhões e comprou uma plataforma de WhatsApp.

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Jonatas Abbott saía às cinco da manhã com uma caminhonete carregada de batata, passando de mercado em mercado antes de os estabelecimentos abrirem. Hoje comanda a Dinamize, empresa de Porto Alegre que faturou R$ 24 milhões em 2025 e acaba de comprar uma plataforma de WhatsApp para crescer ainda mais.

A trajetória de Jonatas Abbott começou vendendo batata bem antes de ele chegar ao comando de uma empresa de tecnologia avaliada em cerca de R$ 100 milhões. Depois de fechar um estúdio de fotografia em Porto Alegre logo após abri lo, ele passou a dirigir uma caminhonete carregada com algumas toneladas de batata às cinco da manhã, de mercado em mercado e de bar em bar, antes de os comércios levantarem as portas. Aquela foi, segundo ele, a experiência que o transformou em um bom vendedor, segundo o portal Exame.

Da batata, Abbott foi vender computadores, depois acesso à internet na primeira leva de provedores do Rio Grande do Sul, virou gerente, depois diretor, até comprar em 2005, com um sócio, 66% de uma pequena empresa chamada Dinamize. Naquele ano, a operação tinha um funcionário, 23 clientes e faturava R$ 16 mil por mês. Hoje a companhia atende mais de 9 mil clientes no Brasil e no exterior, faturou R$ 24 milhões em 2025 e acaba de anunciar a compra da Atendo, plataforma de WhatsApp também de Porto Alegre, com a expectativa de somar mais R$ 8 milhões à receita em dois anos.

Da caminhonete de batata ao comando de uma empresa de tecnologia

Jonatas Abbott e Pedro Balsemão, agora ambos da Dinamize: e-mail e WhatsApp juntos para conversar com os clientes (Dinamize/Divulgação)

O primeiro negócio de Abbott foi um fracasso que ele mesmo assume sem rodeios. Teve um estúdio de fotografia em Porto Alegre e o fechou pouco depois de abrir, porque, nas palavras dele, era um péssimo vendedor e mal sabia precificar o próprio trabalho. Foi essa lacuna que o empurrou para a rua, literalmente.

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A escola de vendas veio na forma de uma caminhonete cheia de batata percorrida na madrugada. Vender batata de bar em bar antes do amanhecer foi o que ensinou Abbott a negociar de verdade, e a partir dali ele emendou uma sequência de trabalhos em tecnologia, passando de vendedor de computadores a provedor de internet, e de gerente a diretor, até dar o passo que mudaria a vida profissional dele, a compra de participação na Dinamize.

Uma empresa que saiu de R$ 16 mil por mês para R$ 24 milhões por ano

Quando Abbott e o sócio compraram a maior parte da Dinamize, em 2005, o negócio era minúsculo. Tinha um único funcionário, 23 clientes e um faturamento mensal de R$ 16 mil, o retrato de uma empresa de tecnologia ainda engatinhando no começo dos anos 2000 em Porto Alegre.

O salto desde então é grande. Hoje Abbott é sócio e diretor executivo da Dinamize, uma plataforma de automação de marketing que atende mais de 9 mil clientes no Brasil e no exterior. A empresa faturou R$ 24 milhões em 2025 e trabalha com um valor de mercado estimado na casa dos R$ 100 milhões, segundo a própria companhia, patamar bem distante daquele funcionário solitário de duas décadas atrás.

Por que a Dinamize foi atrás do WhatsApp

A compra da Atendo tem uma lógica de mercado por trás. Com a audiência concentrada em Google, Meta e TikTok, o alcance orgânico de qualquer marca virou item caro e escasso, e Abbott estima que o Instagram entregue conteúdo a apenas 3% da base de seguidores de uma empresa. A reação do setor tem sido reconstruir canais próprios, como e-mail, SMS e WhatsApp, em que a empresa fala com o cliente sem depender de intermediário.

Foi olhando para o WhatsApp que a Dinamize decidiu agir. A empresa já tinha um módulo do aplicativo, mas era limitado, e comprou a Atendo justamente para incorporar uma solução mais completa. A projeção é de um incremento de R$ 8 milhões em receita em dois anos, o equivalente a um crescimento de 30% sobre o faturamento de 2025, ganho que a companhia espera obter integrando o novo módulo ao ecossistema que já oferece.

O que exatamente a Dinamize comprou

A Atendo não é apenas um produto, e a compra veio com um nome de peso junto. A plataforma é um sistema de suporte e atendimento multicanal criado há cerca de três anos por Pedro Balsemão, que com a aquisição assume a diretoria de inovação da Dinamize. Segundo Abbott, foi Balsemão, mais do que o produto em si, que decidiu a compra, entre três alvos avaliados, um em São Paulo e dois em Porto Alegre.

O histórico de Balsemão explica o interesse. Antes da Atendo, ele foi sócio e diretor de produto e tecnologia da Pmweb, onde cofundou o Oto CRM, vendido no ano passado para a CRM Bonus. Segundo Abbott, o Oto faturava R$ 30 milhões por ano e atendia mais de 5 mil pontos de venda quando foi negociado, o que dá a dimensão da bagagem que Balsemão leva para a nova função.

E-mail para o volume, WhatsApp para quem já está aquecido

A estratégia por trás da compra tem uma lógica de custo bem definida. O WhatsApp é caro em comparação com o e-mail, o que inviabiliza usá lo como canal de disparo em massa. A recomendação da empresa é combinar os dois: e-mail para o grande volume, por ser muito barato, e WhatsApp para o consumidor já aquecido, como no caso de quem abandonou um carrinho de compras e representa um público menor, mas muito mais propenso a converter.

Há ainda outro trunfo técnico na Atendo. Diferente do módulo antigo, ela é uma solução nativa e homologada pela Meta, funcionando como provedora oficial, o que reduz o risco de bloqueio que atinge sistemas não autorizados. A aposta é que a conversa não termine na venda, e sim siga para dúvida sobre produto, envio de foto e atendimento pós-venda, já que o aplicativo se consolidou como o principal canal de atendimento do país. Para clientes de serviço com mensalidade, entre eles mais de 55 Unimeds, além de Fleury e Albert Einstein, o canal serve principalmente para manter a fatura em dia e o cliente na base.

O e-mail que deram como morto e não morreu

O coração do negócio da Dinamize continua sendo o e-mail marketing, mídia dada como morta há pelo menos duas décadas. Abbott argumenta que aconteceu o contrário do previsto: à medida que o e-mail perdeu funções para os aplicativos, como a foto de viagem, a corrente de autoajuda e a conversa com amigos, sobrou o uso corporativo e as mensagens que a pessoa de fato abre.

A Lei Geral de Proteção de Dados empurrou na mesma direção, ao forçar bases construídas com autorização explícita do usuário, o que significa menos volume e mais permissão. O e-commerce é o que puxa esse resultado, tendo saltado de 5% da receita da Dinamize em 2019 para 45% atualmente, justamente o segmento em que a resposta ao disparo aparece mais rápido, nas primeiras 24 horas.

O risco de depender de novo das big techs

Existe uma contradição embutida na estratégia, e a própria empresa reconhece. A dependência das grandes empresas de tecnologia é exatamente o problema que a Dinamize diz resolver, e o WhatsApp reintroduz esse risco por outra porta, já que é uma mídia proprietária da Meta, com regras, preço e homologação definidos por uma única companhia que vem ampliando os próprios produtos comerciais dentro do aplicativo.

Foi essa hesitação que segurou a Dinamize por anos antes de comprar a Atendo, e foi a homologação da plataforma pela Meta que destravou a decisão. A empresa quer, num plano de três anos, parar de organizar dados por canal e passar a organizá los por contato, acompanhando o próprio movimento do WhatsApp, que vai trocar o número de telefone pelo nome de usuário como identificador. A mensageria do Instagram é apontada como a próxima fronteira em estudo.

Da batata ao WhatsApp, uma história de virada

A trajetória de Jonatas Abbott resume um tipo de percurso que fala diretamente com quem começou de baixo. Ele saiu de um estúdio de fotografia fracassado para uma caminhonete de batata na madrugada, e da batata para o comando de uma empresa de tecnologia que hoje vale cerca de R$ 100 milhões, atende mais de 9 mil clientes e acaba de fazer uma aquisição para crescer 30% sobre o próprio faturamento.

E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você acredita que uma escola dura como vender batata de porta em porta ensina mais sobre negócios do que muito diploma, ou acha que histórias assim viram exceção romantizada? Comenta aqui embaixo qual foi o trabalho mais duro que você já teve e o que ele te ensinou que você carrega até hoje.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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