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Ele comprou uma caipirinha de R$ 40 na praia e viu R$ 8.500 sumirem do cartão, além de outras três tentativas de cobrança recusadas pelo banco logo em seguida

Ele comprou uma caipirinha de R$ 40 na praia e viu R$ 8.500 sumirem do cartão, além de outras três tentativas de cobrança recusadas pelo banco logo em seguida

8 min de leitura

Ele comprou uma caipirinha de R$ 40 na praia e viu R$ 8.500 sumirem do cartão, além de outras três tentativas de cobrança recusadas pelo banco logo em seguida

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 28/07/2026 às 20:21

Atualizado em 28/07/2026 às 20:22

Curiosidades

Turista comprou caipirinha de R$ 40 em Copacabana e foi cobrado em R$ 8.500; suspeito foi preso em flagrante por estelionato

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O turista pagou no cartão, guardou o copo e seguiu andando pela areia. Minutos depois, ao olhar o celular, viu que a caipirinha de R$ 40 tinha virado uma cobrança de R$ 8.500. E ainda havia três tentativas recusadas somando mais de R$ 34 mil.

Um turista polonês comprou uma caipirinha por R$ 40 na altura do Posto 3, na Praia de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, pagou com cartão de crédito e minutos depois percebeu que havia sido cobrado em R$ 8.500. Além dessa transação, outras três tentativas de cobrança foram feitas e acabaram recusadas, somando valores que ultrapassam R$ 34 mil, segundo a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo, a Deat.

Um homem de 31 anos foi preso em flagrante na segunda feira, 27 de julho de 2026, apontado pela vítima como responsável pela fraude, conforme informações da Polícia Civil divulgadas pelo portal G1. O caso é tratado pelos investigadores como o chamado golpe da maquininha, prática em que o valor cobrado no aparelho de cartão é muito superior ao combinado com o cliente.

A caipirinha de R$ 40 que virou uma cobrança de R$ 8.500

A compra aconteceu na areia, em uma das áreas mais movimentadas da orla carioca. O turista negociou uma caipirinha por R$ 40 na altura do Posto 3 e fez o pagamento com cartão de crédito, sem perceber nada de errado no momento da transação.

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A descoberta veio pouco depois. Ao conferir a movimentação, o estrangeiro encontrou uma cobrança de R$ 8.500 no lugar dos R$ 40 acordados, valor 212 vezes maior que o preço da bebida. É essa diferença que define o golpe: a vítima autoriza uma compra pequena e só descobre o valor real quando o aplicativo do banco avisa. Como o pagamento é aprovado na hora, a percepção só chega quando o dinheiro já saiu.

As três tentativas recusadas que passam de R$ 34 mil

Transações bancários negadas chegaram a R$ 34 mil — Foto: G1

A cobrança consumada não foi a única. Segundo a Deat, outras três tentativas de transação foram realizadas em seguida e acabaram recusadas, e os valores dessas operações negadas somados ultrapassam R$ 34 mil.

Isso significa que a exposição financeira de quem comprou uma caipirinha de R$ 40 foi muito maior do que o prejuízo efetivo. Se as três tentativas tivessem passado, o rombo somaria mais de R$ 42 mil considerando também a cobrança aprovada. O que barrou o restante não foi a percepção da vítima, e sim a recusa das operações, o que mostra o quanto o desfecho depende de sistemas de segurança que nem sempre bloqueiam a tempo.

Como a polícia chegou ao suspeito ainda na orla

Antes do crime, Geovani Moisés foi fotografado pela vítima — Foto: G1

A prisão aconteceu no mesmo dia e começou com a denúncia da vítima. Após receber o relato e as características dos suspeitos, policiais da Deat fizeram buscas na região e localizaram o homem apontado como responsável pela fraude.

Um detalhe favoreceu a identificação. Antes do crime, o suspeito havia sido fotografado pela própria vítima, imagem que ajudou no reconhecimento. Abordado pelos agentes, ele foi reconhecido pelo turista e levado à sede da delegacia. A rapidez entre a compra da caipirinha e a prisão é o que explica o flagrante, situação em que a lei permite a detenção imediata sem ordem judicial prévia.

Autuado em flagrante por estelionato

Na delegacia, o homem foi autuado em flagrante por estelionato, crime previsto no Código Penal para quem obtém vantagem ilícita induzindo alguém a erro. Ele foi identificado como Geovani Moisés da Silva dos Santos e, segundo a Polícia Civil, possui antecedentes por porte de drogas.

Vale registrar o que ainda não está definido nesse caso da caipirinha. Ser autuado em flagrante não é o mesmo que ser condenado, e o caso segue para as etapas seguintes do processo, com direito a defesa. A reportagem original não traz manifestação da defesa do suspeito, e a investigação vai apurar se ele tem envolvimento em outros casos semelhantes registrados em áreas turísticas da cidade.

Como funciona o golpe da maquininha, na prática

O mecanismo é simples e por isso funciona tanto. Segundo a Polícia Civil, o vendedor insere na máquina de pagamento um valor muito acima do combinado, sem que a vítima perceba, aproveitando a distração, a pressa e o fato de o cliente não conferir o visor antes de aproximar o cartão ou digitar a senha.

O produto vendido é quase irrelevante para o esquema. Pode ser uma caipirinha, um espetinho, uma água de coco: o que interessa ao golpista é abrir uma transação com cartão em um ambiente informal, onde não existe cupom fiscal, balcão nem câmera apontada para o visor do aparelho. Em parte dos casos investigados na orla carioca, os policiais apontam ainda o uso de terminais adulterados, aparelhos preparados para exibir uma informação e processar outra. Há também um sinal de alerta que se repete nos relatos: o vendedor que se recusa a receber dinheiro em espécie e exige o pagamento no cartão. Turista estrangeiro é alvo preferencial justamente porque não domina o idioma, não conhece os preços praticados e demora mais para conferir o extrato.

Dias antes, um turista francês pagou quase R$ 8,3 mil por duas caipirinhas

O caso do polonês não é o primeiro do mês. Poucos dias antes, também em Copacabana, outro homem foi preso pelo mesmo tipo de crime. Wellington Tavares Gomes Cardoso se passou por vendedor ambulante e negociou duas caipirinhas de morango por R$ 80 com um turista francês.

O desfecho seguiu o mesmo roteiro. No momento do pagamento, o suspeito teria manipulado a maquininha e cobrado um valor muito superior sem que o cliente notasse. Registros da Polícia Civil apontam uma cobrança de R$ 8.246,40, além de tentativas de débito recusadas que somariam mais de R$ 20 mil, e indicam que o vendedor recusou dinheiro em espécie. Após audiência de custódia realizada em 21 de julho, a prisão em flagrante dele foi convertida em preventiva, a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Uma sequência de casos que não para na caipirinha

Os episódios se acumulam e não se limitam a bebida. Em abril de 2026, agentes da mesma delegacia prenderam em flagrante um ambulante acusado de tentar cobrar R$ 10 mil por um churrasquinho de uma turista britânica que havia concordado em pagar R$ 100.

Naquele caso, a Polícia Civil informou que o suspeito integrava um esquema estruturado que usava equipamentos adulterados para fraudar visitantes na Zona Sul. A delegada responsável afirmou que a delegacia vem prendendo esses criminosos de forma reiterada, mas apontou a ausência de fiscalização de ambulantes na praia como fator que cria desordem e facilita o delito. Prender em flagrante resolve o caso, não resolve o problema, e é essa a diferença que aparece nas falas da própria polícia.

O que a polícia orienta para não cair no golpe

A recomendação principal para quem vai pagar uma caipirinha na areia é quase constrangedora de tão simples: conferir o valor exibido na maquininha antes de concluir qualquer pagamento. Depois da sequência de casos na orla, a Polícia Civil reforçou essa orientação para moradores e visitantes.

A segunda orientação é denunciar. Segundo a Deat, moradores e turistas devem comunicar abordagens suspeitas imediatamente, porque o registro das ocorrências é o que permite mapear os autores e agir. Sem registro, o caso não existe para a estatística nem para a investigação. O governo estadual também distribuiu uma cartilha traduzida em três idiomas com alertas sobre golpes comuns na cidade, entre eles o da maquininha, orientando o consumo em locais conhecidos, como quiosques e hotéis.

O que fazer se a cobrança já aconteceu

Quando o valor já saiu, a primeira providência é registrar a ocorrência, de preferência na delegacia especializada em atendimento ao turista, guardando comprovante, horário e qualquer imagem que ajude a identificar o vendedor. No caso do turista polonês, foi justamente uma foto tirada antes da compra que ajudou a polícia a localizar o suspeito.

Também ajuda anotar o ponto exato da orla, o horário e o valor combinado, informações que a polícia usa para cruzar relatos e identificar quem repete o golpe no mesmo trecho de praia. A segunda providência corre por fora da esfera policial. Cobranças não reconhecidas podem ser contestadas junto ao emissor do cartão, procedimento comum em situações de fraude, embora o resultado dependa da análise de cada instituição e do tipo de transação. Quanto mais rápido o aviso, maior a chance de bloquear o que ainda não foi processado, o que reforça a importância de acompanhar as notificações do aplicativo em tempo real.

Há ainda uma diferença prática entre crédito e débito que muda o cenário. Na modalidade de crédito, como no caso da caipirinha do turista polonês, existe uma janela para contestar antes do vencimento da fatura. No débito, o dinheiro sai da conta na hora, e a recuperação tende a ser mais demorada. Por isso a orientação de conferir o visor vale ainda mais quando o pagamento é feito direto na conta.

O impacto sobre a imagem da cidade

O prejuízo não fica só no cartão da vítima. Casos como esse circulam rápido na imprensa internacional e afetam diretamente a percepção de segurança de quem planeja viajar, num momento em que a prefeitura e o governo estadual anunciaram reforço de fiscalização na orla.

Do outro lado, existe o ambulante que trabalha de forma correta e acaba pagando o preço da desconfiança geral. A caipirinha vendida na areia é parte da paisagem carioca e sustenta muita gente, e cada golpe aplicado com maquininha adulterada joga suspeita sobre todo mundo que trabalha na praia. É esse efeito colateral que aparece nas reclamações de quem depende do turismo para viver.

Você já conferiu o valor antes de passar o cartão

O caso levanta uma pergunta que vale para qualquer cidade, não só para o Rio. Na hora de pagar uma caipirinha na praia, uma bebida na barraquinha ou um lanche no food truck, quantas pessoas realmente olham o visor da maquininha antes de aproximar o cartão? A maioria confia, aproxima e segue andando, exatamente o comportamento que o golpe explora.

Agora queremos ouvir você. Você já passou por uma cobrança errada em maquininha ou conhece alguém que passou, e conseguiu reaver o dinheiro? E na sua opinião, o que resolveria mais na orla carioca: mais policiamento, fiscalização dos ambulantes ou punição mais dura para quem aplica esse tipo de fraude? Comenta aqui embaixo o que você faria no lugar do turista.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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