Um dos principais temas dos debates eleitorais, a segurança pública deve ganhar uma atenção especial na campanha presidencial de 2026. Isso porque as pesquisas apontam que o crescimento das facções criminosas e o impacto no dia a dia são as maiores preocupações dos brasileiros atualmente.
De olho nisso, os principais pré-candidatos à Presidência da República se organizam para emplacar soluções que atraiam os eleitores.
Segundo a Pesquisa Latam Pulse, divulgada na semana passada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, o enfrentamento à violência é prioridade entre os brasileiros. Para 66,8% dos entrevistados, criminalidade e tráfico de drogas são os principais problemas do país, seguidos por corrupção (57,9%), economia e inflação (22,5%).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidatos à reeleição, lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com aporte de R$ 11,1 bilhões para sufocar facções, e entregou a PEC da Segurança Pública ao Congresso Nacional para reestruturar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
PCC e CV
O petista tem se posicionado fortemente sobre a necessidade de combater o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as principais facções do país, mas critica que as organizações criminosas brasileiras sejam classificadas como terroristas pelos Estados Unidos.
Para o governo atual, as facções são um problema de segurança pública nacional e critica a medida como um risco à soberania e um pretexto para intervenção estrangeira.
A postura de Lula é oposta ao posicionamento de seu principal adversário nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar defendeu publicamente a nova classificação do PCC e do CV e tem usado o tema para desgastar a pré-campanha do atual presidente.
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) também tem sido questionado sobre o tema em entrevistas. Conhecido por sua política linha-dura que resultou na queda de indicadores criminais em GO, ele também já foi alvo de críticas pela alta letalidade policial no estado.
Sobre o crescimento das organizações criminosas, Caiado também defendeu classificar as facções como terroristas e prometeu, em entrevistas, mobilizar as Forças Armadas na Amazônia para enfrentar os grupos criminosos.
“A Amazônia brasileira é 100% comandada pelo Comando Vermelho e o PCC. Mais de 250 municípios hoje são 100% comandados pelo Comando Vermelho e pelo PCC. Muita gente diz ‘Caiado, você vai implantar a tese do terrorismo?’ Imediatamente”, afirmou o pré-candidato do PSD em evento de maio.
Renan Santos, pré-candidato do Missão, também já se manifestou sobre as organizações criminosas. Após os EUA declararem as facções como terroristas, ele disse, por meio das redes sociais, que “americano nenhum vai matar nossos bandidos”.
Percepção popular
Outras pesquisas mostram como o tema tomou a atenção da população e deve dominar os debates eleitorais. Em maio, 68,7 milhões de pessoas afirmaram ao levantamento Datafolha ver a ação do crime organizado perto de casa, no bairro onde moram.
O levantamento What Worries the World, do Ipsos/Ipec no mesmo mês, mostra que crime e violência seguem como a principal preocupação dos brasileiros, citados por 48% dos entrevistados. O índice teve leve alta de um ponto porcentual em relação a abril e avançou sete pontos na comparação com o ano anterior.
O assunto também tem ganhado destaque local. Pesquisa Datafolha divulgada no último domingo aponta que as áreas da segurança pública e da saúde são os dois dos maiores problemas do estado de São Paulo, empatadas com 27%.
O que pensam os pré-candidatos
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Lançou pacote contra o crime organizado, mas é contra a classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA.
- Flávio Bolsonaro (PL) — Defende que o PCC e o CV sejam organizações terroristas estrangeiras.
- Ronaldo Caiado (PSD) — É a favor da classificação dos EUA para as organizações criminosas.
- Renan Santos (Missão) — Se posicionou pelo endurecimento das políticas de combate às instituições, mas afirma que isso deve ser conduzido pelas forças de segurança brasileiras.
- Romeu Zema (Novo) — Defende o enquadramento de integrantes de facções criminosas como terroristas.
- Augusto Cury — Defende o combate rigoroso às facções criminosas por meio da integração entre as polícias brasileiras.
- Cabo Daciolo — Ainda não se posicionou.
- Joaquim Barbosa — Ainda não se posicionou.
Maioridade penal
Também entrou em pauta no pacote da segurança pública a discussão sobre a maioridade penal. Em junho, uma pesquisa Datafolha mostrou que 79% da população apoia a mudança.
O governo Lula se posiciona contra a redução de 18 para 16 anos. Para o Palácio do Planalto e o Ministério dos Direitos Humanos, a medida é inconstitucional, ineficaz e carece de um debate mais amplo. A solução, segundo a gestão petista, está na prevenção e no fortalecimento das políticas socioeducativas, e não no encarceramento.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro defendeu uma redução da maioridade penal ainda mais ampla do que a aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O parlamentar diz que a responsabilização criminal a partir dos 14 anos em casos considerados mais graves. Romeu Zema partilha do mesmo entendimento.
Ronaldo Caiado é um ferrenho defensor da punição imediata para crimes graves cometidos por adolescentes a partir dos 16 anos. Para o pré-candidato, o endurecimento da lei nesse sentido pode diminuir a impunidade e, consequentemente, reduzir a taxa de criminalidade no país.

