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Empresa recolhe 6 mil guarda-chuvas que seriam descartados, transforma o tecido em jaquetas e revela como o “software do lixo” impulsiona uma indústria de R$80 bilhões
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 30/07/2026 às 13:20
Atualizado em 30/07/2026 às 13:21
Sustentabilidade
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No Rio Grande do Sul, iniciativas de diferentes portes mostram como resíduos podem retornar à cadeia produtiva e gerar valor econômico. Garrafas PET viram bancos de ônibus, enquanto embalagens longa vida originam telhas residenciais e tubos de caneta.
A marca Cós transforma guarda-chuvas inutilizados em jaquetas, capas e acessórios. Já o Grupo Sygecom desenvolve sistemas capazes de organizar empresas recicladoras e o trabalho de catadores autônomos.
Segundo a Mastersenso Consultoria Industrial, a reciclagem brasileira processa mais de 15 milhões de toneladas de materiais por ano. Além disso, o setor movimenta mais de R$ 80 bilhões.
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Logística reversa conecta indústrias, cooperativas e empresas recicladoras
Desde 2015, a Associação de Logística Reversa de Embalagens, a Aslori, aproxima empresas de cooperativas e recicladoras. Assim, resíduos industriais encontram uma destinação ambientalmente adequada.
Em 2025, R$ 4,8 milhões da associação foram direcionados ao desenvolvimento das recicladoras. Os recursos financiaram melhorias estruturais e a aquisição de equipamentos específicos.
Segundo Guilherme Portella, coordenador do Conselho de Meio Ambiente da Fiergs, as empresas demonstram maior interesse pela sustentabilidade.
Portella afirma que uma meta federal determina a reciclagem mínima de 30% dos materiais colocados no mercado pelas indústrias.
Consequentemente, a exigência estimula a economia circular. Nesse processo, embalagens longa vida, como as utilizadas pela Tetra Pak, recebem novas aplicações industriais.
Projeto universitário transformou tecido de guarda-chuva em moda sustentável
Em Porto Alegre, a Cós encontrou valor em um resíduo pouco convencional. A marca produz capas, jaquetas e acessórios com tecidos retirados de guarda-chuvas descartados.
Inicialmente, a ideia surgiu durante um projeto universitário de extensão. A proposta buscava formar profissionais para atuar com moda autoral, sustentável e baseada no reaproveitamento.
Posteriormente, em 2021, o trabalho chegou à final de uma competição de negócios sociais em Montreal, no Canadá.
Na ocasião, a equipe apresentou um quimono produzido com tecido de guarda-chuva. A peça, então, tornou-se o ponto de partida do modelo comercial.
Parceria reaproveitou 6 mil guarda-chuvas atingidos pela enchente de 2024
Com o crescimento do projeto, a fabricante Fazzoletti começou a fornecer guarda-chuvas avariados ou devolvidos pelas lojas.
Entretanto, a parceria ganhou uma nova dimensão após a enchente de 2024 comprometer parte do prédio da fabricante em Porto Alegre.
Naquele momento, 6 mil guarda-chuvas foram entregues à Cós. Depois, os tecidos passaram por higienização e tratamento para retornar à cadeia produtiva.
Atualmente, a fabricação de uma jaqueta exige tecidos de três a quatro guarda-chuvas. Por outro lado, metade de uma unidade pode originar uma pochete.
Além disso, a marca instalou pontos de coleta no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul e na Oficina Muda.
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Paralelamente, a Cós estabeleceu conexões com unidades de triagem, como Ksa Rosa e UT Vila Pinto.
Dessa maneira, a marca ampliou seus fornecedores e passou a desenvolver oficinas com trabalhadores da reciclagem.
Durante as atividades, os participantes aprendem técnicas de costura, desmontagem e melhor aproveitamento dos tecidos.
Segundo Marina Anderle Giongo, sócia-fundadora da Cós, a remuneração considera o tempo necessário para retirar o material.
Assim, o valor por hora acompanha aquele utilizado no trabalho de costura. A medida aumenta o retorno obtido pelos recicladores com cada peça recolhida.
“Software do lixo” organiza coleta, estoque, transporte e comercialização
Fundado há 20 anos em Alvorada, o Grupo Sygecom atua na profissionalização tecnológica da reciclagem. Atualmente, a empresa também mantém uma unidade no Tecnopuc.
As plataformas atendem áreas comerciais, administrativas, contábeis, logísticas, de transporte e estoque. Além disso, permitem rastrear resíduos desde a coleta até o processamento.
As soluções incluem sistemas robustos para grandes indústrias e versões simplificadas para catadores autônomos.
Entre elas, o aplicativo Recicla Fácil registra volumes, organiza clientes, programa entregas e acompanha o desempenho.
Consequentemente, os catadores conseguem planejar melhor a coleta e ampliar a previsibilidade de renda.
Para Dinho Machado, CEO do Grupo Sygecom, ferramentas adequadas ajudam a transformar um setor subvalorizado em uma indústria organizada e relevante para o país.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

