4 min de leitura
Elon Musk foca no Brasil e clientes da Vivo podem usar Starlink no celular sem antena em breve, enquanto tecnologia via satélite entra em fase de testes autorizados pela Anatel e promete cobertura até onde o 5G não chega.
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 25/07/2026 às 20:13
Ciência e Tecnologia
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Negociação entre Vivo e SpaceX avança enquanto a Anatel autoriza testes nacionais de conexão direta entre celulares e satélites, tecnologia voltada a regiões sem cobertura terrestre e que ainda depende de avaliações técnicas, compatibilidade dos aparelhos e definições regulatórias antes de uma possível oferta comercial.
A Vivo negocia com a SpaceX um acordo para oferecer no Brasil conectividade direta entre celulares e satélites, sem antena externa, mas o serviço ainda não possui lançamento comercial confirmado nem data definida para chegar aos clientes da operadora.
Divulgada pelo Tele.Síntese em 21 de julho de 2026, a informação surgiu após a Telefônica Brasil, controladora da Vivo, receber autorização da Agência Nacional de Telecomunicações para testar a tecnologia Direct-to-Device, conhecida pela sigla D2D, em todo o território nacional.
Embora as conversas envolvam a empresa de Elon Musk, o ato regulatório não identifica qual companhia será responsável pelo segmento satelital durante o experimento, razão pela qual os testes autorizados ainda não podem ser oficialmente associados à constelação Starlink.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Testes da Vivo com conexão direta por satélite
Pela autorização concedida, a Telefônica Brasil poderá utilizar até 50 terminais móveis entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026, intervalo estabelecido para avaliar a conexão direta via satélite no ambiente experimental supervisionado pela Anatel.
Durante o experimento, serão usadas as frequências de 2.567,5 MHz e 2.687,5 MHz, localizadas na faixa de 2,5 GHz, com largura de 5 MHz em cada canal e potência máxima de transmissão limitada a 100 watts.
Como essas frequências serão utilizadas em caráter secundário, a Vivo não terá proteção contra interferências provocadas por sistemas primários e deverá suspender as transmissões sempre que a operação prejudicar serviços que já funcionem regularmente nas mesmas faixas.
Ao longo do período autorizado, caberá ainda à operadora compartilhar documentos e informações técnicas com a agência, relatar interferências ou riscos identificados e entregar um relatório final destinado a subsidiar a análise regulatória sobre o funcionamento da tecnologia.
Oferta comercial de Starlink no celular
Depois de retificar o ato relacionado ao projeto, a Anatel passou a admitir exploração comercial dentro das regras do ambiente experimental, porém essa possibilidade não equivale a uma liberação automática nem garante o acesso imediato dos clientes da Vivo ao serviço.
Para que uma oferta chegue ao mercado, serão necessárias a conclusão das negociações entre Vivo e SpaceX, a avaliação dos resultados técnicos, a compatibilidade dos aparelhos e o cumprimento das normas aplicáveis, sem preços, planos ou cronograma anunciados.
Procuradas pelo Tele.Síntese, Vivo e SpaceX não comentaram as tratativas, enquanto TIM e Claro também mantêm conversas com a empresa norte-americana e com outras operadoras de satélites de baixa órbita para analisar soluções semelhantes no mercado brasileiro.
Como funciona a tecnologia Direct-to-Device
Na prática, o D2D permite que smartphones compatíveis se comuniquem diretamente com satélites de baixa órbita quando não existe sinal de uma rede terrestre, fazendo da infraestrutura espacial uma extensão da cobertura oferecida pelas operadoras de telefonia móvel.
Voltada principalmente a regiões remotas ou com baixa densidade populacional, a tecnologia pode ampliar a conectividade em locais onde instalar e manter torres convencionais seria economicamente difícil, incluindo áreas afastadas dos grandes centros e das principais rotas terrestres.
Conforme a capacidade da rede, o espectro disponível e o aparelho utilizado, o sistema pode sustentar mensagens, chamadas e acesso à internet, embora a transmissão de dados permaneça abaixo do desempenho normalmente oferecido pelas redes terrestres 5G Standalone.
Em vez de substituir o 4G ou o 5G, o serviço foi desenvolvido como complemento da rede celular e tende a ser acionado quando o usuário estiver fora da área atendida por antenas convencionais instaladas pelas operadoras.
Regras da Anatel para celular conectado a satélite
Inseridos no sandbox regulatório da Anatel, os testes da Vivo ocorrem em um ambiente temporário no qual empresas podem experimentar tecnologias e modelos de prestação sob supervisão, antes da criação ou consolidação de regras permanentes para o novo serviço.
No início de julho de 2026, o Conselho Diretor da agência aprovou a inclusão do D2D no Plano de Atribuição, Destinação e Distribuição de Faixas de Frequências, estabelecendo uso secundário em diferentes faixas empregadas pela telefonia móvel brasileira.
A decisão também prevê que empresas de satélite operem em parceria com operadoras terrestres detentoras do direito de uso das frequências, enquanto a área técnica da Anatel prepara requisitos para orientar a convivência entre redes móveis e sistemas não terrestres.
Mesmo com o avanço regulatório, ofertas comerciais futuras ainda dependerão de definições técnicas, acordos empresariais e resultados satisfatórios nos experimentos, sobretudo para evitar interferências e garantir que a conexão funcione de maneira integrada às redes móveis existentes no país.
Para o consumidor, a mudança mais relevante poderá aparecer em locais sem sinal convencional, onde um aparelho compatível passaria a buscar cobertura satelital automaticamente, sem depender da instalação de uma antena externa dedicada para estabelecer a comunicação.
Ao viajar por regiões onde o 4G e o 5G não estão disponíveis, a possibilidade de manter o celular conectado diretamente por satélite seria suficiente para influenciar sua escolha de operadora móvel?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

