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Eles mantêm vivo um barbaquá de 125 anos! Casal preserva técnica herdada de imigrante alemão que levava 30 dias para vender erva-mate em carretão, usa mula, roda de fogo e atrai turistas do Brasil e até do Uruguai

Eles mantêm vivo um barbaquá de 125 anos! Casal preserva técnica herdada de imigrante alemão que levava 30 dias para vender erva-mate em carretão, usa mula, roda de fogo e atrai turistas do Brasil e até do Uruguai

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Eles mantêm vivo um barbaquá de 125 anos! Casal preserva técnica herdada de imigrante alemão que levava 30 dias para vender erva-mate em carretão, usa mula, roda de fogo e atrai turistas do Brasil e até do Uruguai

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 31/07/2026 às 11:57

Atualizado em 31/07/2026 às 11:58

Curiosidades

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Casal preserva há décadas um barbaquá de 125 anos e mantém viva uma das mais antigas técnicas artesanais de produção de erva-mate do Sul do Brasil.

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Casal mantém em funcionamento um barbaquá centenário no meio da mata, preservando uma técnica artesanal que atravessou cinco gerações e hoje encanta visitantes interessados em conhecer de perto um dos mais antigos processos de produção de erva-mate ainda ativos no Sul do Brasil.

A fumaça sobe lentamente no meio da mata enquanto os galhos recém-colhidos de erva-mate passam sobre uma intensa roda de fogo. O estalo das folhas anuncia que o processo começou exatamente como acontecia há mais de um século. Em uma época em que grandes indústrias conseguem beneficiar milhares de toneladas em poucas horas, um casal do Sul do Brasil segue fazendo tudo praticamente da mesma forma que seus antepassados faziam há 125 anos.

Segundo reportagem exibida pela Vale Agrícola, Seu Rodolfo e Dona Francisca mantêm vivo um dos últimos barbaquás tradicionais ainda em funcionamento na região. O sistema centenário, herdado da família, preserva técnicas artesanais quase desaparecidas, desde a sapecada da erva até a secagem, a moagem e o beneficiamento final. Além da produção, a propriedade também se transformou em um destino de turismo rural, recebendo visitantes brasileiros e estrangeiros interessados em conhecer um patrimônio histórico da cultura da erva-mate.

Muito mais do que fabricar chimarrão, o casal preserva uma forma de viver que ajudou a construir parte da economia e da identidade cultural do Sul do Brasil.

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Um processo artesanal que atravessou mais de um século praticamente sem mudanças

Casal trabalha em barbaquá centenário utilizando roda de fogo para produção artesanal de erva-mate em meio à mata nativa. Imagem: Divulgação

Tudo começa ainda dentro da mata nativa. Logo após a colheita, os galhos seguem para a primeira etapa do processo: a sapecada.

Diante da roda de fogo, Dona Francisca explica que esse momento exige experiência e atenção. O objetivo não é simplesmente aquecer a planta. Existe um ponto exato para que as folhas mantenham suas propriedades.

Segundo ela, a erva não pode queimar nem permanecer crua. O calor precisa provocar pequenos estalos característicos nas folhas. É justamente esse detalhe que garante a qualidade da bebida.

Caso a sapecada seja feita de forma inadequada, a erva escurece durante a secagem e perde parte das características desejadas para um bom chimarrão.

Depois dessa etapa, começa outro trabalho igualmente importante: quebrar cuidadosamente os galhos.

O procedimento segue medidas específicas para evitar excesso de madeira na mistura. Galhos muito grossos alteram o sabor da bebida e reduzem sua qualidade.

Somente depois disso são formadas quatro camadas cuidadosamente organizadas. Os feixes são amarrados com taquara antes de seguirem para o tradicional carijo, estrutura responsável pela secagem lenta utilizando apenas o calor conduzido pelo fogo.

Esse conhecimento foi transmitido de geração em geração.

A tradição começou com o avô de Seu Rodolfo, um imigrante alemão que chegou ao Brasil em 1901 e iniciou a produção artesanal de erva-mate utilizando exatamente esse sistema.

Naquela época, a logística era completamente diferente da atual.

Após beneficiar a erva, ele carregava a produção em um carretão puxado por oito cavalos até Joinville, em Santa Catarina. Cada viagem levava aproximadamente 30 dias entre ida e volta.

Além da erva-mate, o retorno trazia produtos essenciais para a família, como açúcar, sal, ferragens e pólvora, itens indispensáveis para a vida no campo naquela época.

O barbaquá construído há 125 anos continua funcionando diariamente

Barbaquá centenário preservado por uma família mantém vivo o tradicional processo artesanal de produção de erva-mate utilizando roda de fogo, carijo, mata nativa e técnicas herdadas há mais de um século. Imagem: Divulgação

Hoje, quase tudo permanece praticamente igual.

Seu Rodolfo e Dona Francisca estão casados há quase cinco décadas e assumiram juntos a responsabilidade de manter viva essa tradição familiar.

Depois que os feixes chegam ao carijo, eles são colocados sobre uma estrutura suspensa onde permanecem durante cerca de 24 horas.

Enquanto isso, o fogo é alimentado continuamente em um compartimento localizado abaixo da estrutura.

O calor percorre um longo conduto até alcançar lentamente a erva.

O detalhe impressionante é que esse canal continua sendo exatamente o mesmo construído pelo avô de Seu Rodolfo há aproximadamente 125 anos.

A estrutura original permanece preservada e continua desempenhando a mesma função para a qual foi criada ainda no final do século XIX.

Concluída a secagem, entra em cena outro personagem tradicional da propriedade: uma mula.

Durante muitos anos, o animal foi responsável por movimentar o equipamento que realizava a cancheação da erva.

Atualmente, a antiga mula foi aposentada, mas outra está sendo preparada para continuar executando o trabalho exatamente como acontecia antigamente.

Enquanto gira o mecanismo, a erva é triturada e separada naturalmente dos pequenos galhos.

O material mais fino cai para a parte inferior do equipamento, enquanto os pedaços maiores permanecem acima para serem separados.

Outra peça histórica preservada pela família é o pilão utilizado para socar a erva.

Ao lado dele está o famoso soque, equipamento que hoje utiliza energia elétrica, mas que durante décadas funcionou exclusivamente com a força da água, aproveitando pequenos cursos d’água existentes na propriedade.

Toda a matéria-prima utilizada continua sendo exclusivamente de erva-mate nativa.

Segundo Dona Francisca, a família nunca precisou plantar mudas.

Quem faz esse trabalho é a própria natureza.

Os principais responsáveis são os pássaros, especialmente o jacu, que se alimenta das sementes e acaba espalhando naturalmente novas plantas por toda a mata preservada da propriedade.

Turismo rural transformou a tradição familiar em uma experiência procurada até por visitantes estrangeiros

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Mesmo preservando um sistema de produção extremamente lento quando comparado ao modelo industrial, Seu Rodolfo e Dona Francisca continuam produzindo erva-mate todos os meses.

Em períodos de clima favorável, quando as chuvas não atrapalham a colheita, a família chega a beneficiar aproximadamente 100 arrobas de erva-mate por mês.

Toda a produção é comercializada diretamente para clientes fiéis, muitos deles consumidores de longa data que fazem questão do sabor característico proporcionado pela secagem artesanal no barbaquá.

A fumaça da lenha utilizada durante o processo confere um aroma marcante, bastante diferente da erva produzida em escala industrial.

Apesar disso, Seu Rodolfo reconhece que a atividade já não oferece o mesmo retorno financeiro de décadas atrás.

Segundo ele, atualmente o trabalho é mantido muito mais pelo compromisso com a história da família do que pelo lucro obtido com as vendas.

O objetivo principal é preservar um legado iniciado pelo avô, continuado pelo pai e agora mantido por ele e Dona Francisca.

Além da erva-mate tradicional, a propriedade também produz diferentes versões do produto, incluindo uma erva mais verde, outra descansada e até chás preparados com folhas de guabirova, conhecidos pelo casal por seu sabor diferenciado.

A família também ressalta que toda a produção ocorre sem o uso de agrotóxicos.

Esse cuidado é um dos motivos pelos quais eles próprios consomem exclusivamente a erva produzida na propriedade.

Segundo Dona Francisca, a valorização da erva-mate já foi muito maior no passado.

Ela lembra que seu pai e o pai de Seu Rodolfo chegaram a adquirir terras utilizando a erva como forma de pagamento, demonstrando a importância econômica que o produto possuía em outras épocas.

Nos últimos anos, porém, um novo capítulo começou a mudar essa realidade.

Há cerca de seis anos, o casal decidiu abrir as portas da propriedade para visitantes interessados em conhecer de perto o funcionamento do barbaquá.

A iniciativa rapidamente ganhou destaque.

Hoje, turistas chegam de diferentes estados brasileiros e até do exterior para acompanhar todas as etapas da produção.

Segundo Dona Francisca, recentemente um grupo vindo do Uruguai visitou a propriedade e já programou uma nova viagem.

O turismo rural passou a complementar a renda da família e, ao mesmo tempo, ampliar a divulgação dessa tradição centenária.

Além da visita ao barbaquá, os turistas encontram uma estrutura preparada para receber grupos.

Existe uma cabana com capacidade para hospedar até 10 pessoas, trilhas pela mata nativa, caminhos que percorrem áreas de erva-mate e roteiros que levam até diversas nascentes preservadas.

A conservação ambiental também faz parte da história da família.

Segundo o casal, tanto o pai quanto o avô de Seu Rodolfo sempre tiveram grande preocupação com a preservação da natureza, motivo pelo qual extensas áreas da propriedade permanecem cobertas por mata nativa até hoje.

Enquanto isso, a nova geração também encontrou maneiras de inovar sem abandonar a tradição.

O genro do casal, Luiz, desenvolveu uma linha de bebidas artesanais derivadas da erva-mate.

Entre os produtos estão licor, vinho, cachaça e até uma versão inspirada no tradicional absinto.

Todas as bebidas passam por aproximadamente 90 dias de maturação, período considerado essencial para alcançar o sabor desejado.

A criatividade não para por aí.

A erva-mate também aparece em bolos, cookies, salgados e outras receitas desenvolvidas pela família, mostrando que o ingrediente pode ir muito além do tradicional chimarrão.

Depois de mais de um século preservando praticamente intacto um dos sistemas mais antigos de beneficiamento de erva-mate do Sul do Brasil, Seu Rodolfo e Dona Francisca continuam fazendo questão de manter viva essa herança.

Para eles, cada feixe colocado sobre o carijo representa muito mais do que produção artesanal.

É uma forma de homenagear gerações que dedicaram a vida ao barbaquá e de garantir que esse conhecimento não desapareça com o tempo.

E você, teria curiosidade de conhecer um barbaquá centenário e experimentar um chimarrão produzido exatamente como era feito há mais de 125 anos?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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