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Eletricista sem faculdade construiu sozinho, em casa, um avião de mais de 100 kg movido por um motor de bomba d’água de apenas 7 cavalos e voou de verdade sobre um rio em Bangladesh

Eletricista sem faculdade construiu sozinho, em casa, um avião de mais de 100 kg movido por um motor de bomba d’água de apenas 7 cavalos e voou de verdade sobre um rio em Bangladesh

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Eletricista sem faculdade construiu sozinho, em casa, um avião de mais de 100 kg movido por um motor de bomba d’água de apenas 7 cavalos e voou de verdade sobre um rio em Bangladesh

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 28/07/2026 às 14:42

Curiosidades

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Eletricista sem faculdade constrói um avião caseiro de 100 kg com motor de bomba d’água de 7 cavalos e faz o voo de verdade sobre um rio em Bangladesh.

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Em Manikganj, Bangladesh, o eletricista Julhas Molla, de 28 anos, construiu sozinho um avião caseiro de mais de 100 kg, movido por um motor de bomba d’água de apenas 7 cavalos. Depois de quatro anos de trabalho, ele fez o voo de verdade, subindo cerca de 15 metros sobre um rio.

Um eletricista sem diploma de faculdade transformou peças simples em uma aeronave que realmente decola. Em Bangladesh, Julhas Molla construiu em casa um avião caseiro de mais de 100 quilos e o fez voar usando um motor de bomba d’água de só 7 cavalos. A história foi divulgada em março de 2025 pelo jornal The Business Standard.

O detalhe mais surpreendente é a fonte de força do aparelho. Em vez de um motor de avião, o eletricista adaptou o tipo de motor usado em bombas de irrigação, comuns no campo, para girar a hélice. Com essa engenhoca, ele conseguiu erguer do chão uma estrutura caseira de metal.

O resultado coroou anos de tentativas e fracassos. Após cerca de quatro anos mexendo no projeto, Julhas finalmente realizou o voo sobre um rio, diante de moradores curiosos. Mais do que uma proeza isolada, o feito reacendeu o sonho de baratear a aviação em Bangladesh. Veja a seguir como ele conseguiu.

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Quem é Julhas Molla, o eletricista que construiu um avião

Eletricista sem faculdade constrói um avião caseiro de 100 kg com motor de bomba d’água de 7 cavalos e faz o voo de verdade sobre um rio em Bangladesh. Foto: Zahangir Shah/Star

O autor da façanha é um trabalhador comum, longe dos grandes centros de tecnologia. Julhas Molla, de 28 anos, mora no vilarejo de Shaitghar Teota, em Shibaloy, no distrito de Manikganj, em Bangladesh. De profissão eletricista, ele trabalha por contrato em instituições na capital, Dhaka, e usou as folgas para tocar o projeto.

O ritmo de trabalho dele explica a demora da empreitada. Durante a semana, Julhas cumpria suas tarefas de eletricista em Dhaka, e era só nas folgas que voltava ao vilarejo, em Manikganj, para avançar no avião caseiro. Pouco a pouco, fim de semana após fim de semana, a aeronave foi tomando forma nas mãos dele.

A formação dele não passou pela universidade. Julhas concluiu o ensino médio em 2014, mas não pôde seguir estudando por causa de dificuldades financeiras. Em vez de uma faculdade de engenharia, sua escola foi a prática diária com fios, motor e equipamentos elétricos, somada a muita pesquisa por conta própria.

O interesse pela aviação surgiu aos poucos. Há cerca de quatro anos, o eletricista começou a brincar com aeromodelos de controle remoto, os pequenos aviões de rádio, e dali nasceu a vontade de construir uma aeronave de verdade, capaz de carregar uma pessoa. O sonho foi crescendo até virar obsessão.

Foi com paciência e teimosia que ele chegou ao avião caseiro. As primeiras tentativas falharam, mas Julhas não desistiu, ajustando o projeto a cada erro. Esse processo de tentativa e correção, típico de inventores autodidatas, é o que explica como um trabalhador sem diploma técnico conseguiu um feito que impressiona engenheiros.

Um avião caseiro movido a motor de bomba d’água

Eletricista sem faculdade constrói um avião caseiro de 100 kg com motor de bomba d’água de 7 cavalos e faz o voo de verdade sobre um rio em Bangladesh.

O coração do projeto é um motor que ninguém esperaria ver em um avião. Julhas usou um motor de bomba d’água, daqueles empregados para puxar água em poços e na irrigação agrícola, muito comuns no campo de Bangladesh. Apesar de modestos 7 cavalos de potência, ele foi adaptado para fazer a hélice girar.

Adaptar um motor de bomba para voar está longe de ser simples. Esse tipo de motor é feito para girar uma bomba em rotação constante, e não para impulsionar uma hélice contra o vento. Julhas precisou ajustar a transmissão e equilibrar o conjunto para que os 7 cavalos virassem empuxo suficiente, sem superaquecer no esforço.

A estrutura do avião caseiro foi toda feita à mão. Segundo o The Business Standard, Julhas montou a aeronave combinando alumínio, aço inoxidável e ferro, materiais relativamente acessíveis. O conjunto pesa mais de 100 quilos, mas foi pensado para ser leve o suficiente diante da potência limitada do motor.

eletricista ainda incluiu instrumentos no painel. O aparelho conta com um velocímetro digital, que ajuda o piloto a acompanhar a velocidade durante o voo. É um toque de sofisticação em uma máquina nascida de improviso, mostrando a preocupação dele em controlar o que acontece no ar.

Tudo isso saiu de uma oficina caseira, e não de uma fábrica. Sem equipamentos industriais, Julhas cortou, dobrou e uniu cada peça por conta própria, transformando o quintal e a garagem em um pequeno hangar. O avião caseiro é, nesse sentido, fruto de pura engenhosidade manual.

O voo de verdade sobre o rio Jamuna

Photo: UNB

A grande prova aconteceu à beira de um grande rio. Julhas levou seu avião caseiro para as margens do rio Jamuna, na região de Jafarganj, um espaço aberto e plano, ideal para tentar uma decolagem. A escolha do local mostra cuidado: voar sobre uma área desimpedida reduz os riscos em caso de falha.

E o aparelho realmente saiu do chão. Diante de curiosos, o motor de bomba d’água girou a hélice, a estrutura ganhou velocidade e o avião caseiro decolou, alcançando uma altitude de cerca de 15 metros, o equivalente a uns 50 pés. Para uma máquina feita em casa, foi um resultado notável.

O controle na volta foi tão importante quanto a subida. Depois de se manter no ar, Julhas conseguiu trazer a aeronave de volta ao solo com segurança, completando o voo sem acidentes. Pousar em condições é justamente o que separa um simples salto de um voo de verdade.

As imagens do feito rodaram o mundo. Vídeos do avião caseiro sobrevoando o rio viralizaram nas redes sociais, despertando admiração pela ousadia do eletricista. Foi esse registro que transformou um experimento local de Bangladesh em assunto internacional, comentado por entusiastas da aviação.

Quatro anos e 800 mil taka: o custo da obsessão

Assista o vídeo

O projeto exigiu tempo e dinheiro do próprio bolso. Segundo as reportagens, Julhas levou cerca de quatro anos para chegar ao avião caseiro que voou, somando pesquisa, testes e reconstruções. Foi um período longo, encaixado entre os turnos de trabalho como eletricista em Dhaka.

O investimento também pesou no orçamento de um trabalhador comum. Estima-se que ele tenha gastado em torno de 8 lakhs de taka, a moeda local, o equivalente a aproximadamente 36 mil reais. Para alguém sem patrocínio, juntar esse valor ao longo dos anos foi parte do desafio.

O caminho até o sucesso foi pavimentado por erros. Antes de ver o motor levantar a aeronave, Julhas amargou tentativas frustradas, em que o avião caseiro simplesmente não saía do chão ou apresentava falhas. Cada insucesso, porém, virou aprendizado para o ajuste seguinte.

Essa persistência é o que torna a história tão marcante. Em vez de desistir diante da falta de recursos e de formação, o eletricista tratou cada obstáculo como etapa do projeto. O resultado foi uma aeronave que, contra todas as probabilidades, conseguiu voar sobre um rio de Bangladesh.

Como um motor de 7 cavalos consegue voar?

A pergunta é natural diante de uma potência tão pequena. Afinal, 7 cavalos é o que se espera de um cortador de grama ou de uma bomba d’água, não de uma aeronave. O segredo está em manter o conjunto leve e em aproveitar bem cada detalhe da aerodinâmica do avião caseiro.

O princípio é o mesmo das aeronaves ultraleves. Quanto menor o peso da estrutura, menos força é preciso para vencer a gravidade, o que permite que um motor modesto seja suficiente para um voo curto e baixo. Por isso, materiais como alumínio são tão valorizados nesse tipo de projeto.

A experiência com aeromodelos ajudou nessa conta. Ao brincar com aviões de controle remoto, Julhas aprendeu na prática como asa, hélice e peso se relacionam, conhecimento que ele ampliou para uma máquina capaz de carregar uma pessoa. Foi um salto de escala, mas baseado em princípios que ele já dominava.

Vale lembrar que esses motores são onipresentes em Bangladesh. Usados na irrigação de plantações, os motores de bomba d’água são baratos, fáceis de achar e de consertar no país. Escolher um deles foi uma decisão esperta do eletricista, que apostou no que tinha à mão para realizar o voo.

Ainda assim, é bom ter os pés no chão sobre os limites. Um motor tão fraco só permite voos curtos, baixos e em condições calmas, longe da segurança de uma aeronave certificada. O feito de Julhas vale como prova de conceito e demonstração de talento, e não como um meio de transporte pronto para o dia a dia.

Cuidado com a desinformação: o vídeo viral atribuído errado

A fama repentina trouxe junto um problema comum na internet. Quando as imagens do avião caseiro viralizaram, muitas versões circularam com informações erradas sobre quem teria feito a aeronave. O feito real de Julhas acabou, em alguns posts, creditado a outras pessoas.

Uma das versões falsas ganhou força em outro país. Sites de checagem, como o Newschecker e o FACTLY, apontaram que o vídeo foi compartilhado com a alegação mentirosa de que um adolescente da região de Bihar, na Índia, teria construído o avião com sucata em apenas uma semana, por cerca de 7 mil rúpias. Nada disso é verdade.

A correção é importante para dar o devido crédito. As checagens confirmam que o autor do avião caseiro é o eletricista Julhas Molla, de Bangladesh, e não um jovem indiano. O projeto levou anos e custou muito mais do que os valores citados nas versões falsas que circularam.

O caso serve de alerta sobre como notícias se distorcem. Um feito verdadeiro pode ser esvaziado ou roubado por boatos que viajam mais rápido que a checagem. Por isso, vale sempre desconfiar de histórias boas demais para ser verdade e procurar a fonte original antes de compartilhar. No caso do avião caseiro que voou sobre o rio, o crédito é todo do eletricista de Bangladesh.

O sonho de baratear a aviação em Bangladesh

Para Julhas, o voo foi só o começo de um plano maior. Mais do que provar que conseguia, ele quer mostrar que a aviação pode ser acessível em Bangladesh, um país onde voar ainda é privilégio de poucos. Seu avião caseiro seria a primeira peça dessa ideia.

A ideia faz sentido em um país de rios e cheias. Em Bangladesh, onde estradas alagam e o deslocamento fica difícil em muitas regiões na época das chuvas, aeronaves leves e baratas poderiam ajudar no transporte e em emergências. É nesse cenário que o voo de Julhas ganha um significado que vai além da simples curiosidade.

A aposta dele é nas aeronaves ultraleves de baixo custo. Com o apoio certo, o eletricista imagina um futuro em que pequenos aviões, fabricados localmente e com materiais baratos, possam ser usados por mais gente. Seria uma forma de democratizar o céu, hoje dominado por máquinas caras e importadas.

A repercussão chamou a atenção das autoridades locais. Segundo as reportagens, representantes do governo do distrito de Manikganj sinalizaram apoio à pesquisa de Julhas e teriam oferecido uma ajuda financeira inicial para incentivá-lo. O reconhecimento oficial pode dar fôlego ao projeto.

Resta saber se o sonho vai além do avião caseiro atual. Transformar uma invenção de quintal em algo seguro, certificado e produzido em escala é um caminho longo e cheio de exigências técnicas. Ainda assim, a ousadia do eletricista já cumpriu um papel importante: provar que a ideia é possível.

O que isso tem a ver com o Brasil

O Brasil tem uma relação especial com a aviação e com os inventores. Afinal, foi o brasileiro Santos Dumont quem realizou, no início do século 20, um dos voos pioneiros da história com o 14-bis, sendo celebrado aqui como o “pai da aviação”. A história de Julhas ecoa esse mesmo espírito de quem ousa fazer voar o que parece impossível.

Vale lembrar que Santos Dumont também era um obstinado por detalhes. Ele projetava e pilotava os próprios aparelhos, dos balões dirigíveis ao 14-bis, sempre testando na prática e aprendendo com cada falha. Guardadas as devidas proporções, é o mesmo impulso que leva um eletricista a montar um avião caseiro no quintal mais de um século depois, em Bangladesh.

O país também tem sua cota de inventores de garagem. Não faltam casos de brasileiros que constroem máquinas a partir de sucata e criatividade, incluindo o famoso caso de um borracheiro do interior que montou uma aeronave com motor de carro e peças usadas. A engenhosidade do avião caseiro de Bangladesh dialoga diretamente com esse jeito brasileiro de inventar.

Há ainda um ambiente legal para esse tipo de criação. No Brasil, existe a categoria das aeronaves experimentais e de construção amadora, regulada pela ANAC, que permite a entusiastas montar e voar seus próprios aviões dentro de regras de segurança. É um caminho que falta amadurecer em muitos países, mas que aqui já tem espaço.

Por fim, fica a inspiração para a cultura maker nacional. O caso mostra como conhecimento prático, persistência e materiais simples podem gerar feitos surpreendentes, algo que dialoga com escolas técnicas, feiras de ciências e oficinas de robótica espalhadas pelo Brasil. Talvez o próximo avião caseiro de sucesso saia de um quintal brasileiro.

E você, teria coragem de voar nessa invenção?

A façanha de Julhas Molla mostra o poder da curiosidade aliada à persistência. Sem faculdade, o eletricista construiu em casa um avião caseiro de mais de 100 quilos, adaptou um motor de bomba d’água de 7 cavalos e conseguiu voar sobre um rio em Bangladesh. Tudo isso depois de quatro anos de tentativas e com o sonho de tornar a aviação mais acessível.

E você, teria coragem de decolar em uma invenção dessas? Conta aqui nos comentários o que achou do feito do eletricista e se acredita que aviões caseiros e ultraleves baratos podem mesmo virar realidade para mais gente, inclusive no Brasil.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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